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Ministradas pelo professor , atividades estimulam a expressão emocional, contribuem para a saúde vocal e auxiliam no fortalecimento da autoconfiança, da cognição e das relações interpessoais
Muito além do aprimoramento da voz, o estudo do canto tem se consolidado como uma ferramenta capaz de promover benefícios emocionais, cognitivos e sociais. Na Escola de Música Santa Cecília, em Petrópolis, as aulas ministradas pelo professor Neilson Pereira reúnem técnica vocal, consciência corporal e interpretação artística em um processo de aprendizagem que busca desenvolver não apenas cantores, mas indivíduos mais seguros, expressivos e conectados consigo mesmos e com o mundo ao redor.
Pesquisas científicas desenvolvidas nas últimas décadas apontam que cantar favorece a liberação de neurotransmissores ligados ao prazer e ao bem-estar, reduz os níveis de estresse, melhora a memória e a capacidade de atenção, além de estimular a socialização e a diminuição da inibição. Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, demonstraram aumento da imunoglobulina A e melhora do estado emocional após sessões de canto coral. Já trabalhos publicados no periódico científico Frontiers in Psychology indicam que a prática regular do canto contribui para o fortalecimento das funções cognitivas, da autoestima e da sensação de pertencimento social.
É justamente essa transformação que o professor Neilson Pereira testemunha diariamente em sala de aula. Natural de Petrópolis, ele descobriu na adolescência a vocação que mudaria os rumos de sua vida profissional e pessoal. Sua trajetória começou ainda na infância, acompanhando o pai, integrante de um grupo de pagode. Posteriormente, a vivência na igreja evangélica despertou um interesse ainda maior pela música, levando-o a aprender, de forma autodidata, bateria, contrabaixo, guitarra, teclado e, finalmente, o canto.
As primeiras referências musicais vieram do universo gospel e do rock cristão, com influências de grupos como Oficina G3 e Fruto Sagrado. Mais tarde, Neilson aproximou-se do rhythm and blues norte-americano, passando a admirar artistas como Kirk Franklin, Fred Hammond e Smokie Norful, além de corais brasileiros dedicados ao gênero.
A decisão de transformar a música em profissão surgiu após deixar o trabalho na área de informática, quando recebeu o incentivo de um amigo que já atuava no ensino do canto. Desde então, passou a reunir os conhecimentos adquiridos em aulas particulares, experiências acadêmicas e vivências musicais para construir uma metodologia própria de ensino.
“A música faz bem tanto para o corpo quanto para a mente. Saber que o meu trabalho pode ajudar as pessoas de alguma forma é o que me motiva. Uma das maiores alegrias desta profissão é perceber a evolução dos alunos e vê-los ganhando confiança, sendo elogiados e descobrindo capacidades que muitas vezes acreditavam não possuir”, afirma Neilson.
A experiência adquirida nos palcos também se tornou um elemento importante em sua prática pedagógica. Segundo o professor, a vivência artística favorece a desenvoltura, auxilia no enfrentamento da timidez e permite que o aluno compreenda a importância da comunicação emocional durante uma apresentação.
“Eu me considerava muito tímido. O canto me proporcionou desenvoltura, amizades e oportunidades que jamais imaginei conquistar. Além do desenvolvimento musical, cantar proporciona uma sensação de liberdade, permitindo expressar sentimentos e trabalhar questões emocionais importantes”, ressalta.
Há aproximadamente três anos integrando a equipe da Escola de Música Santa Cecília, Neilson destaca a organização da instituição como um dos principais diferenciais do trabalho desenvolvido. Em suas aulas, os estudantes têm contato com práticas de relaxamento e alongamento da musculatura extrínseca da laringe, exercícios de aquecimento vocal, técnicas de apoio respiratório, articulação, dicção, interpretação e cuidados com a saúde vocal.
A presidente voluntária da Escola de Música Santa Cecília, Janine Meireles, enfatiza que a proposta pedagógica da instituição busca oferecer acompanhamento individualizado e condições adequadas para o desenvolvimento artístico de cada estudante.
“Nosso compromisso é assegurar um processo educacional organizado, acolhedor e eficiente, em que cada aluno seja acompanhado de maneira personalizada, respeitando suas características, objetivos e tempo de aprendizagem. Acreditamos que a música é uma poderosa ferramenta de transformação humana e social, capaz de despertar talentos, fortalecer vínculos e ampliar horizontes”, declara.
Para Neilson Pereira, a técnica vocal é indispensável, independentemente da experiência prévia do aluno. “O talento é importante, mas a técnica permite compreender o funcionamento do corpo, conhecer os próprios limites e utilizar a voz de maneira saudável. O estudo disciplinado, aliado ao acompanhamento de um professor, ajuda o aluno a desenvolver sua identidade musical e a preservar a saúde vocal”, conclui.
