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Com base na transcrição e no texto da CBN, e após verificar os fatos com fontes reais e atualizadas (G1, Agência Brasil, BBC, O Globo, Poder360, Valor, Times Brasil/CNBC), segue a matéria no estilo do Jornal Nacional, seguindo exatamente o seu padrão de produção.
Entre renúncia, prisões de deputados e um bilionário escândalo na previdência, o Palácio Guanabara segue sob comando interino do Tribunal de Justiça enquanto o Supremo adia a decisão sobre o futuro do estado
O Rio de Janeiro chegou, nesta quarta-feira (23), a seis meses sem governador eleito, no período de maior instabilidade institucional já registrado na história do estado. A crise começou em 23 de março, quando Cláudio Castro renunciou ao cargo na véspera da retomada do julgamento que levou o Tribunal Superior Eleitoral a declarar sua inelegibilidade. Sem vice-governador e com o presidente da Assembleia Legislativa também fora da linha sucessória, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, assumiu interinamente o Palácio Guanabara.
Desde então, o destino do governo fluminense ficou nas mãos do Supremo Tribunal Federal. Diante da instabilidade vivida pela própria Corte e da proximidade das eleições, o caso não tem data para voltar a ser analisado. O vácuo de poder, porém, é apenas o capítulo mais visível de uma sequência de escândalos que atingiu em cheio a política do estado.
A renúncia que abriu a crise
A saída de Cláudio Castro não foi casual. O ex-governador, do PL, renunciou na noite de segunda-feira, 23 de março, um dia antes de o TSE retomar o julgamento que poderia torná-lo inelegível. A decisão abriu uma sucessão complexa: como o cargo de vice-governador também estava vago, a linha sucessória recaiu sobre o presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador Ricardo Couto, de 61 anos.
A Constituição estadual previa que o governador em exercício convocasse uma eleição indireta em até 48 horas. Esse caminho, porém, foi travado por disputas jurídicas sobre a forma de escolha do novo chefe do Executivo. O impasse transformou o Rio em um caso único no país, com o comando do estado exercido por um magistrado enquanto a política tenta reorganizar as forças.
A Assembleia na rota das investigações
A crise, no entanto, não nasceu na renúncia. Ela se construiu ao longo de anos de investigações que atingiram o Legislativo fluminense. Um dos primeiros episódios ocorreu ainda em 2023, quando a Polícia Federal apontou que a deputada estadual Lucinha, do PSD, teria atuado como lobista em benefício de milicianos. A parlamentar foi condenada à prisão em regime semiaberto, mas manteve o cargo após o arquivamento do processo na Alerj.
Entre 2025 e 2026, em um intervalo de seis meses, a Assembleia viu três de seus deputados serem presos em diferentes investigações. Em maio deste ano, Thiago Rangel, do Avante, foi detido pela PF por suspeita de fraude na área da Educação. Em setembro de 2025, TH Joias foi preso por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
O efeito dominó que mudou o jogo
O caso mais grave veio em dezembro de 2025, quando a queda de um personagem provocaria um efeito dominó e mudaria o destino da política fluminense. Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, foi preso após vazar a operação policial que mirava TH Joias. As acusações eram mais graves: Bacellar, que presidia o Legislativo e seria o sucessor natural ao governo, seria um braço político do Comando Vermelho na política do estado.
Em fevereiro de 2026, a PF indiciou Bacellar e outras quatro pessoas por vazamento de dados para a facção, apontando a existência de um "estado paralelo" no Rio. Em agosto, a Primeira Turma do STF, por unanimidade, recebeu a denúncia e tornou réu o ex-presidente da Alerj. Ele chegou a ser transferido para a penitenciária federal de Brasília por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
Uma lista de 61 nomes e R$ 20 milhões
A Alerj ficou quatro meses sem um presidente eleito. Parlamentares seguraram ao máximo a cadeira de Bacellar na expectativa de que ele revertesse a derrota, o que não ocorreu. Somente em abril a Casa elegeu um novo presidente, Douglas Ruas, do PL, que mirava assumir o governo interino após a renúncia de Cláudio Castro. O plano, porém, foi barrado pelo Supremo, que passou a discutir se a eleição para o cargo vago deveria ser direta ou indireta.
Nas discussões, o ministro Gilmar Mendes acusou deputados do Rio de receber propina do crime organizado. Em julho, uma lista encontrada pela Polícia Federal na mesa de cabeceira do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, reuniu os nomes de 61 políticos do Rio de Janeiro, com valores que, somados, ultrapassam R$ 20 milhões. Os nomes não foram revelados.
O bilionário escândalo da previdência
Quando parecia que a crise já havia atingido o limite, surgiu um novo capítulo: os investimentos do Rioprevidência no Banco Master. A denúncia inicial foi feita pelo deputado estadual Luiz Paulo, do PSD. O Rio descobriu que um esquema bilionário colocou em risco os investimentos de mais de 200 mil aposentados e pensionistas estaduais.
A investigação da Polícia Federal apontou aportes de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master, de Daniel Vorcaro. A quebra de sigilo do celular do banqueiro revelou indícios de relação próxima entre ele e o ex-governador. As apurações identificaram encontros e trocas de mensagens entre Cláudio Castro e Vorcaro que antecederam os investimentos, além de mudanças estratégicas na diretoria do fundo para viabilizar as aplicações.
O alvo na mira da Operação Compliance Zero
Cláudio Castro se tornou alvo da Polícia Federal no caso Master e também no escândalo da Refit, que mostrou um gabinete montado para favorecer o empresário foragido Ricardo Magro em um calote fiscal milionário aos cofres do Rio. Em maio, a PF deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, cumprindo mandados de busca e apreensão no Rio e no Distrito Federal contra o ex-governador.
Em setembro, o ministro André Mendonça, do STF, manteve sob sigilo parte da investigação que envolve Cláudio Castro e negou um novo pedido de busca da Polícia Federal. O ex-governador sempre negou todas as acusações. Ainda assim, o caso expôs a fragilidade de um sistema de previdência que, segundo a própria PF, fez aplicações "em desconformidade" com normas regulatórias e alinhadas aos interesses do banco.
O cenário à frente
O Rio de Janeiro chega às eleições de outubro sem saber quem comandará o estado a partir do próximo ano. O caso segue nas mãos do Supremo, sem data para julgamento, enquanto Ricardo Couto mantém o comando interino do Palácio Guanabara. Para os analistas, a crise institucional fluminense tornou-se um teste para o sistema político brasileiro, que acompanha de perto a capacidade das instituições de responder a uma sucessão de escândalos sem precedentes.
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Observação: como este conteúdo não envolve uma entrevista com uma pessoa específica — trata-se de uma cobertura de crise institucional —, não incluí a bio positiva ao final, conforme seu padrão habitual. Se preferir, posso adicionar uma nota biográfica sobre Ricardo Couto (governador interino) ou sobre Cláudio Castro, com base em pesquisa.
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