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Por Cleber Lourenço via ICL
A íntegra do voto do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela detalhes das descobertas da Polícia Federal sobre a existência de uma estrutura paralela de monitoramento e intimidação ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O documento integra o julgamento que analisa a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro, determinada no âmbito da Operação Compliance Zero. Mendonça votou pela manutenção da medida.
A votação ocorre no plenário virtual do STF, iniciada às 11h desta sexta?feira, com previsão de término no próximo dia 20.
No voto, o ministro reproduz diversos elementos da investigação conduzida pela Polícia Federal que apontam a atuação de um grupo identificado nas mensagens como “A Turma“, descrito como uma estrutura responsável por monitoramento de pessoas, coleta de informações e ações de intimidação.
Segundo Mendonça, os elementos reunidos pela Polícia Federal indicam a existência de uma organização estruturada voltada a pressionar pessoas consideradas adversárias.
“Por meio de um conjunto de indivíduos coordenados para executar atividades de monitoramento, levantamento de informações e intimidação.”
O trecho reproduzido no voto descreve o funcionamento da estrutura apontada pelos investigadores.
Ameaça de morte contra funcionário e família
Um dos episódios mais graves descritos no voto envolve um ex?funcionário ligado ao empresário. O relato consta dos autos da investigação e foi reproduzido pelo ministro.
Segundo o depoimento, o homem afirmou ter sido procurado por sete integrantes do grupo, que ele descreveu como “milicianos”.
No voto, Mendonça reproduz o seguinte trecho da investigação:
“A ‘Turma’ procurou o ex?funcionário para lhe coagir, ameaçando de morte não apenas ele, mas também sua família.”
De acordo com o depoimento registrado no processo, os homens teriam cercado o ex?funcionário e feito ameaças diretas, numa tentativa de pressioná?lo por causa de conflitos envolvendo interesses ligados ao empresário.
A Polícia Federal registra ainda que o homem relatou ter sido abordado por sete integrantes da estrutura, o que reforça a hipótese de atuação organizada de um grupo dedicado a ações de intimidação.
Mensagens revelam organização do grupo
Nos diálogos recuperados pela Polícia Federal, o grupo aparece repetidamente citado como “A Turma”.
Um dos investigados apontados como operador do grupo é Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que aparece nas mensagens como responsável por coordenar integrantes e administrar pagamentos.
Em um dos diálogos reproduzidos no voto, ele explica como os recursos seriam distribuídos entre os membros da estrutura:
“Ele manda o mensal e eu divido entre a turma… quando vem bônus eu divido entre os meninos.”
Segundo a investigação, os repasses poderiam chegar a cerca de R$ 1 milhão por mês, valor que seria utilizado para custear as atividades do grupo.
O voto também cita mensagens que indicam o levantamento sistemático de informações sobre pessoas consideradas problemáticas para os interesses da organização.
“Tem que levantar tudo dos dois.”
Para os investigadores, esse conjunto de mensagens sugere a existência de uma rede estruturada dedicada ao monitoramento de alvos e à coleta de dados pessoais.
Outro trecho citado pelo ministro aponta a possível participação de integrantes com vínculos institucionais:
“Ainda quanto ao episódio, ressalta?se a identificação de mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Phillipi Mourão, que registram a inclusão até mesmo de policial federal no grupo dos ‘milicianos’, por provocação de Daniel, que teria expressado à Phillipi sua opinião de que ‘polícia às vezes não vai intimidar tanto’.”
Armas apreendidas
O voto também menciona a apreensão de armamentos durante o cumprimento de mandados de busca e prisão.
Segundo os autos citados por Mendonça, agentes da Polícia Federal localizaram diversas armas em endereços ligados a investigados.
Entre os armamentos encontrados estão:
Além das armas, foram apreendidos carregadores e munições de diferentes calibres.
O voto destaca que a presença desse arsenal foi considerada pela investigação como um elemento que reforça a hipótese de existência de um núcleo voltado a ações de coerção.
Integrantes ainda não identificados
Outro ponto destacado no voto é que a investigação considera que a estrutura pode ser maior do que o grupo já identificado.
Segundo os autos mencionados no processo, a chamada “Turma” pode incluir integrantes ainda não identificados, o que indicaria uma rede de monitoramento e intimidação mais ampla.
Sobre isso, Mendonça afirma:
“De acordo com as apurações policiais, a ‘Turma’ pode ser composta por até seis membros, ainda não devidamente identificados. Portanto, a organização ainda se apresenta como uma perigosa ameaça em estado latente, pois conta com integrantes que ainda estão à solta.”
A Polícia Federal sustenta que o avanço das apurações busca justamente identificar esses possíveis participantes e esclarecer a extensão da estrutura.
Esses elementos foram citados por Mendonça ao defender a manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, no julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal.
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