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Candidato a deputado federal pelo Solidariedade, ele carrega 28 anos de Polícia Federal, formação em direito e economia e uma pauta que começa nas guardas municipais e atravessa o preço do aluguel no Rio

A trajetória que começou antes do amanhecer
Antes de vestir a farda da Polícia Federal, Luis Marta abria uma banca de jornal às 4h da manhã, na zona norte do Rio. Filho de escola pública, formado técnico mecânico industrial, ele passou pelo IBGE como supervisor censitário até chegar, em 1994, ao sistema penitenciário. Foram anos como guarda prisional do antigo Desip, em condições que ele próprio descreve como duras: 12 agentes para 2.400 presos, sem armamento e sem o reconhecimento formal da atividade como policial — situação que só mudaria com a criação da Polícia Penal.
Da prisão, veio o salto para a Polícia Federal, com formação na Academia Nacional de Polícia, em Brasília. Há 28 anos na instituição, Marta atua hoje como analista dos acordos de cooperação técnica entre prefeituras e a PF, na área de controle de armas de fogo. É dessa função que nasce o apelido que o acompanha nas ruas: "padrinho das guardas".
O "padrinho das guardas" e a briga pelo artigo 144
O apelido foi dado por colegas das guardas municipais após a moção recebida em Araruama, em 2024, num dia que coincidiu com o aniversário do policial. A origem, porém, é técnica: como analista, ele acompanhou o processo de armamento de mais de 11 municípios fluminenses desde a edição da Instrução Normativa nº 310 da Polícia Federal, de junho de 2025, que condiciona o porte funcional à assinatura de um Termo de Adesão e Compromisso entre o município e a PF.
Para Marta, o rigor do processo costuma ser desconhecido pela população. Os guardas passam por avaliação de antecedentes, testes psicológicos e de tiro com instrutores credenciados pela própria PF antes de portar arma. Ele cita Volta Redonda, pioneira no estado com guarda armada desde 2022, e casos como o de São Gonçalo, onde guardas armados recuperaram um carro roubado a poucos quarteirões do local do crime. Em nenhum dos municípios que aderiram, afirma, houve registro de desvio de conduta — e qualquer deslize pode revogar o termo imediatamente.
O objetivo declarado é maior do que o porte de armas. Marta defende a inclusão das guardas municipais no artigo 144 da Constituição, que lista os órgãos de segurança pública, e apoia propostas em tramitação na Câmara, como a PEC 18/2025, que trata das competências da União, dos estados e dos municípios na área. "Não estamos só defendendo a segurança pública. Estamos defendendo pais de família", resume o candidato, que vê no policiamento de proximidade das guardas um modelo próximo ao de condados nos Estados Unidos.
A causa dos animais e a promessa de um santuário
A defesa dos animais é outra bandeira pessoal. Marta recebeu a medalha Francisco de Assis por sua atuação como protetor e conta que já arriscou a vida três vezes ao resgatar cães em vias expressas. No Congresso, quer endurecer ainda mais as penas contra maus-tratos — hoje, pela Lei Sansão (Lei 14.064/2020), maltratar cães e gatos pode levar à reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda.
O candidato também defende que o abandono deixe de ser tratado apenas como crueldade. Animais abandonados viram vetores de zoonoses, como leptospirose e raiva, e o custo do tratamento recai sobre o SUS e os cofres municipais. Ele promete, se eleito, criar o maior santuário de animais abandonados do país, em parceria público-privada com fiscalização do Ministério Público, e propõe a redução de impostos sobre medicamentos e insumos veterinários, hoje tratados como supérfluos na tributação.
Na área ambiental, Marta levanta um currículo prático: em Niterói, conta ter retirado quatro caminhões de entulho de uma área degradada, onde mantém um plantel de mudas e onde relata a volta do riacho, dos micos e o crescimento acelerado das árvores.