A Escola de Música Santa Cecília oferece aulas de canto para pessoas de diferentes faixas etárias e níveis de experiência, reforçando a ideia de que nunca é tarde para descobrir a própria voz e transformar emoções em expressão artística.
Mais informações podem ser obtidas de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, na sede da Escola de Música Santa Cecília, localizada na Rua General Osório, 192, Centro de Petrópolis, pelo telefone e WhatsApp (24) 2242-2191 ou pelas redes sociais @emusicasantacecilia (Instagram) e @santaceciliapetropolis (Facebook).
SERVIÇO
Escola de Música Santa Cecília
Rua General Osório, 192
(25620-160) Centro, Petrópolis – RJ
Google Maps: https://goo.gl/maps/y3euNmLBzsfcwtXv8
Telefone/ Whatsapp: (24) 2242-2191
Instagram: @emusicasantacecilia (https://www.instagram.com/emusicasantacecilia/)
Facebook: @santaceciliapetropolis (https://www.facebook.com/santaceciliapetropolis)
SOBRE A ESCOLA DE MÚSICA SANTA CECÍLIA
A Escola de Música Santa Cecília, foi fundada em 16 de fevereiro de 1893, pelo professor de música João Paulo Carneiro Pinto, pernambucano talentoso e músico conhecido por sua excelência, atestada por uma das suas premiações, a “Medalha de Ouro” do Conservatório de Música do Rio de Janeiro. O professor, trazido para Petrópolis pela Família do Barão Araujo, que venerava Petrópolis, assim como outras tantas famílias que tinham a cidade como refúgio do calor e dos problemas de saúde que enfrentavam na então capital do Brasil, Rio de Janeiro.
Além disso, com a industrialização, na última década do século XIX, Petrópolis atraiu trabalhadores do exterior, como também de todo país, estabelecendo uma união estreita da cidade com os mineiros imigrantes, através do trem de ferro. A República, recém instaurada, sofria pressões políticas, e a Revolta da Armada contra o governo de Floriano Peixoto feria a paz, estando decidida a mudança da capital do Estado do Rio de Janeiro para Petrópolis. Os verões alegres da cidade, a tranquilidade, o ambiente saudável, a garantia de emprego, tornaram-se atrativos para uma nova população que pouco a pouco integrou-se aos colonos alemães.
Por causa de toda esta ebulição, o músico João Paulo Carneiro Pinto, abandonou a vida carioca, fixou residência em Petrópolis, onde inaugurou um ensino de música para 34 crianças bem dotadas musicalmente e, principalmente, sem recursos, na escola que leva o nome da padroeira da música, Santa Cecília. Passando de um prédio a outro de doações e subvenções do poder público e do empresariado, a Escola foi inicialmente acolhida no Hotel Bragança, que nada cobrava do maestro.
A escola de Paulo Carneiro tornou-se presença obrigatória em toda a vida cultural e festiva de Petrópolis, não só pelo ensino como pela orquestra, participante efetiva de todas as festividades públicas e particulares. A extraordinária e muito respeitada figura do maestro foi presença marcante na vida petropolitana. Ao falecer, a 10 de setembro de 1923, seu último pedido a amigos e devotados auxiliares: Não deixem morrer a minha Escola!
Na manhã de 23 de setembro de 1923 reuniram-se esses amigos com Sanctino Carneiro, filho do maestro, que abriu mão de todos os bens do pai – representados por instrumentos musicais e a própria escola – iniciando a organização da sociedade civil, hoje conhecida como a Escola de Música Santa Cecília.
De prédio em prédio, a sociedade adquiriu, por fim, uma pequenina casa na rua Marechal Deodoro, número 192, esquina da Rua Marechal Deodoro com a Rua General Osorio, onde se instalou com cursos musicais, abrindo seu salão para atividades artísticas em geral, que abrigavam também um cineteatro. Graças a uma campanha sólida de arrecadação junto à população petropolitana, em 1950 o pequeno prédio foi demolido e as obras começaram. Durante o período de construção, a escola funcionou no Palácio de Cristal. Cinco anos depois, em 1955 foram inaugurados o Edifício Paulo Carneiro e o Teatro Santa Cecília, consolidando o sonho do Maestro Paulo Caneiro.
Dentre as centenas de alunos, professores e dirigentes, que passaram por seus bancos escolares e administrativos, destacam-se três notáveis personalidades musicais, todos petropolitanos natos, representantes de três fases da Escola: da primeira (século XIX), a pianista Magdalena Tagliaferro, aluna do maestro Paulo Carneiro; da segunda (primeira metade do século XX), o maestro, pesquisador e compositor César Guerra-Peixe; e da terceira (segunda metade do século XX), o maestro, compositor e pesquisador Ernani Aguiar.
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