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A Escadaria Selarón, criada pelo artista chileno-brasileiro Jorge Selarón entre 1990 e sua morte, em 2013, recebe em média quatro mil visitantes por dia, segundo dados da Riotur. A proximidade do mural com o monumento havia se tornado motivo de incômodo para guias turísticos e operadores de viagem, que relatavam questionamentos constantes de turistas estrangeiros sobre a homenagem a um suspeito de tráfico de drogas a poucos metros de um dos cartões-postais mais fotografados do Brasil. Para especialistas em turismo ouvidos pelo G1, a convivência entre o patrimônio cultural e a simbologia do crime organizado gerava impacto negativo direto na percepção de segurança da cidade.
O setor de turismo do Rio de Janeiro movimentou R$ 19,4 bilhões em 2024, segundo levantamento da Fecomércio-RJ, com o Centro histórico respondendo por parcela crescente desse fluxo após obras de revitalização da região portuária. A manutenção de símbolos ligados a facções criminosas em áreas de grande circulação turística contraria diretamente os esforços de reposicionamento da imagem da cidade no mercado internacional, segundo análise do Instituto Pereira Passos, think tank ligado à Prefeitura do Rio.
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### O que dizem os especialistas
Para o sociólogo e pesquisador de segurança pública Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, a remoção de murais ligados ao tráfico tem valor simbólico relevante, mas precisa ser acompanhada de políticas de segurança consistentes para produzir efeito real. "Apagar o grafite é um gesto importante do Estado para sinalizar que não tolera a glorificação do crime em espaços públicos. Mas, se a estrutura do tráfico continua operando na mesma esquina, o efeito prático é limitado", afirmou o pesquisador em entrevista ao portal UOL.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro informou, por meio de nota, que as ações de combate ao tráfico na Lapa e na região central são contínuas e que a remoção do mural integra um conjunto mais amplo de medidas de retomada do espaço público pelo poder público. Segundo a pasta, equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar realizam operações periódicas na área com foco no desmantelamento de redes de distribuição de drogas ligadas ao Comando Vermelho.
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### O recado do poder público
A remoção do mural na Lapa é lida por analistas políticos como um recado deliberado do prefeito Eduardo Paes em um momento de pressão crescente da opinião pública sobre a segurança no Centro do Rio. Com as eleições municipais no horizonte e a disputa por narrativas de controle do espaço urbano cada vez mais acirrada, a ação rápida e publicizada nas redes sociais segue uma lógica de comunicação política que busca associar a gestão à ideia de ordem e tolerância zero com o crime organizado.
Para além do cálculo eleitoral, a decisão responde a uma demanda legítima de moradores e comerciantes que convivem há anos com a sensação de abandono estatal na região. O recado, ao menos simbólico, é claro: o espaço público não será cedido à glorificação do crime. O desafio que permanece, porém, é transformar esse gesto em política permanente de segurança, com presença do Estado não apenas nas paredes, mas nas ruas, nas delegacias e nas políticas de prevenção à violência.
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*Fontes: G1 Rio, UOL Notícias, Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Riotur, Fecomércio-RJ, Instituto Pereira Passos, Laboratório de Análise da Violência da Uerj (LAV-Uerj), Portal de Transparência da Prefeitura do Rio de Janeiro.*
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