Brasil é eliminado pela Noruega, e CBF assina mais um fracasso da Seleção

CBF conduziu o Brasil a mais uma queda com escolhas contestadas e uma Seleção sem identidade

Brasil é eliminado pela Noruega, e CBF assina mais um fracasso da Seleção

O Brasil não foi eliminado apenas pela Noruega. Foi eliminado pela CBF, pela vaidade, pela cartolagem, pela lógica dos empresários, pela Seleção transformada em vitrine e por uma instituição que há décadas trata a camisa mais pesada do futebol mundial como patrimônio privado.

A derrota para a Noruega é vexame esportivo. Mas também é consequência administrativa. O gol de Haaland não nasceu apenas de uma falha de marcação. Nasceu de anos de desordem, de escolhas discutíveis, de convocações cercadas por dúvidas e de interesses que o torcedor nunca consegue enxergar por inteiro. Nasceu também de uma entidade cercada por escândalos, suspeitas e dirigentes que ajudaram a transformar a CBF em sinônimo de poder sem prestação de contas.

A Seleção Brasileira virou um produto milionário com alma burocrática. Tem centro de treinamento, comissão estrangeira caríssima, salários astronômicos, elenco avaliado em fortunas, jogadores tratados como marcas globais e uma estrutura que se vende como excelência. Dentro de campo, porém, entrega medo, confusão, dependência de lampejos individuais e incapacidade crônica de competir quando o jogo exige nervo, organização e grandeza.

Haaland decidiu porque é craque. Mas a Seleção já havia começado a perder antes mesmo de sair do Brasil. As convocações questionáveis não são detalhe lateral do fracasso. São parte central dele. Uma Copa do Mundo não se perde apenas nos 90 minutos. Perde-se quando o elenco é montado sem clareza, quando a lista final parece mais preocupada em acomodar nomes do que em formar um time, quando jogadores em melhor fase ficam pelo caminho e quando o torcedor olha para os titulares, para o banco e para as substituições com a incômoda sensação de que a lógica da escolha não foi apenas esportiva.

O pênalti perdido por Bruno Guimarães virou símbolo. Não por ele sozinho, mas pelo que representa: uma Seleção que chega aos momentos decisivos sem convicção. O Brasil discute quem bate, quem entra, quem sai, quem precisa ser protegido, quem precisa aparecer. Enquanto isso, os adversários jogam.

A CBF, mais uma vez, sobreviverá ao fracasso como se o fracasso fosse dos outros. Cairá equipe técnica, mudarão nomes, virão entrevistas, notas oficiais, promessas de reformulação e discursos sobre “ciclo”. O filme é velho. A estrutura permanece. O problema não é apenas quem está no banco. É quem manda no prédio.

Contratar um técnico italiano multimilionário não resolve uma cultura viciada, assim como importar grife não transforma bagunça em projeto. A Seleção virou um condomínio de interesses: o torcedor entra com a paixão, os jogadores com contratos milionários, empresários com influência, cartolas com poder, e a conta, como sempre, fica para o país que ainda acredita que a camisa amarela pertence ao povo.

A Noruega venceu em campo. A CBF perdeu fora dele muito antes do apito inicial.

O jejum agora ganha proporção histórica. Em 2030, serão 28 anos sem Copa. Quase três décadas desde 2002. Uma geração inteira cresceu ouvindo que o Brasil é o país do futebol, mas viu a Seleção ser tratada como ativo comercial, instrumento político, palco de vaidades e vitrine de negócios.

O Brasil não perdeu só uma vaga nas quartas de final. Perdeu mais uma chance de encarar sua própria decadência.

Por Jornal da República em 06/07/2026
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