INTR amplia diálogo institucional com o TRF5 e destaca potencial estratégico dos minerais críticos

INTR amplia diálogo institucional com o TRF5 e destaca potencial estratégico dos minerais críticos

O fortalecimento da governança institucional e o aproveitamento do potencial brasileiro em minerais críticos e estratégicos estiveram no centro da visita do diretor-executivo do Instituto Nacional de Terras Raras (INTR), coronel Augusto César Barbosa Vareda, ao presidente do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), desembargador federal Roberto Machado. Realizado na sede da Corte, no Recife, o encontro integra uma agenda de aproximação com instituições do Judiciário e órgãos de controle, com foco na transparência e na relevância econômica e estratégica do setor mineral brasileiro.

Durante a reunião, Augusto Vareda destacou o papel do Nordeste, especialmente do Ceará, no cenário dos recursos minerais considerados essenciais para o avanço tecnológico e industrial. Entre os exemplos mencionados está o urânio encontrado no município cearense de Santa Quitéria, além de outros minerais de elevado interesse para as cadeias produtivas internacionais. “Queremos valorizar todo esse ecossistema, pois isso envolve a soberania nacional. Porque esses minerais são estratégicos para o mundo inteiro, podendo trazer transferência de tecnologia”, explicou.

 

Minerais críticos tem relevância estratégica para o desenvolvimento do Brasil / Divulgação

A discussão ganha ainda mais relevância diante da crescente demanda internacional por matérias-primas indispensáveis à transição energética, à indústria de alta tecnologia e ao desenvolvimento de setores estratégicos. Vareda ressaltou o posicionamento do Ceará e da Bahia como estados com perspectivas promissoras em áreas como energia, data centers e infraestrutura logística. “Estamos procurando os órgãos de controle para apresentarmos o INTR e falarmos da transparência da gestão Queremos mostrar a importância do instituto, como uma voz do poder público, da iniciativa privada e da sociedade em geral“, afirmou.

Outro eixo defendido pelo INTR é a ampliação do debate sobre a utilização da energia nuclear para atende as necessidades energéticas crescentes do País. A proposta está associada à defesa de um aproveitamento responsável dos recursos naturais. O interesse dos países desenvolvidos pelos minerais críticos brasileiros é uma oportunidade que deve contar com investimentos em conhecimento, inovação e agregação de valor. “Não podemos perder o ciclo de desenvolvimento que a área tem nesse momento, em nível global, a fim de que não nos tornemos apenas meros exportadores de commodities“, completou Augusto Vareda.

Cooperação e segurança nuclear

A agenda institucional do INTR também avança na construção de parcerias voltadas à segurança, à governança e ao desenvolvimento sustentável do setor. Em agosto, o instituto e a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) firmaram um Memorando de Entendimento (MoU) destinado a ampliar a cooperação técnica e institucional entre as duas organizações.

O acordo contempla áreas consideradas fundamentais para o aproveitamento responsável dos recursos minerais brasileiros, como segurança nuclear, proteção radiológica e governança de materiais radioativos de ocorrência natural (NORM). Especialmente, aqueles associados à exploração de minerais estratégicos, incluindo terras raras.

Entre as iniciativas previstas estão o intercâmbio de informações e experiências técnico-científicas; a realização de encontros especializados, seminários e eventos, além do compartilhamento de pesquisas, estudos e boas práticas. O memorando também abre caminho para a identificação de futuros projetos de interesse comum. A aproximação com a ANSN e o TRF5 reforçam a estratégia do INTR de inserir a governança e a transparência no centro das discussões sobre um setor que ganha dimensão geopolítica cada vez maior.

Mais do que ampliar a participação brasileira no mercado internacional de minerais críticos, o desafio apontado pelo instituto é transformar o patrimônio mineral do País em desenvolvimento tecnológico, oportunidades econômicas e fortalecimento da soberania nacional. Isso por meio da transferência tecnológica de países mais avançados, que não dispõem desses mineais em seus territórios

Via O Estado Online

Por Jornal da República em 31/10/2026
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