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O deputado federal mais votado do Rio nas eleições de 2026, presidente do PP e líder da federação União Progressista, colocou a bancada da legenda na Câmara e na Alerj à disposição do candidato do PL, tratando a vitória no primeiro turno como fato consumado
O recado que encerra a ambiguidade
A neutralidade oficial durou pouco. O Partido Progressistas, que no auge da campanha desembarcou da chapa de Douglas Ruas, voltou formalmente ao palanque do candidato do PL. Quem selou o movimento foi o homem que concentra os três cargos de maior peso da legenda no estado: Dr. Luizinho, deputado federal mais votado do Rio nas eleições de 2026, presidente do diretório estadual do PP e líder da federação União Progressista na Câmara dos Deputados.
Em entrevista à rádio CBN na manhã desta segunda-feira (5), Luizinho não deixou espaço para meias palavras. Além de colocar toda a estrutura partidária à disposição de Ruas, o parlamentar tratou a disputa pelo Palácio Guanabara como decidida, descartando a hipótese de segundo turno e tomando como dada a anulação dos votos de Anthony Garotinho pela Justiça Eleitoral.
A sentença do presidente do PP
"A eleição está decidida, o ex-governador Garotinho está inelegível. Douglas Ruas é o governador eleito do estado; não teremos segundo turno. A situação dele não cabe recurso, não tem como reverter no TSE, esses votos não serão contados, o Douglas Ruas será o governador e espero que o Douglas possa fazer um bom mandato", afirmou, em tom de quem já projeta a administração que virá.
A declaração foi além da política de bastidor e se tornou um gesto público de adesão. Ao tratar a vitória de Ruas como fato consumado e fazer a defesa da manutenção dos votos do candidato do Republicanos fora da contagem, Luizinho alinhou a federação à tese jurídica dominante no TSE — e deixou claro onde o PP pretende estar quando o novo governador for proclamado.
A bancada à disposição do futuro governo
Na mesma entrevista, o líder da federação tratou de traduzir o apoio em números práticos. "Douglas Ruas vai contar certamente com a bancada do União Progressista na Assembleia Legislativa, e o que a gente puder, em Brasília, vai ajudar o estado do Rio de Janeiro", disse, colocando deputados estaduais e federais da sigla à disposição do futuro governo.
O gesto tem peso concreto: a bancada da União Progressista na Alerj, com o reforço da estrutura do PP e do União Brasil, tende a ser uma das maiores em sustentação a Ruas na nova legislatura. Em Brasília, a força da legenda na Câmara amplia a interlocução do futuro governador com o governo federal e com o Congresso, um ativo estratégico para um estado que enfrenta dívidas e depende de acordos com a União.
Das alianças de fevereiro ao divórcio da campanha
A volta ao barco de Ruas, no entanto, é apenas o último capítulo de uma relação marcada por idas e vindas. Em fevereiro, a aliança parecia sólida: o PP indicou Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, para a vaga de vice-governador na chapa encabeçada por Ruas. A composição, anunciada com pompa, era a expressão do projeto de poder da federação no estado.
Em julho, entretanto, o cenário desmoronou. Lisboa desistiu da disputa pela vice, e o PP, em nota assinada pelo próprio Luizinho, confirmou o desembarque da chapa. Dias depois, a União Brasil anunciou a mesma decisão, e a federação União Progressista formalizou a neutralidade na disputa pelo governo — posição sacramentada em convenção e que valeu para o palanque presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL.
O caminho de Lisboa, do rompimento ao palanque adversário
O rompimento deixou marcas que atravessaram a campanha. Enquanto Luizinho mantinha interlocução com diferentes grupos, inclusive com aliados de Eduardo Paes, Rogério Lisboa foi mais longe: o ex-candidato a vice anunciou apoio ao ex-prefeito do Rio e tornou-se organizador da campanha de Paes em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, reduto histórico do PP no estado.
O resultado do primeiro turno, com Ruas na liderança (49,27% dos votos válidos) e a decisão da Justiça Eleitoral sobre a candidatura de Garotinho, mudou a equação. Com a vitória de Ruas dada como provável, a federação refez as contas e encontrou no futuro governador o ponto de convergência de todas as suas bancadas. A neutralidade, na prática, durou até o resultado das urnas.
O peso de quem fala pelo partido
A declaração de Luizinho não é a opinião de um parlamentar isolado. Natural de Nova Iguaçu, nascido em 1973, ele construiu carreira na Baixada Fluminense antes de chegar à Câmara dos Deputados, onde completará o terceiro mandato consecutivo. Ex-secretário estadual de Saúde, reassumiu o comando da pasta no governo de Cláudio Castro antes de se tornar, em setembro de 2023, líder do PP na Câmara.
Em 2024, consolidou a liderança do partido no estado ao assumir a presidência do diretório regional. Nas eleições de domingo (4), traduziu essa força em votos: 213.904 votos, 2,41% dos válidos, a maior votação nominal do Rio para a Câmara dos Deputados — à frente de todos os concorrentes, com pico expressivo em Nova Iguaçu, onde recebeu 77.048 votos. Quando Luizinho fala, o PP fluminense escuta.
O futuro que o PP já enxerga
Ao colocar a bancada da União Progressista à disposição de Douglas Ruas, o PP sinaliza que pretende ocupar espaço na nova administração. A movimentação, avaliada por analistas como pragmática, reproduz a lógica clássica da política fluminense: quem vence as eleições atrai os partidos que disputaram contra ele. A máxima atribuída a Perón — "si hay gobierno, soy a favor" —, citada nos bastidores, resume a operação matemática da legenda.
Restam, ainda, contas a fechar. A proclamação oficial de Ruas depende da decisão do plenário do TSE sobre a desistência de Garotinho e da contestação apresentada pelo PSOL. Mas, para o PP de Dr. Luizinho, o processo já é página virada: a sigla antecipa o resultado e se posiciona onde sempre esteve — no governo, ao lado do vencedor.
Luiz Antonio de Souza Teixeira Júnior, o Dr. Luizinho, nasceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 15 de dezembro de 1973, e construiu ali a base de uma das trajetórias mais sólidas da política fluminense contemporânea. Médico de formação, iniciou a vida pública na gestão municipal de sua cidade natal, onde atuou à frente da secretaria de Saúde, antes de se projetar no cenário estadual. Foi secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, cargo que reassumiu no governo de Cláudio Castro, e acumula três mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, onde preside a Comissão da PEC dos Agentes de Saúde e de Combate às Endemias. Líder do PP na Câmara desde setembro de 2023 e presidente do diretório estadual da legenda, tornou-se nas eleições de 2026 o deputado federal mais votado do estado, com 213.904 votos — a maior votação nominal do Rio, com pico de 77 mil votos em Nova Iguaçu. Reconhecido pela articulação política e pela defesa das pautas da saúde pública, é hoje uma das principais pontes entre o Rio de Janeiro e Brasília, e um dos nomes centrais na arquitetura de sustentação do futuro governo do estado.
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