Supersecretaria no Rio: Couto incorpora Energia e Economia do Mar ao Desenvolvimento Econômico e corta 35,5% do quadro

Ricardo Couto mantém Ciência e Tecnologia fundida ao Desenvolvimento Econômico e reordena órgãos como Jucerja e DRM

Supersecretaria no Rio: Couto incorpora Energia e Economia do Mar ao Desenvolvimento Econômico e corta 35,5% do quadro

Reorganização reduz em 30,4% a estrutura da Sedes, corta 35,5% do quadro de pessoal e revisa contratos, em mais uma frente da gestão que assumiu com a meta de cortar R$ 5 bilhões em despesas

O Governo do Estado do Rio de Janeiro anunciou, nesta quinta-feira (27), uma redução de 30,4% na estrutura da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedes-RJ). A reorganização ocorre após a incorporação da antiga Secretaria de Energia e Economia do Mar (Seenemar) e, segundo o Executivo, deverá gerar uma economia de R$ 16,3 milhões por ano aos cofres estaduais.

A nova estrutura foi oficializada por decreto do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto. A medida elimina setores considerados sobrepostos e redimensiona subsecretarias, superintendências, coordenadorias, assessorias e divisões da pasta.

Uma supersecretaria de desenvolvimento

O decreto publicado no Diário Oficial amplia a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que passa a integrar as áreas de desenvolvimento produtivo, energia, economia do mar e inovação tecnológica sob uma única gestão. A nova configuração atua dividida em três eixos estratégicos.

O primeiro eixo reúne Indústria, Comércio e Serviços, com foco na atração de novos investimentos, na qualificação profissional e no fortalecimento da competitividade regional. O segundo concentra Energia e Economia do Mar, abrangendo petróleo, gás natural, biocombustíveis, transição energética e as cadeias naval, portuária e offshore.

O terceiro eixo integra Inovação, Ciência e Tecnologia, conectando a base científica fluminense, as universidades estaduais — como UERJ e UENF —, os órgãos de fomento, como a FAPERJ, e o ecossistema produtivo de startups.

Quadro de pessoal cai 35,5%

Além da redução no número de áreas, a mudança atingiu o quadro de pessoal. Segundo dados divulgados pelo governo estadual, a quantidade de funcionários na estrutura da secretaria foi reduzida em 35,5%, com a manutenção das atividades consideradas finalísticas.

O impacto também aparece na folha de pagamento. O custo mensal passou de R$ 2,08 milhões para R$ 1,43 milhão, uma redução de 30,9%. A diferença representa, de acordo com os cálculos apresentados pelo Executivo, uma economia de aproximadamente R$ 7,7 milhões por ano.

Contratos passam por revisão

Outra frente da reestruturação envolve a revisão dos contratos mantidos pela pasta. A estimativa do governo é economizar R$ 715 mil por mês com essa medida, o equivalente a cerca de R$ 8,5 milhões ao ano.

Somadas, a redução das despesas com pessoal e a revisão contratual sustentam a projeção de economia anual de R$ 16,3 milhões apresentada pelo Executivo.

A incorporação da Seenemar

A incorporação da Secretaria de Energia e Economia do Mar à Desenvolvimento Econômico ocorreu em 22 de julho. A justificativa para a mudança foi aproximar áreas com atividades complementares, diminuir custos operacionais e direcionar mais recursos para políticas de desenvolvimento e atração de investimentos para o Rio de Janeiro.

A reorganização, segundo o texto do decreto, visa eliminar sobreposições de funções e garantir maior sinergia e eficiência aos atos de gestão do Executivo, sem qualquer aumento de despesa pública.

A promessa não cumprida da Ciência e Tecnologia

Com a publicação da nova pasta, fica claro que Ricardo Couto decidiu não recriar a Secretaria de Ciência e Tecnologia, uma promessa feita ao mundo acadêmico no início do mês. Um dia após a pasta ter sido incorporada à estrutura do Desenvolvimento Econômico, pesquisadores, reitores e associações de docentes das universidades protestaram contra o esvaziamento da área.

Uma comissão foi recebida pelo governador. Na saída do encontro, a vereadora Tatiana Roque (PSB) anunciou que o governador prometera recriar a secretaria, após ouvir as críticas da comunidade científica e entender a importância de uma política pública estadual voltada para a ciência e tecnologia.

Ajustes e transferências de órgãos

A reorganização também redefiniu a vinculação de órgãos estaduais estratégicos. A Junta Comercial (Jucerja) passa a ser subordinada à Secretaria de Estado de Fazenda, enquanto o Departamento de Recursos Minerais (DRM) foi transferido para a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Obras Públicas.

Outras entidades, como a Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin), a Agência de Fomento (AgeRio) e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico (Agenersa), permanecem vinculadas à nova estrutura do Desenvolvimento Econômico.

Nova gestão e regimento interno

A Sedes-RJ está sob o comando de Roberto Gomides de Barros Filho, nomeado para o cargo em 6 de agosto. A nova estrutura também deverá ser detalhada no Regimento Interno da secretaria, cuja publicação está prevista para ocorrer em até 30 dias.

O decreto estabelece ainda a transferência automática de bens, acervos documentais e servidores das unidades extintas para as novas áreas sucessoras. A efetividade da mudança e a economia projetada dependerão, a partir de agora, da execução da nova estrutura e da redução efetiva dos gastos anunciados.

Um corte que se soma a uma gestão de enxugamento

A medida integra um conjunto mais amplo de ações da gestão interina de Ricardo Couto, que assumiu o governo em 23 de março de 2026, após a renúncia do então governador Cláudio Castro. Desde então, o desembargador tem conduzido um programa de racionalização da máquina pública, com a meta de cortar ao menos R$ 5 bilhões em despesas e reduzir o número de secretarias de 35 para 23.

O corte de cargos comissionados já gerou economia de R$ 221 milhões, e a estrutura do governo, que tinha 32 secretarias em março, conta hoje com 28 pastas. A reorganização da Sedes-RJ é mais um capítulo desse esforço de enxugamento administrativo.

Biografia de Ricardo Couto

Ricardo Couto de Castro é desembargador, presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) e governador em exercício do Rio de Janeiro desde 23 de março de 2026, quando assumiu o comando do estado após a renúncia do então governador Cláudio Castro. Nascido no Rio de Janeiro em 7 de junho de 1964, formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1987 e é pós-graduado pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Ingressou na magistratura em 1º de setembro de 1992 e foi promovido a desembargador em 14 de fevereiro de 2008, integrando a 4ª Câmara de Direito Público. Professor universitário e coordenador acadêmico de Direito Administrativo da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj), também leciona na Fundação Getulio Vargas. Antes de assumir a presidência do TJRJ, presidiu outras unidades do tribunal. Conhecido como ávido leitor e por se reunir com pares antes de tomar decisões, Couto assumiu a interinidade do governo em um momento delicado, sem vice-governador no estado. Desde então, conduz um programa de racionalização da máquina pública, com a meta de cortar ao menos R$ 5 bilhões em despesas, reduzir o número de secretarias e revisar contratos, em uma gestão marcada pela austeridade e pela busca de eficiência administrativa.

Por Jornal da República em 27/08/2026
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