Prefeito de Crissiumal, Marco Aurélio Nedel alerta da fronteira: Pisos salariais sem fonte de custeio inviabilizam os municípios

Em entrevista ao Jornal da República, o prefeito reeleito do PL, que abre mão do próprio salário de R$ 16 mil, defendeu que a economia, e não a lei, deve definir a remuneração das categorias

O prefeito que não recebe salário

Marco Aurélio Nedel não é um prefeito comum. Auditor fiscal aposentado da Receita Federal, foi reeleito em 2024 como candidato único — feito raro no cenário político brasileiro — com 5.661 votos em Crissiumal, município de 14 mil habitantes na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. E, pela segunda vez consecutiva, abriu mão do salário de aproximadamente R$ 16 mil mensais.

A decisão, amplamente repercutida pelo Correio do Povo e pela ANFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), reflete uma convicção pessoal: por ser servidor público federal aposentado, Nedel entende que acumular a aposentadoria com o salário de chefe do Executivo municipal não seria justo com o contribuinte. O gesto, raro na política brasileira, lhe rendeu respeito dentro e fora do partido.

Crissiumal: a força do agro na fronteira com a Argentina

Localizado a 485 km de Porto Alegre, Crissiumal completa 70 anos de emancipação política e tem na agropecuária sua principal força econômica. O município é a terceira bacia leiteira do estado do Rio Grande do Sul, com produção que oscila entre 40 mil e 100 mil litros de leite por dia, segundo dados da Associação dos Municípios da Região Celeiro (AMUCELEIRO).

Além do leite, a cidade produz tabaco, milho, soja, trigo e aveia — uma diversificação que sustenta a economia local e gera emprego e renda para a população do campo. A posição geográfica, na fronteira seca com a República Argentina, adiciona uma camada estratégica: as oscilações cambiais e as políticas econômicas do país vizinho impactam diretamente o comércio e a produção da região.

O alerta dos pisos salariais sem fonte de custeio

Em Brasília para a XXVII Marcha dos Prefeitos, Nedel foi enfático ao criticar a profusão de projetos de lei que criam pisos salariais para dezenas de categorias profissionais sem indicar a fonte de custeio. Acompanhado da secretária de Educação e da secretária de Assistência Social, ele participou de debates sobre o FUNDEB e as finanças municipais.

"Ouvindo muito atentamente a manifestação do presidente Davi Alcolumbre, do Senado, realmente nos causa muita preocupação o número muito elevado de projetos de lei criando pisos salariais para centenas de categorias", afirmou.

O prefeito fez questão de ressaltar que não é contra a valorização profissional. "Não que essas categorias não mereçam ser valorizadas. Mas, pela minha formação política — sou um prefeito do PL —, nós achamos que a economia é que tem que se encarregar de definir a remuneração pelo talento de cada um, de acordo com a sua formação e especialidade, e não engessar a economia partindo do arcabouço legal a definição de quanto cada um deve perceber."

Para Nedel, o problema central é a ausência de contrapartida financeira. "Se for criado um piso, que se dê a indicação de onde o recurso sairá. Gostei muito da fala do presidente Alcolumbre nessa direção, conclamando seus pares para que repensem, que meditem bem antes de dar sequência nesses projetos."

O custo que sobra para as prefeituras

A preocupação de Nedel reflete uma realidade que atinge milhares de prefeitos brasileiros. Enquanto a União concentra 70% da arrecadação tributária, os municípios — responsáveis por serviços essenciais como saúde básica, educação infantil e assistência social — ficam com apenas 10% do bolo. Cada novo piso aprovado no Congresso representa um custo adicional que as prefeituras precisam cobrir sem receber um centavo a mais de transferência.

"O Brasil real, que é onde as pessoas vivem, vem aqui trazer os seus anseios para que as autoridades constituídas do poder central tomem conhecimento das nossas demandas e daquilo que está dificultando as ações do nosso município", disse o prefeito, resumindo o espírito da Marcha dos Prefeitos.

O gesto que virou marca

Além da pauta municipalista, a trajetória pessoal de Nedel chama a atenção. Formado em Direito, escritor e empreendedor, ele construiu uma carreira sólida como auditor fiscal antes de ingressar na política. Sua decisão de renunciar ao salário — tanto no primeiro mandato (2021-2024) quanto no segundo (2025-2028) — não é um gesto simbólico: é uma convicção de que o serviço público deve ser exercido por vocação, não por interesse financeiro.

Aos 65 anos quando foi eleito pela primeira vez, Nedel comanda Crissiumal com a mão firme de quem conhece a máquina pública por dentro e a realidade do interior por experiência própria. Seu perfil discreto, aliado à gestão fiscal responsável, explica a popularidade que o levou a ser candidato único em uma eleição municipal — algo cada vez mais raro no Brasil polarizado de 2024.

Marco Aurélio Nedel — Prefeito reeleito de Crissiumal (RS) pelo PL para a gestão 2025-2028. Auditor fiscal aposentado da Receita Federal, é formado em Direito, escritor e empreendedor. Foi eleito pela primeira vez em 2020 e reeleito em 2024 como candidato único, obtendo 5.661 votos. Em ambos os mandatos, renunciou integralmente ao salário de aproximadamente R$ 16 mil mensais, por ser servidor público federal aposentado e entender que não deveria acumular os vencimentos. Crissiumal, cidade na fronteira com a Argentina, é a terceira bacia leiteira do Rio Grande do Sul e tem no agronegócio sua principal força econômica. Nedel é casado com Vera, pai de Adriana, Rúbia e Joanna, e mantém uma gestão marcada pelo equilíbrio fiscal e pela defesa do municipalismo.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes: Correio do Povo, ANFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), Folha de S.Paulo (Eleições 2024), TRE-RS (Resultados Eleitorais 2024), AMUCELEIRO (Associação dos Municípios da Região Celeiro), Prefeitura Municipal de Crissiumal, Instagram oficial de Marco Aurélio Nedel.

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Por Jornal da República em 25/06/2026
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