Irã acusa Trump e aliados de “mentalidade fascista” e cita Hitler

Porta-voz de Teerã rebate falas de Steve Bannon e Lindsey Graham sobre "refazer conquistas de Alexandre, o Grande"; conflito já soma mais de 2.900 civis mortos.

Irã acusa Trump e aliados de “mentalidade fascista” e cita Hitler

Quando líderes modernos invocam impérios antigos para justificar massacres presentes, eles não estão estudando história, estão tentando repeti-la em sua forma mais bárbara. O fascismo começa onde a diplomacia é substituída pela mitologia do conquistador.

A guerra no Oriente Médio transbordou do campo de batalha para uma guerra de narrativas históricas com tons sombrios. O Ministério das Relações Exteriores do Irã subiu o tom nesta terça-feira (31/3), acusando o entorno de Donald Trump de reviver uma “mentalidade fascista” comparável à de Adolf Hitler e Benito Mussolini para justificar a ofensiva militar contra a nação persa e o Líbano.

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O estopim da reação diplomática foi a retórica de figuras influentes do movimento MAGA, como Steve Bannon, que defendeu uma “guerra total” para “refazer o que Alexandre, o Grande, fez há 2.300 anos”. Para Teerã, invocar a destruição de Persépolis como modelo de política externa moderna não é apenas anacrônico, mas uma prova de que Washington abandonou o direito internacional em favor de um expansionismo violento disfarçado de “defesa da civilização ocidental”.

Enquanto as palavras cruzam o oceano, os números no solo desenham uma tragédia humanitária acelerada. Dados da HRANA e do Ministério da Saúde libanês indicam que a ofensiva iniciada em fevereiro já vitimou quase 3.000 civis, incluindo centenas de crianças. O cenário de “terra arrasada” no sul do Líbano e os bombardeios à infraestrutura civil no Irã dão contornos de realidade às metáforas imperiais usadas nos podcasts de Washington.

Alexandre e o fantasma de Persépolis

A referência de Steve Bannon à conquista macedônia de 330 a.C. toca na ferida mais profunda da identidade iraniana. Ao sugerir que os EUA deveriam repetir a brutalidade de Alexandre, o estrategista de Trump remove o conflito do campo da segurança nacional e o coloca no campo do extermínio cultural. O porta-voz iraniano, Esmaeil Baqaei, foi cirúrgico ao lembrar que Hitler e Mussolini também usavam a glória de impérios passados — como o Romano — para justificar o Lebensraum (espaço vital) e a invasão de vizinhos.

Por Jornal da República em 02/04/2026
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