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O “efeito Travancas”? Ex-governador perde terreno justamente depois que o seu ex-advogado pediu sua inelegibilidade
RIO — A política fluminense acaba de ganhar uma daquelas coincidências que fazem Brasília e o Palácio Guanabara pararem para olhar duas vezes para os números. Depois que o advogado Victor Travancas deixou a defesa de Anthony Garotinho, o ex-governador aparece em trajetória de queda nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Rio de Janeiro. Os números de agosto colocam Garotinho na casa dos 9%, com levantamentos recentes registrando desempenhos entre 7% e 11,6%.
A comparação entre as pesquisas mais recentes revela uma perda média de aproximadamente 1,2 ponto percentual nos levantamentos que permitem comparação com as rodadas anteriores. Na Quaest, o tombo foi ainda mais expressivo: Garotinho teria passado de 10% para 7%, uma queda de três pontos. Na Prefab Future, recuou de 10,8% para 9,5%. A Paraná Pesquisas apresentou uma exceção, registrando pequena alta, de 11% para 11,6%.
E é justamente aí que surge a pergunta que já começa a circular nos bastidores políticos do Rio: seria coincidência a queda acontecer depois que Travancas pediu sua inelegibilidade na Justiça Eleitoral?
Travancas, que construiu nos últimos meses uma imagem pública inseparável de sua atuação jurídica e política ao lado de Garotinho, decidiu deixar a defesa do ex-governador. A ruptura encerrou uma parceria que havia colocado o advogado no centro de diversas batalhas judiciais e políticas envolvendo o antigo chefe do Executivo fluminense.
*O ADVOGADO QUE VIROU PERSONAGEM POLÍTICO*
A saída de Travancas não foi apenas uma mudança na equipe jurídica. O advogado havia se tornado uma espécie de personagem paralelo da saga política de Garotinho. Com estilo combativo, formação acadêmica avançada e atuação pública marcada por críticas contundentes, Travancas passou a ocupar espaço próprio no debate político fluminense.
Agora, enquanto Travancas segue seu caminho fora da defesa de Garotinho, os números do ex-governador começam a produzir uma situação desconfortável. A média dos levantamentos mais recentes gira em torno de 9,3%, abaixo dos patamares registrados anteriormente em algumas pesquisas.
Para os adversários, é munição. Para os aliados, apenas uma fotografia momentânea de uma eleição que ainda está longe de ser decidida.
*O “MISTÉRIO TRAVANCAS”*
Naturalmente, ninguém pode afirmar que a saída de um advogado provocou uma queda eleitoral. Mas a política raramente se alimenta apenas de certezas — ela prospera também nas perguntas.
E a pergunta que começa a ganhar força nos corredores políticos é simples:
Travancas saiu da defesa de Garotinho. Depois disso, Garotinho caiu nas pesquisas. Coincidência?
A resposta, por enquanto, pertence aos eleitores.
Uma coisa, entretanto, os números permitem afirmar: Garotinho não está crescendo de forma consistente nas pesquisas de agosto. Ao contrário, considerando os levantamentos comparáveis, a tendência média é negativa.
E, em uma eleição para governador, quando cada ponto percentual vale ouro, 1,2 ponto pode ser muito mais do que apenas uma estatística.
No Rio de Janeiro, o espetáculo eleitoral está apenas começando. E, desta vez, o advogado que deixou o palco pode ter acabado de se tornar um dos personagens mais comentados da temporada.
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