Aldo Rebelo deixa o Democracia Cristã e assume comando político da campanha de Caiado

Após expulsão e liminar, Rebelo desfila do DC e reforça a equipe do governador de Goiás

Aldo Rebelo deixa o Democracia Cristã e assume comando político da campanha de Caiado

Ex-ministro encerra relação com a legenda após embate com a cúpula e se dedica integralmente à articulação da candidatura do governador de Goiás ao Palácio do Planalto

O ex-ministro Aldo Rebelo comunicou nesta sexta-feira (31) à Executiva Nacional do Democracia Cristã (DC) sua desfiliação da legenda, formalizando o rompimento definitivo com o partido poucos dias depois de assumir a coordenação política da campanha presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), nas eleições de 2026. A decisão encerra uma passagem marcada por intensos conflitos internos e por uma disputa judicial que se arrastou por meses. Com a saída, Rebelo passa a se dedicar integralmente à articulação da candidatura do governador goiano, em uma das funções mais estratégicas da disputa ao Palácio do Planalto.

Crise interna no partido

Filiado ao DC com a intenção de disputar a Presidência da República, Rebelo viu seus planos serem interrompidos quando a direção nacional decidiu substituí-lo pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, como nome da legenda para a corrida presidencial. A troca desencadeou um embate aberto entre o ex-ministro e a cúpula do partido. Rebelo criticou publicamente a decisão e classificou a candidatura de Barbosa como uma "afronta", enquanto a legenda alegou que suas declarações eram incompatíveis com os princípios da sigla.

O partido abriu, então, um processo disciplinar que culminou em sua expulsão, oficializada pela Justiça Eleitoral em maio. A decisão, porém, foi contestada por Rebelo, que obteve posteriormente uma liminar da Justiça do Distrito Federal suspendendo a expulsão e determinando sua reintegração ao partido, sob o entendimento de que não havia sido garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa. A batalha judicial, no entanto, não reverteu o desgaste político acumulado.

Novo papel na campanha de Caiado

Agora, ao comunicar oficialmente sua desfiliação, Aldo Rebelo encerra definitivamente sua relação com o Democracia Cristã e assume a coordenação política da campanha de Ronaldo Caiado. O convite partiu do próprio governador e do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que compõe a chapa como candidato a vice-presidente. O anúncio foi feito em reunião em São Paulo, com a presença do ex-senador Heráclito Fortes, e Rebelo participou da convenção nacional do partido no último domingo (26).

Como coordenador político, Rebelo será responsável pela articulação com lideranças partidárias, movimentos e aliados, em uma das principais funções estratégicas da candidatura. Segundo a equipe de Caiado, a escolha busca ampliar o diálogo com diferentes segmentos da sociedade e fortalecer a construção de alianças para a disputa presidencial. A chegada do ex-ministro reforça a estratégia do PSD de consolidar um arco de apoios amplo, em um cenário eleitoral marcado pela polarização.

Um nome de trajetória longa na política brasileira

Aldo Rebelo não é um nome novo no tabuleiro político nacional. Nascido em Alagoas, aos 69 anos, é jornalista e foi deputado federal por seis mandatos consecutivos por São Paulo, tendo presidido a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. Sua formação política nasceu na esquerda, como militante da Ação Popular, um dos principais grupos de resistência à ditadura militar, e no movimento estudantil, tendo presidido a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Ao longo da carreira, Rebelo ocupou quatro ministérios: Esporte (2011-2014), Ciência, Tecnologia e Inovação (2015), Defesa (2015-2016) e a Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais (2004-2005). Foi ainda relator do Código Florestal entre 2009 e 2010. Filiado ao PCdoB por décadas, migrou de legenda ao longo dos anos, e sua trajetória recente o aproximou de setores do campo conservador, chegando a atuar como testemunha de defesa de investigados nos atos de 8 de janeiro.

O que está em jogo na corrida presidencial

A ida de Rebelo para a equipe de Caiado ocorre em um momento decisivo da campanha. Na convenção do último domingo, o PSD oficializou a candidatura do governador de Goiás, apresentando-o como o nome capaz de enfrentar o presidente Lula e criticando o ex-presidente Jair Bolsonaro. O partido buscou demonstrar união em torno da chapa, que tem Kassab como vice, e projetar Caiado como alternativa viável no campo da oposição.

A articulação política comandada por Rebelo será testada na construção de alianças com o chamado centrão e com diferentes setores partidários, em um esforço para ampliar o tempo de rádio e televisão e consolidar palanques estaduais. A experiência do ex-ministro, que transitou por governos de diferentes matizes ideológicas, é vista pela campanha como um trunfo para navegar em um cenário político fragmentado e competitivo.

Bio — Aldo Rebelo

Jornalista e político alagoano de 69 anos, Aldo Rebelo construiu uma das trajetórias mais longas da política brasileira. Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e deputado federal por seis mandatos consecutivos, tendo presidido a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. Ao longo da carreira, ocupou quatro ministérios — Esporte, Ciência e Tecnologia, Defesa e Relações Institucionais — e foi relator do Código Florestal. Autor de livros sobre a Amazônia e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), Rebelo é reconhecido pela vasta experiência em articulação política e pela capacidade de diálogo com diferentes setores, agora a serviço da candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República.

Fontes consultadas: G1, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, Jota, CartaCapital, Congresso em Foco, Infomoney, Portal da Câmara dos Deputados e CEBRI.

Por Jornal da República em 01/08/2026
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