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Por Cleber Lourenço
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), além de uma série de requerimentos que ampliam o escopo das investigações conduzidas pelo colegiado.
As medidas foram propostas pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), e incluem a convocação de personagens considerados estratégicos para o avanço das apurações, especialmente no que diz respeito à atuação de estruturas financeiras e à possível conexão entre agentes públicos e organizações criminosas.
Entre os nomes aprovados para prestar depoimento está Renato Dias de Brito Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central. Também foi convocado Yan Felix Hirano, apontado como possível facilitador na fase de inserção de recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
Segundo o relator, as oitivas têm como objetivo esclarecer responsabilidades e identificar eventuais vínculos entre estruturas do Estado e mecanismos de lavagem de dinheiro.
No caso de Ibaneis Rocha, a CPI pretende apurar as circunstâncias em que se desenvolveram relações comerciais entre o escritório de advocacia fundado pelo governador e entidades investigadas pela Polícia Federal. Também estão no escopo questionamentos sobre a extensão do vínculo de Ibaneis com os negócios da banca, os critérios adotados pelo governo do Distrito Federal em decisões relacionadas ao Banco de Brasília (BRB) e as negociações envolvendo o Banco Master.
A comissão ainda busca esclarecer as indicações ao Conselho Fiscal do BRB e a celebração de parceria com o grupo J&F.
Em relação a Cláudio Castro, o foco da CPI é compreender o papel do estado do Rio de Janeiro em dinâmicas mais amplas do crime organizado. Para Alessandro Vieira, o depoimento do governador é relevante para identificar falhas institucionais no combate à lavagem de dinheiro e mapear possíveis pontos de infiltração de organizações criminosas na estrutura estatal.
“Historicamente, o Rio de Janeiro tem sido o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”, afirmou o Alessandro Vieira.
Outro requerimento aprovado solicita à Força Aérea Brasileira (FAB) o envio de registros de planos de voo de aeronaves específicas ao longo de 2025. Foram listados jatos executivos dos modelos Gulfstream G700, Falcon 7X, Gulfstream G550 e Falcon 2000, com prefixos identificados pela comissão.
De acordo com o relator, essas aeronaves pertencem a pessoas investigadas pela CPI e podem ter sido utilizadas para o transporte de indivíduos ligados a estruturas criminosas sob apuração, incluindo conexões com o empresário Daniel Vorcaro, citado no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
A ampliação das medidas indica uma mudança de patamar na atuação da CPI, que passa a avançar sobre fluxos financeiros, deslocamentos e possíveis articulações envolvendo agentes públicos e o sistema bancário.
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