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Um teste realizado no Canadá chamou atenção ao tentar reforçar o gelo do Ártico com uma técnica simples. Segundo a Live Science, os primeiros resultados foram positivos, mas ainda longe de indicar uma solução pronta para uso em larga escala.
O ponto central agora é outro: será que isso funciona fora de áreas controladas?
Técnica de geoengenharia busca reforçar o gelo marinho ao congelar água do mar sobre a neve durante o inverno. – Imagem: Wonderful Nature/Shutterstock
Uma ideia simples aplicada ao gelo
A proposta é direta. Bombear água do mar sobre o gelo durante o inverno e deixar que tudo congele novamente, formando uma camada extra. A Live Science explica que o método já aparece em usos práticos em regiões frias, como estradas de gelo e estruturas temporárias.
Esse tipo de intervenção também se encaixa no campo da geoengenharia climática, que tenta encontrar formas de lidar com o aquecimento global. Entre as ideias estudadas estão até técnicas mais controversas, como aerossóis lançados na atmosfera para refletir a luz solar.
Onde o teste foi feito no Ártico
O experimento aconteceu em Cambridge Bay, no Canadá, entre o inverno de 2024 e 2025. A equipe criou áreas de controle e áreas de teste, usando bombas submersíveis de baixo consumo para aplicar água do mar sobre o gelo.
Em alguns pontos, foram adicionados até 20 centímetros de água. Depois disso, tudo congelou novamente, formando novas camadas.
A pergunta era simples: isso muda só a espessura ou também o comportamento do gelo ao longo do tempo?

Pesquisadores observam que o gelo mais espesso reflete mais luz solar e pode derreter mais lentamente no verão. – Imagem: CherylRamalho/Shutterstock
Resultados chamam atenção, mas ainda são locais
As áreas tratadas ficaram até 32 centímetros mais espessas do que as áreas de controle. O número é relevante quando comparado à perda de gelo acumulada no Ártico nas últimas décadas.
Além disso, o gelo refletiu mais luz solar e derreteu mais devagar durante o aquecimento. Quando houve duas aplicações de água, o efeito foi ainda mais forte.
Os pesquisadores explicam o processo de forma direta. “Aplicações práticas incluem a construção de estradas de gelo e a criação de plataformas para exploração de petróleo em alto-mar”.
O grande desafio da escala
É aqui que o problema aparece. Em análises citadas pelo The Guardian, seria necessário um número enorme de bombas para aplicar essa técnica em grandes áreas do Ártico, o que levanta dúvidas sobre viabilidade real.
“É razoável questionar se tal empreendimento é financeiramente viável ou mesmo logisticamente possível”, escreveram pesquisadores em estudos anteriores.
Mesmo assim, os testes continuam. Versões mais recentes ainda não publicadas apontam ganhos maiores, chegando a cerca de 50 centímetros.
Enquanto isso, cientistas estudam o uso de robôs e drones subaquáticos para automatizar parte do processo. O cenário, por ora, segue em aberto — e o gelo do Ártico continua diminuindo ano após ano.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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