Pesquisa Gerp aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em todos os cenários para 2026

Lula mantém rejeição de 51% enquanto Flávio Bolsonaro chega a 48% no cenário de segundo turno

Pesquisa Gerp aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em todos os cenários para 2026

Levantamento divulgado nesta sexta-feira mostra disputa presidencial acirrada com presidente somando 38% no primeiro turno e senador com 36%, dentro da margem de erro

A disputa presidencial brasileira para 2026 apresenta-se em cenário de completa indefinição. Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (27) pelo instituto Gerp mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em empate técnico nos principais cenários da campanha eleitoral. No primeiro turno estimulado, Lula soma 38% das intenções de voto contra 36% de Flávio, uma diferença que se encontra dentro da margem de erro de 2,24 pontos percentuais. A pesquisa foi realizada entre 20 e 25 de março com duas mil entrevistados em todo o país e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02846/2026.

O levantamento oferece quatro cenários distintos que simulam diferentes composições de candidaturas. No primeiro, com Lula contra Flávio Bolsonaro, o resultado é 38% para o presidente e 36% para o senador. No segundo cenário, onde outro nome substitui Flávio na chapa de direita, Lula marca 38% e o candidato bolsonarista obtém 37%. Já no terceiro, há empate numérico absoluto: ambos registram 37%. No quarto e último cenário, quando diferentes configurações de candidatos são testadas, Flávio lidera com 40% contra 38% de Lula. Essa variação entre cenários reforça a instabilidade do processo de sucessão presidencial e a dependência dos números em relação à composição final das chapas.

Ciro Gomes aparece em todos os cenários como terceira força com 7% das intenções de voto. Ratinho Junior registra 4% a 5% dependendo do cenário. Romeu Zema oscila entre 3% e 5%, enquanto Ronaldo Caiado mantém-se com 3% a 5% conforme o contexto. Renan Santos, Aldo Rebelo e Eduardo Leite registram menos de 3% cada um. A quantidade de eleitores que não souberam responder varia entre 4% e 6% nos diferentes cenários, sinalizando certa dificuldade do eleitorado em definir sua escolha.

O segundo turno e a inversão de liderança

Quando simulado o confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, o panorama apresenta uma inversão interessante. Neste cenário, Flávio Bolsonaro assume a dianteira com 48% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Embora numericamente Flávio esteja à frente por três pontos percentuais, a diferença permanece dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico entre os dois candidatos. Cinco por cento dos entrevistados afirmaram que votariam em nenhum dos dois, enquanto 3% não souberam ou não responderam à pergunta.

Essa inversion no segundo turno, onde Flávio ultrapassa Lula, marca mudança significativa em relação aos cenários de primeiro turno. Sugere que apoiadores de outros candidatos, ao serem forçados a escolher entre Lula e Flávio, preferem em sua maioria o senador bolsonarista. Este fenômeno pode estar relacionado ao fato de Lula ser o candidato mais rejeitado no eleitorado brasileiro, como aponta a mesma pesquisa. A consolidação de voto em segundo turno entre bolsonaristas tende a ser maior que a consolidação petista, permitindo que Flávio ultrapasse o presidente na simulação de confronto direto.

Rejeição: o fator que estrutura a disputa

Enquanto as intenções de voto mostram empate ou vantagem mínima de Flávio, o índice de rejeição revela quadro que favorece o senador bolsonarista. Lula lidera os índices de rejeição com 51% dos eleitores afirmando que nunca votariam no presidente. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é rejeitado por 45% dos entrevistados. Essa diferença de seis pontos percentuais é significativa em uma eleição que se anuncia tão acirrada.

Romeu Zema e Eduardo Leite registram os menores índices de rejeição, ambos com 16%. Ratinho Junior aparece com 15% de rejeição, Ronaldo Caiado com 13%, Ciro Gomes com 12%, e Renan Santos e Aldo Rebelo com 11% cada. A rejeição menor desses candidatos menores reflete menor circulação nacional e menor penetração mediática, fenômeno frequente em competições presidenciais onde candidatos alternativos costumam sofrer menos polarização.

A comparação com levantamento anterior de janeiro de 2026 revela dinâmica preocupante para Lula. Enquanto sua rejeição permaneceu estável em 51%, a rejeição de Flávio Bolsonaro aumentou de 41% para 45% em apenas dois meses. Este crescimento de quatro pontos percentuais na rejeição de Flávio coincide com maior exposição mediática do senador e com campanha que vem consolidando seu posicionamento como alternativa viável ao governo Lula.

Volatilidade e decisão de voto

A pesquisa também investigou em que medida os eleitores já teriam tomado suas decisões de voto. Entre aqueles que declararam apoio a Lula, 83% afirmam que seu voto está totalmente decidido. Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, apenas 39% possuem voto completamente decidido. Esta assimetria marca diferença fundamental entre as bases de ambos os candidatos.

