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A maioria das pesquisas mede rejeição com uma pergunta de múltipla resposta (“em quais candidatos você não votaria?”). Isso significa que a mesma pessoa pode rejeitar vários nomes. Por isso, a soma das rejeições costuma ultrapassar 100% e um candidato com 50% de rejeição não está, necessariamente, “rejeitado pela metade do eleitorado”. Em um cenário em que o eleitor médio rejeita três nomes, esse 50% pode esconder uma rejeição bem menor na forma exclusiva (isto é, quando o eleitor rejeita principalmente aquele candidato). Em muitos casos, ele apenas foi marcado junto com outros adversários — especialmente quando está no centro da disputa.
Além disso, grande parte da rejeição é tática: o eleitor rejeita um candidato porque ele ameaça o “seu” lado, e não por um defeito específico. Isso faz a rejeição oscilar com o placar: quando um nome cresce e vira ameaça real, tende a atrair mais rejeição; quando perde força, a rejeição desinfla. Ou seja, rejeição alta frequentemente é sinal de protagonismo e conflito — não de inviabilidade.
Para ler rejeição do jeito certo, é preciso separar seus tipos. A rejeição bruta (múltipla) mostra o nível geral de atrito e polarização. A rejeição exclusiva (ou “principal rejeitado”) indica se o candidato é, de fato, o alvo central do anti-voto. A rejeição dura é a parcela realmente inconvertível, aquela que se mantém mesmo em cenários de segundo turno e escolha forçada. Há também a rejeição tática (de disputa) e a rejeição por ruído/desconhecimento, que podem cair rapidamente quando o candidato ajusta postura, melhora o enquadramento e transmite mais preparo e estabilidade — sem precisar “virar outra pessoa”.
O ponto decisivo é derrubar a mística: rejeição alta não tira ninguém automaticamente da competição. Candidato ganha com base consolidada, conversão na reta final e comparação no segundo turno. Se a rejeição for principalmente múltipla, tática e elástica, ela é custo do protagonismo — não atestado de derrota. O que define se a rejeição é um problema real é a combinação entre rejeição exclusiva alta, intensidade elevada e rigidez no segundo turno. Fora disso, rejeição é dado para orientar estratégia, não para decretar fim de candidatura.
E tem uma provocação verdadeira no fim: se eu fosse candidato, me preocuparia se não tivesse rejeição nenhuma. Em eleição majoritária, ausência total de rejeição costuma significar ausência de relevância — o famoso “zero à esquerda”!!!
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