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PSD de Kassab: O "Relacionamento Aberto" que Divide Governo e Oposição
O Partido Social Democrático (PSD) de Gilberto Kassab protagoniza uma das estratégias mais controversas da política brasileira atual: estar simultaneamente no governo federal e na oposição estadual. Com três ministérios na gestão Lula e secretaria no governo Tarcísio em São Paulo, o partido navega entre extremos políticos em busca de maximizar sua influência para 2026.
A Estratégia dos Três Fronts
O PSD atualmente controla os ministérios da Pesca e Aquicultura (André de Paula), Minas e Energia (Alexandre Silveira) e Agricultura (Carlos Fávaro). Paralelamente, Kassab ocupa a Secretaria de Governo de São Paulo na gestão de Tarcísio de Freitas, potencial adversário de Lula em 2026.
Em maio de 2024, durante evento de filiação do governador Eduardo Leite (RS), Kassab foi explícito sobre sua posição: "Eu aqui em São Paulo fiquei com o Tarcísio. Eu não estou no governo Lula", declarou, mesmo com seu partido ocupando três pastas federais.
Críticas do Próprio Campo Governista
A estratégia kassabista tem gerado desconforto até mesmo entre aliados do governo. O jornalista Reinaldo Azevedo observou que "Kassab fala como um chefe de oposição a Lula", destacando a contradição entre o discurso do líder partidário e a participação efetiva do PSD no governo federal.
Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que declarações recentes de Kassab sobre economia e críticas ao ministro Fernando Haddad foram "tentativas de mostrar força do PSD à gestão", segundo reportagem da Agência Estado de janeiro de 2025.
Expansão Estratégica no Nordeste
O PSD desenvolve plano ambicioso para 2026, mirando especificamente o Nordeste, tradicional reduto petista. A estratégia envolve alianças regionais e fortalecimento da bancada legislativa, aproveitando a atual posição no governo federal para construir palanques estaduais.
Dados do TSE mostram que o PSD elegeu 34 deputados federais em 2022, tornando-se a quarta maior bancada da Câmara. Esta representação oferece ao partido poder de barganha significativo tanto com governo quanto com oposição.
Precedentes Históricos na Política Brasileira
A estratégia não é inédita na política nacional. O PMDB (atual MDB) praticou modelo similar durante governos do PT, mantendo-se na base aliada federal enquanto fazia oposição em estados estratégicos. O PP de Ciro Nogueira também adotou postura semelhante antes de se alinhar definitivamente ao governo Lula.
Cientistas políticos classificam esta prática como "pragmatismo partidário", comum em sistemas multipartidários como o brasileiro, onde partidos buscam maximizar recursos e influência através de alianças flexíveis.
Impacto Eleitoral Concreto
A estratégia oferece vantagens mensuráveis:
Tempo de TV: Partidos governistas têm acesso ampliado à propaganda eleitoral
Recursos: Emendas parlamentares e verbas de campanha aumentam significativamente
Palanques: Capacidade de organizar apoios em diferentes espectros políticos
Em 2022, o PSD obteve R$ 346 milhões em recursos do fundo eleitoral, valor que pode crescer substancialmente com a atual posição no governo federal.
Reações da Oposição e Análise Política
Líderes oposicionistas criticam o que chamam de "oportunismo político". O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) classificou a postura do PSD como "fisiologismo puro", argumentando que compromete a clareza do debate democrático.
Analistas políticos como o cientista político Sérgio Praça, da FGV, avaliam que esta estratégia reflete "a fragmentação do sistema partidário brasileiro", onde ideologia cede espaço para cálculos eleitorais de curto prazo.
Desafios Jurídicos e Éticos
Embora legal, a prática levanta questões sobre fidelidade partidária e coerência programática. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que mudanças de posicionamento político sem justa causa podem configurar infidelidade partidária, mas a jurisprudência ainda não aborda casos de "dupla militância" como o do PSD.
O Código de Ética da Câmara dos Deputados estabelece que parlamentares devem manter "coerência entre discurso e ação política", princípio que pode ser questionado juridicamente no futuro.
Perspectivas para 2026
A sustentabilidade da estratégia kassabista será testada nas eleições presidenciais de 2026. Pesquisas do Datafolha de dezembro de 2024 mostram Lula e Tarcísio tecnicamente empatados, cenário que pode forçar o PSD a definir posição clara.
O partido aposta que sua flexibilidade atual se transformará em vantagem competitiva, permitindo negociar com qualquer candidato que lidere as pesquisas. Esta abordagem, porém, pode gerar desconfiança de ambos os lados do espectro político.
Fontes consultadas:
UOL Notícias - Kassab sobre governo Lula
BNews - Análise Reinaldo Azevedo
Acesse Política - Estratégia no Nordeste
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