Esse padrão sugere que a base de Lula está consolidada e mais imune a mudanças, enquanto a base de Flávio permanece ainda significativamente volátil. Eleitores que apoiam Flávio afirmam, em sua maioria, que ainda podem mudar de candidato até o dia da eleição ou que não têm certeza de sua escolha. Este é fator potencialmente favorável ao presidente, que poderia tentar expandir sua base convencendo indecisos que hoje gravitam em torno de Flávio.

Conhecimento e polarização

O conhecimento dos candidatos entre eleitores permanece muito elevado. Lula é conhecido por 93% do eleitorado brasileiro, enquanto Flávio Bolsonaro alcança reconhecimento de 88%. A diferença de cinco pontos percentuais em conhecimento reflete a maior exposição histórica de Lula, que já foi presidente e mantém proeminência mediática. Flávio, ainda assim, atingiu índice impressionante de conhecimento que o coloca entre candidatos mais conhecidos do país.

Essa elevada penetração de conhecimento sobre ambos os candidatos reforça caráter polarizado da disputa. Não há espaço para incógnitas ou desconhecimento. Os eleitores sabem exatamente quem Lula e Flávio são, e o fato de permanecerem tecnicamente empatados indica que a decisão será tomada com base em avaliação de atuação, propostas e capacidade de liderança percebida, não em questões de familiaridade ou proximidade.

Terceira via ausente

A pesquisa reforça fenômeno já observado nas eleições de 2022: ausência de terceira força viável. Ciro Gomes, que lançou-se como alternativa ao embate Lula-Bolsonaro em 2018 e conseguiu 12% em 2022, agora marca apenas 7% nas intenções de voto. Ratinho Junior, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e demais candidatos alternativos não conseguem consolidar apoio suficiente para se apresentar como opção realista de vitória.

Esse cenário sugere que eleitores brasileiros acreditam que a eleição será decidida entre Lula e Flávio Bolsonaro. Candidatos que tentam se posicionar como terceira via encontram dificuldade de penetração junto ao eleitorado. A polarização do sistema político brasileiro nas últimas quatro eleições presidenciais tem produzido efeito concentrador de voto, impedindo que candidatos alternativos consigam romper o domínio dos dois polos principais da política nacional.

Metodologia rigorosa e confiabilidade

A pesquisa Gerp ouviu dois mil pessoas distribuídas nas cinco regiões do país. Os dados foram ponderados de acordo com sexo, faixa etária, renda do chefe do domicílio e região geográfica de residência. A margem de erro estimada é de 2,24 pontos percentuais para um nível de confiança de 95,55%, o que significa que os resultados apresentados têm alta confiabilidade estatística.

As entrevistas foram realizadas entre 20 e 25 de março de 2026 através de sistema CATI (Computer-Assisted Telephone Interviewing), metodologia padrão em levantamentos de intenção de voto. O instituto Gerp é instituo credenciado junto ao Tribunal Superior Eleitoral, o que garante que a pesquisa obedece a critérios técnicos e éticos regulados pela justiça eleitoral. O registro no TSE sob número BR-02846/2026 permite que a pesquisa seja fiscalizada e verificada por instituições públicas.

Implicações para campanha

O cenário de empate técnico em todos os cenários de primeiro turno cria situação muito diferente das últimas eleições presidenciais. Em 2022, Lula vencia Bolsonaro nos levantamentos de intenção de voto, embora com margem apertada. Agora, em 2026, esse padrão se alterou. Flávio Bolsonaro conseguiu reduzir drasticamente a distância que separava seu lado do governo Lula. Em alguns cenários, chega a empatar numericamente. Em segundo turno, assume a dianteira.

Essa realidade impõe desafio imenso para campanha de Lula. O presidente não pode contar com vantagem de incumbência para vencer eleição. Terá que lidar com rejeição de 51% do eleitorado — a maior entre todos os candidatos testados. Flávio Bolsonaro, embora tenha crescido em rejeição, mantém-se 6 pontos abaixo de Lula neste quesito. Para campanha de Flávio, a tarefa é consolidar base ainda volátil e convencer indecisos de que representa alternativa viável e confiável.

Os próximos meses até outubro serão cruciais para definir qual candidato conseguirá expandir sua base e reduzir a rejeição que pesa sobre si mesmo. O eleitorado indeciso será peça fundamental no tabuleiro. Aqueles que hoje apontam apoio a Ciro Gomes, Ratinho Junior, Romeu Zema ou outros candidatos menores serão forcados, provavelmente em segundo turno, a escolher entre Lula e Flávio. Essa migração de votos pode ser determinante para o resultado final da eleição presidencial de 2026.

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (27) pelo instituto Gerp

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (27) pelo instituto Gerp.

No segundo cenárioLula tem 38% e Flávio Bolsonaro, 37%.

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (27) pelo instituto Gerp

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (27) pelo instituto Gerp

Metodologia 

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas. Os dados foram ponderados de acordo com sexo, faixa etária, renda do chefe do domicílio e regiões do país. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, com nível de confiança de 95,55%. As entrevistas foram realizadas entre os dias 20 e 25 de março de 2026. Ela está registrada no TSE com o número BR-02846/2026

Por Jornal da República em 27/03/2026
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