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Somente nos últimos dez dias, diferentes tipos de afogamento registrados em várias regiões do país chamaram a atenção para um problema que ainda faz milhares de vítimas todos os anos no Brasil. Os casos envolveram ambientes distintos, mostrando que o risco está presente desde dentro de casa até rios, poços, piscinas e praias.
Em Várzea Grande (MT), um bebê de apenas um ano morreu após cair em um balde com água dentro da residência. No Distrito Federal, um jovem perdeu a vida em uma área de águas interiores no Núcleo Rural Alagados, no Gama. Em Palmas (TO), um adolescente de 17 anos morreu após saltar em um poço profundo sem saber nadar. Já em Arraial do Cabo (RJ), um turista uruguaio morreu afogado em uma praia sinalizada com bandeira vermelha, que indicava alto risco para banho.
Outros dois casos envolvendo piscinas também causaram grande comoção. Em Porto dos Gaúchos (MT), Sofia Emanueli Gonçalves de Oliveira, de 8 anos, morreu após ter os cabelos sugados pelo sistema de sucção da piscina da residência da família. A criança chegou a ser socorrida e submetida a manobras de reanimação, mas não resistiu após sucessivas paradas cardiorrespiratórias. Na Paraíba, uma criança de apenas 3 anos morreu afogada na piscina de um condomínio resort no município de Pitimbu, no Litoral Sul do estado.
Os episódios refletem uma realidade preocupante. Segundo um levantamento da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA), cerca de 5.742 pessoas morrem afogadas por ano no Brasil, o equivalente a uma morte a cada 90 minutos. O afogamento é a segunda principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos, e quatro crianças morrem afogadas diariamente no país.
Os dados mostram ainda que 52% das mortes de crianças de até 9 anos acontecem em residências, enquanto 66% dos óbitos em geral ocorrem em rios, lagos e represas. Entre as vítimas, os homens morrem seis vezes mais que as mulheres, e 41% das mortes acontecem antes dos 29 anos.
Diante desse cenário, a SOBRASA está mobilizando instituições e a sociedade para o Dia Mundial da Prevenção do Afogamento, celebrado em 25 de julho e instituído pela ONU.
A campanha contará com três grandes ações nacionais: o movimento "Go Blue – Vista-se de Azul", com iluminação de monumentos e prédios públicos; o programa "Celebrando sua Cidade", com atividades educativas e cursos de emergências aquáticas; e o desafio esportivo "Dando a Volta no Planeta Azul", que reunirá praticantes de esportes aquáticos de todo o país.
"A cada caso noticiado, famílias são devastadas por uma tragédia que poderia ser evitada. Os afogamentos acontecem em locais muito diferentes, como baldes, piscinas, rios, poços e praias, o que demonstra que qualquer ambiente com água exige atenção e medidas de segurança. A maioria dessas ocorrências está relacionada à falta de supervisão adequada, barreiras de proteção e conhecimento sobre os riscos. O Dia Mundial da Prevenção do Afogamento é uma oportunidade para transformar informação em atitude e salvar vidas", destaca o secretário-geral da SOBRASA, Dr. David Szpilman.
Ainda como parte das ações do Dia Mundial de Prevenção do Afogamento, a SOBRASA realizará, simultaneamente em diversas cidades brasileiras, o Workshop de Emergências Aquáticas, voltado para praticantes de esportes e atividades realizadas em ambientes aquáticos.
A iniciativa tem como público-alvo nadadores de águas abertas, surfistas, praticantes de stand up paddle (SUP), kitesurf, canoa, remo e demais modalidades desenvolvidas em rios, lagos e no mar. O objetivo é orientar os participantes sobre prevenção de acidentes, reconhecimento de situações de risco e procedimentos seguros diante de emergências aquáticas.
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