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O advogado Victor Rosa Travancas de Mendonça, Mestre e Doutor em Direito Constitucional e ex-ocupante de cargos de alto escalão na estrutura da Ordem dos Advogados do Brasil, divulgou nesta quinta-feira (21) um manifesto público em que anuncia três decisões de peso que ecoam no tabuleiro político e institucional fluminense: não disputará cargo eletivo em 2026; declara apoio formal à pré-candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) ao Palácio Guanabara e à reeleição do deputado federal Roberto Monteiro (PL) ; e, tão logo encerrado o período eleitoral, requererá o cancelamento de sua inscrição nos quadros da OAB — entidade onde serviu por duas décadas e da qual agora faz críticas frontais.
O documento, redigido em tom solene e com densidade de fundamentos constitucionais, chega em um momento de alta voltagem no cenário político do Rio. Travancas estivera até março deste ano na Secretaria da Casa Civil do governo Cláudio Castro (PL), de onde foi exonerado após afirmar, em entrevista ao podcast Pode, Garotinho?, que o "Palácio Guanabara é o gabinete do crime organizado no Rio de Janeiro" — declaração que gerou ampla repercussão e, segundo ele próprio, resultou em intimação policial.
Do governo à trincheira: a trajetória de um jurista
Advogado inscrito sob a OAB/RJ 155.215, Victor Travancas construiu carreira híbrida entre a academia, o serviço público e a estrutura institucional da Ordem. Foi Assessor Especial e Diretor de Relações Institucionais da Presidência da OAB durante a gestão de Felipe Santa Cruz; exerceu mandato como Delegado Especial para missões institucionais na presidência de Wadih Damous; e presidiu comissões temáticas no Conselho Federal. No currículo acadêmico, ostenta os títulos de Mestre e Doutor em Direito Constitucional pela Universidade Estácio de Sá, além de especializações em Ciências Criminais.
Pelo lado do Executivo, foi nomeado Subsecretário do Gabinete do Governador ainda em 2024 e, posteriormente, assessor da Casa Civil — cargo do qual foi exonerado após a entrevista explosiva de março.
A tríade do manifesto
Dimensão Decisão Fundamentos
OAB: a ruptura com a "trincheira"
O trecho mais contundente do manifesto é dedicado à Ordem dos Advogados do Brasil. Travancas não poupa a atual administração — que, sob a presidência de Beto Simonetti (gestão 2022-2025, reeleita para o triênio 2025-2028), atravessa turbulências institucionais e críticas de setores da advocacia quanto ao posicionamento político da entidade.
"A OAB que aprendi a respeitar era uma trincheira da cidadania, da independência e da defesa intransigente das prerrogativas da advocacia. A instituição que hoje observo já não corresponde aos mesmos valores que motivaram minha dedicação ao longo de tantos anos."
O jurista invoca o princípio da data maxima venia ("com a devida vênia") para justificar a incompatibilidade entre sua visão do papel constitucional da Ordem — como entidade fiscalizadora e independente, nos termos do art. 44 do Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94) — e aquilo que classifica como os rumos adotados pela gestão atual.
Análise jurídica: O cancelamento da inscrição de advogado nos quadros da OAB é medida prevista no art. 12 do EAOAB, podendo ocorrer a pedido do interessado, desde que quite com a anuidade e sem pendências disciplinares. O efeito prático é o fechamento definitivo da possibilidade de exercício profissional da advocacia — medida de caráter irreversível que Travancas explicita no manifesto.
"Princípios não se aposentam"
O manifesto se encerra com a afirmação de que o autor continuará atuando como jurista, professor e constitucionalista — sem submissão a "grupos, interesses ou conveniências". O arremate é a frase que sintetiza o espírito do documento: "Homens livres não negociam princípios. E princípios não se aposentam."
No tabuleiro eleitoral de 2026, o gesto de Travancas soma-se a um movimento mais amplo de aproximação entre setores da academia jurídica e a pré-campanha de Garotinho, que — aos 66 anos e filiado ao Republicanos — busca voltar ao Palácio Guanabara 24 anos depois de ali ter governado. Com 8% das intenções de voto registradas em pesquisa de março (Poder360), Garotinho empata tecnicamente em segundo lugar com outros postulantes, atrás do prefeito Eduardo Paes (PSD).
Já Roberto Monteiro (PL-RJ), pai do ex-vereador Gabriel Monteiro, cumpre seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e aposta na reeleição embalado pela máquina partidária e pelo eleitorado conservador fluminense.
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