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Garotinho lança pré-campanha no Rio e aponta dedo: delação do Rio Previdência atinge rivais

O ex-governador Anthony Garotinho oficializou nesta quinta-feira o lançamento de sua pré-candidatura ao governo do estado, em evento realizado no Clube Municipal, no Centro do Rio. Acompanhado da ex-prefeita Rosinha Garotinho, o político do Republicanos não poupou alvos e jogou luz sobre o que promete ser o centro de sua campanha: informação.
"Quem bate muito é batedeira de bolo. Eu dou informação", disparou Garotinho, já escaldado pelas críticas de que usaria as redes sociais para ataques pessoais. A frase, em tom de ironia, abriu uma sequência de revelações que dominaram o encontro com a imprensa.
A delação que abala o Palácio Guanabara
O ponto alto da entrevista foi a delação do presidente do Rio Previdência, preso na semana passada. Segundo Garotinho, o delator já entregou nominalmente o governador Cláudio Castro e o ex-secretário Nicola.
"Terminou semana passada a delação do presidente do Rio Previdência. Ele foi preso, está preso. E ele entregou o Cláudio Castro, entregou o Nicola Miccione. O esquema ali era para eles", afirmou, em referência direta ao esquema que teria beneficiado a cúpula do governo estadual.
A declaração acende um alerta no Palácio Guanabara. A delação premiada do presidente do órgão previdenciário — cujo nome não foi revelado por Garotinho — pode se desdobrar em novas investigações e, potencialmente, novas prisões no primeiro escalão do estado.
"Sobre essas pessoas, acho que vão ter problema", completou o ex-governador.
Eduardo Paz e os "amigos em lugares importantes"
Questionado sobre o deputado Eduardo Paz, Garotinho foi cauteloso, mas deixou no ar que o parlamentar não está em situação confortável.
"Esse aí eu prefiro não adiantar. Ele tem amigos em lugares importantes que tentam embarreirar qualquer coisa contra ele, mas a situação dele é boa, não."
A declaração sugere que novas revelações podem surgir nos próximos dias, envolvendo nomes ligados ao núcleo político da Alerj.
A faca no pescoço do Republicanos
Um dos momentos mais aguardados foi quando Garotinho falou sobre a disputa interna no Republicanos com o deputado André Português — de quem, paradoxalmente, foi padrinho de casamento.
"André, meu amigo, nada contra ele. Fui padrinho de casamento dele. O partido vai escolher quem tiver melhor nas pesquisas. Se ele tiver melhor, ele é o candidato."
O tom mudou, porém, ao falar sobre biografia:
"Candidatura é proposta e biografia. Ele pode ter até boas propostas. Eu também tenho boas propostas. A minha biografia é duas vezes prefeito de Campos, a maior cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, governador do estado, secretário de agricultura de Leonel Brizola, secretário de segurança pública, deputado federal mais votado da história do estado do Rio de Janeiro, com quase 700 mil votos, deputado estadual. Essa é a minha biografia."
O recado foi direto: bote as duas biografias na balança e veja o peso.
O fator Rosinha e a força do interior
Ao lado de Garotinho durante todo o evento, a ex-prefeita Rosinha Garotinho foi lembrada como um trunfo político de peso. "Ainda temos um apoio enorme que é a Rosinha", disse, posicionando a ex-governadora como peça central na articulação da pré-campanha.
A presença de Rosinha simboliza a continuidade de um projeto político que já governou o estado e que, nas palavras de Garotinho, "não é baú para guardar segredo", em referência à célebre frase de Silvio Santos que usou durante a entrevista.
O que esperar dos próximos dias
Garotinho sinalizou que novas revelações estão por vir. "Acho que não vai demorar muito não, mas vamos aguardar. Acho que esse ano aí tem mais gente. Tem Eduardo Paz, tem alguma coisa também para falar. Vamos esperar os próximos dias."
O ex-governador aposta na informação como combustível de sua pré-campanha. Se depender das movimentações em curso no Rio Previdência e nas delações que se avizinham, o cenário político fluminense promete dias agitados.
Anthony Garotinho sai do Clube Municipal não apenas como pré-candidato, mas como delator informal de um esquema que, segundo ele, atinge o coração do governo Cláudio Castro. A disputa interna no Republicanos, a sombra das investigações e o peso de uma biografia construída em décadas de vida pública formam o tripé de uma campanha que promete usar a informação como arma principal. Resta saber se o eleitor — e a Justiça — acompanharão o mesmo roteiro.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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