Talita Galhardo: 'Eu Avisei o Prefeito' sobre Fracasso da Guarda Armada'

Vereadora Previu Obstáculos da PF e Agora Cobra Eduardo Paes

Vereadora Talita Galhardo critica obstáculos da Polícia Federal durante entrevista no Carnaval 2026 e prevê fracasso do projeto de Eduardo Paes

A vereadora Talita Galhardo fez duras críticas à burocracia que tem impedido a efetivação do armamento da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, durante entrevista exclusiva concedida no Camarote Favela, na Marquês de Sapucaí, durante o Carnaval de 2026. A parlamentar, que integra a Comissão de Segurança da Câmara Municipal, alertou que a Polícia Federal está criando obstáculos intransponíveis para a implementação da medida, confirmando suas previsões sobre os problemas com contratos temporários.

Segurança como Prioridade no Carnaval

Durante a entrevista ao Jornal da República, Galhardo enfatizou que a segurança se tornou a principal demanda dos foliões. "É o tema número um quando você pergunta o que você quer no carnaval. Além do samba, além da alegria, as pessoas falam segurança", declarou a vereadora, que percorreu a estrutura de segurança do evento acompanhada do Coronel Menezes.

A parlamentar fez uma distinção clara entre a segurança dentro do Sambódromo e no entorno da Sapucaí. Segundo ela, enquanto o interior do complexo carnavalesco é um "lugar controlado e mais tranquilo", as áreas circundantes enfrentam desafios significativos. "O efetivo, lógico, perto da quantidade de vagabundo que a gente tem, é uma coisa absurda", afirmou, defendendo uma postura mais rigorosa no combate ao crime.

"Eu Avisei o Prefeito": Críticas aos Contratos Temporários

A vereadora revelou que alertou previamente o prefeito Eduardo Paes sobre os problemas que surgiriam com a estratégia adotada. "Eu avisei o prefeito, foram duas votações para mudar a lei orgânica do município, que é a Constituição do município. A guarda passou a ser armada, votei a favor", explicou Galhardo.

No entanto, a parlamentar foi categórica ao criticar o Projeto de Lei Complementar (PLC) do prefeito: "Eu votei contra, porque tinha alguns pontos que eu não concordava e eu estudei também vendo a constitucionalidade". Sua principal objeção estava relacionada à contratação de agentes temporários, questão que agora se confirma como o principal obstáculo junto à Polícia Federal.

Previsão Confirmada sobre Obstáculos Federais

"E agora a Polícia Federal deu, bateu de frente justamente com a questão dos temporários, que eu fui completamente contra desde lá de trás", declarou Galhardo, demonstrando que suas preocupações se materializaram. A vereadora argumentou que o município já possui "uma guarda municipal concursada" e que seria mais adequado realizar novos concursos específicos.

A parlamentar questionou a lógica dos contratos temporários: "A Polícia Federal não vai dar essa brecha de armar temporários, porque o cara vai ser armado por um ano, depois prorrogável por mais cinco e aí depois ele vai fazer o quê? Vai arrumar um salário de R$ 10.000 aonde para usar uma arma".

Ceticismo sobre Cronograma do Prefeito

Embora Eduardo Paes tenha prometido que a Guarda Municipal armada estaria operacional em março de 2026, Galhardo demonstrou ceticismo: "O prefeito falou que a gente vai ter arma na guarda em março, mas não sei se a burocracia vai conseguir ser suficiente até lá. Eu acredito que essa questão da Polícia Federal vai frear um pouco".

Contexto Atual da Negativa Federal

As previsões de Galhardo se confirmaram com a negativa formal da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro ao pedido de reconsideração para autorizar o porte de armas da Guarda Municipal. O processo administrativo SEI 08455008751202502 documenta oficialmente o indeferimento, criando obstáculos legais que podem gerar responsabilização administrativa e criminal.

Investimentos em Risco

A Prefeitura do Rio já investiu cerca de R$ 960 mil na aquisição de 1.500 pistolas Glock, munições e no aluguel de viaturas para equipar os 600 agentes da Força Municipal. Esses recursos podem ser perdidos caso o projeto não seja viabilizado, confirmando os temores expressos pela vereadora.

Posicionamento Político da Parlamentar

Durante a entrevista, Galhardo se posicionou como "pró polícia, pró guarda, pró segurança pública", defendendo que o momento exige medidas radicais para enfrentar a criminalidade. "Entre a crítica e o povo pedindo, acho que o povo prevalece", afirmou, reconhecendo que sua postura rigorosa gera controvérsias.

Apelo por Segurança e Ordem

A vereadora concluiu sua participação no Carnaval com um apelo direto: "Por favor, pelo amor de Deus, acabar com essa vagabundagem e ter muita alegria", sintetizando o desejo de um evento seguro para todos os cidadãos cariocas.

Análise Técnica da Situação

A posição de Galhardo reflete conhecimento técnico sobre os trâmites legais necessários para implementação de forças municipais armadas. Sua oposição aos contratos temporários se baseia em questões constitucionais e práticas que agora se mostram fundamentadas, considerando a resistência da Polícia Federal.

Impactos Políticos para Eduardo Paes

As críticas da vereadora expõem as dificuldades políticas enfrentadas por Eduardo Paes, que agora deve buscar alternativas políticas junto ao presidente Lula, incluindo possíveis contrapartidas eleitorais para viabilizar seu principal projeto de segurança pública.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber, @robsontalber 

Repórter Antonio Lemos @djportugues

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Por Jornal da República em 16/02/2026
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