A notificação extrajudicial e a briga contra a gentrificação
Morador de Copacabana há 18 anos, Marta transformou uma vivência pessoal em pauta legislativa. No mês passado, diz ele, recebeu uma notificação extrajudicial para deixar o apartamento, com majoração de quase 80% no aluguel, mesmo sem nunca ter atrasado um dia de pagamento. Nos bastidores do prédio, o porteiro teria relatado que o proprietário sondava se o imóvel poderia entrar na plataforma de aluguel por temporada.
O caso ilustra o que o candidato descreve como gentrificação: moradores antigos, muitos deles idosos, empurrados para fora dos bairros onde nasceram para dar lugar ao turismo de curta temporada. Pesquisas e reportagens recentes confirmam a pressão — o valor dos aluguéis em Copacabana chegou a subir 50% em período recente, e a própria Câmara do Rio discute regras para plataformas digitais. Para Marta, a regulamentação precisa ser dura: "O carioca está sendo obrigado a se retirar dos lugares onde nasceu e se criou. Lugar de turista é no hotel, não ocupando prédio residencial", afirma, defendendo a rede hoteleira da cidade, que cumpre exigências de segurança e fiscalização.
Motociclistas de aplicativo e a sobrecarga do SUS
A quarta frente da campanha atinge um problema de saúde pública: os acidentes com motociclistas de aplicativo. Ortopedistas relatam que cerca de 70% dos leitos de trauma são ocupados por motociclistas acidentados no Rio, e levantamentos citados pela Agência Brasil estimam que emergências desse tipo custaram R$ 890 milhões ao SUS entre 2021 e 2025 — cada cirurgia de emergência empurra outros pacientes da fila de espera.
Na avaliação de Marta, a raiz está na jornada exaustiva imposta pelo modelo das plataformas. Ele cita motociclistas que chegam a trabalhar 16 horas por dia para garantir a renda, sem plano de saúde nem amparo, enquanto as empresas retêm parcela expressiva dos ganhos. Entre as propostas estão pontos de apoio para descanso e alimentação — iniciativa que já surge de forma voluntária entre os próprios trabalhadores —, incentivo fiscal para renovação de frotas, plano de saúde coletivo bancado pelas operadoras e contrapartidas à altura do lucro. "Essa exploração já passou dos limites. Uma andorinha só não faz verão", provoca o candidato, convocando a população a ocupar as galerias do Congresso para pressionar pelas mudanças.
A motivação de quem "mergulhou fundo"
Formado em direito e economia pela Universidade Cândido Mendes, com pós-graduação em sociologia política, Marta diz que a empatia pelas categorias que defende vem da própria história: trabalhou como jornaleiro, foi mecânico por gosto, conviveu com o sistema prisional e conheceu de perto as realidades mais duras do estado. Na Polícia Federal, encontrou os valores que diz querer levar para Brasília, sobretudo no combate à corrupção, causa que elege como espelho.
"Pato novo não mergulha fundo, mas eu quero fazer o diferencial. Quero mergulhar fundo nos problemas e nas mazelas desse país", diz o candidato, que concorre pelo Solidariedade com o número 7722. A mensagem é direta: "Não estou aqui para brincar, estou aqui para brigar por você que está me vendo."
Quem é Luis Marta
Luis Carlos Jorge Marta, 54 anos, nasceu e cresceu na zona norte do Rio. Começou a vida profissional como jornaleiro, estudou em escola pública e se formou técnico mecânico industrial antes de cursar direito e economia na Universidade Cândido Mendes e se pós-graduar em sociologia política. Servidor público federal, soma 28 anos de Polícia Federal, onde construiu uma trajetória marcada pela atuação na área de armas e pela aproximação com as guardas municipais — trabalho que lhe rendeu o título carinhoso de "padrinho das guardas". Fora da farda, é reconhecido como protetor dos animais, condecorado com a medalha Francisco de Assis, entusiasta de carros antigos e reflorestador voluntário em Niterói. Candidato a deputado federal pelo Solidariedade, número 7722, apresenta-se como uma voz da segurança pública e das causas sociais do Rio no Congresso.

Por Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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