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O lançamento da pré-candidatura de André Português ao governo do estado do Rio de Janeiro marca inflexão estratégica na política fluminense.
O ex-prefeito de Miguel Pereira, município que se consolidou como case de sucesso econômico sob sua gestão, apresenta ao eleitorado estadual proposta que transpõe modelo local para escala regional, apostando que fórmula que funcionou em município de médio porte possa ser replicada em estado com dinâmicas políticas e econômicas exponencialmente mais complexas.
O sucesso de Miguel Pereira como plataforma política
Pedro Paulo Quinzinho, prefeito atual de Miguel Pereira e vice-prefeito durante a gestão de André Português, ofereceu testemunho que sintetiza narrativa da campanha.
"Miguel Pereira se tornou um case de sucesso. Foi um trabalho árduo ao longo desses 8 anos", afirmou Quinzinho, reconhecendo que a transformação do município resultou de esforço prolongado e multifatorial que envolveu poder público, iniciativa privada e população.
O resultado tangível dessa mobilização foi expressivo: geração de emprego, aquecimento econômico e reposicionamento de Miguel Pereira como destino turístico relevante.
O município, historicamente identificado com herança cafeeira, encontrou em turismo e eventos culturais vetores de reinvenção econômica.
A consolidação dessa trajetória oferece material político concreto — não promessas abstratas, mas realidade comprovável que Português pode apontar como evidência de capacidade executiva.
O turismo como vocação econômica do Rio de Janeiro
Quinzinho articulou análise sobre a importância estratégica do turismo. "O turismo é importantíssimo na cidade. Cada cidade tem a sua vocação, mas a gente tem certeza de que o turismo, principalmente para o estado do Rio de Janeiro, é o principal, é uma fábrica sem chaminé, é a principal vocação para que a gente possa alavancar cada vez mais todo o nosso estado", sinalizando compreensão de que o Rio de Janeiro perdeu centralidade em matriz econômica nacional precisamente porque negligenciou vocação turística que historicamente o caracterizava.
A metáfora da "fábrica sem chaminé" captura a essência do modelo econômico que Português propõe: geração de riqueza por meio de serviços e experiências, sem dependência de infraestrutura pesada ou impacto ambiental equivalente à industrialização tradicional.
Em contexto de crise econômica fluminense, aposta em turismo representa tentativa de reposicionar estado em cadeia de valor global, em que Brasil oferece ativos únicos: paisagem, cultura, hospitalidade.
Diagnóstico de deterioração institucional estadual
O discurso de português sobre a situação atual do Rio não oferece sofisticação retórica. "O estado do Rio de Janeiro também tá bem sucateado. Você vê aí tendo que ter um governo, eh eh, praticamente eh que não foi eleito", afirmou, com precisão que refletia frustração genuína com o vácuo institucional que caracteriza o executivo fluminense.
A referência indireta ao governador em exercício, consequência de mecanismos constitucionais que transferiram poder após a morte do titular anterior, sinaliza que o português vê continuidade institucional comprometida.
Este diagnóstico oferece abertura política importante.
Eleitor fluminense cansado de gestão interina encontra em Português proposição de retorno à normalidade institucional, ainda que essa normalidade seja buscada por meio de candidato que também não goza do prestígio acumulado de liderança estadual consolidada.
Paradoxalmente, falta de enraizamento político de português pode funcionar como ativo; rejeição ao establishment político tradicional torna atrativa candidatura de figura que surgiu de construção municipal.
A replicabilidade como questão central
Quinzinho reconheceu desafio implícito em transpor modelo de sucesso municipal para o estado: "Na realidade, o que nós, na época, conseguimos construir com toda a equipe, toda a população em Miguel Pereira, nós vamos, no caso, o André, com certeza ele irá fazer na mesma proporção, lógico, bem maior no estado do Rio de Janeiro", afirmou, indicando que a escala será diferente, mas a metodologia permanece transferível.
A insistência em "montar equipe" como elemento crítico de sucesso reflete compreensão de que gestão pública depende menos de teorias abstratas do que de capacidade de recrutar pessoas capazes de executar.
Português acumula 8 anos de experiência em seleção e gestão de recursos humanos em contexto municipal.
O capital político que oferece ao eleitor mais o desafio de amplificar este modelo para estrutura estatal de magnitude incomparavelmente maior permanece uma questão aberta cuja resposta apenas a prática poderá fornecer.
Proposta de elevação do Rio ao "patamar de onde nunca deveria ter saído".
A retórica final de Quinzinho capturou a essência da campanha de Português. "Ele vai pegar o estado do Rio de Janeiro com todas essas dificuldades e que ele ali na pré-lançamento da candidatura dele também falou para que ele possa elevar o estado do Rio de Janeiro ao patamar onde ele nunca deveria ter saído", estabelecendo premissa de que o Rio não sofre déficit estrutural, mas sim interrupção temporária de trajetória que anteriormente o posicionava como polo econômico e cultural brasileiro de primeira magnitude.
Esta formulação oferece esperança psicológica importante em momento de desalento político, ideia de que retorno é possível, que Rio pode reconquistar posição que lhe pertence historicamente.
A criatividade retórica reside em não prometer transformação milagrosa, mas restauração daquilo que foi perdido por meio de negligência política e má gestão.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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