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Um evento que nasceu da urgência
O Atlântico Sul da Barra foi palco, nesta semana, de um encontro que transcende o networking corporativo.
O evento Rede de Liderança e Segurança Feminina reuniu advogadas, empresárias, delegadas, juízas e terapeutas em torno de uma pauta que o calendário oficial insiste em tratar como secundária: a proteção integral da mulher.
A anfitriã, Angela Ferreira, advogada e empresária à frente da FS Patrimonial, recebeu as convidadas com a precisão de quem entende que segurança não se resume a portarias e câmeras.
"O evento foi fluindo, foi acontecendo. Temos várias lideranças femininas, amigas dos nossos amigos. "É um momento maravilhoso em que todos podem participar e falar do tema que é tão importante", disse ao Jornal da República e Última Hora.
Segurança que vai além do físico.
O diferencial do encontro ficou evidente na curadoria das palestrantes. Não se tratava de um evento de autoajuda ou de um seminário técnico fechado. A proposta era conectar diferentes nichos em torno de uma visão ampliada de segurança.
"Temos aqui delegada, juíza, empresária, palestrante, terapeuta. Cada uma no seu nicho, falando da segurança feminina. Porque a segurança não é só física, é psíquica, tem que atingir vários setores", explicou Angela.
A abordagem multidisciplinar reflete uma constatação que os números confirmam.
O Dossiê Mulher 2025, produzido pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), revela que 59.743 mulheres foram vítimas de violência psicológica no estado em 2025 — o equivalente a 163 casos por dia.
A violência patrimonial, que Angela enfrenta diariamente na advocacia imobiliária, também cresce: o dossiê aponta que 34,7% dos registros de violência contra a mulher no RJ envolvem danos materiais ou financeiros.
O cenário nacional: feminicídio em curva ascendente.
Enquanto o evento celebrava lideranças femininas, os dados nacionais escancaram a urgência do debate. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.568 feminicídios no Brasil em 2025, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação do crime, em 2015, 13.703 mulheres foram assassinadas pela condição de ser mulher.
No Rio de Janeiro, o primeiro trimestre de 2026 já contabilizou 27 casos de crimes fatais contra o gênero feminino, segundo a Super Rádio Tupi — um recorde para o período. A violência virtual também disparou: o Panorama da Violência contra a Mulher 2025 registrou mais de 3,4 mil vítimas de crimes virtuais no estado, alta de 20,6% em relação ao ano anterior.

Lei Maria da Penha: avanços legislativos em 2026
O evento ocorre em um momento de transformação legislativa significativa. Em maio de 2026, quatro novas leis alteraram a Lei Maria da Penha em um único dia (Leis 15.409, 15.410, 15.411 e 15.412/2026), ampliando mecanismos de proteção e endurecendo penalidades.
A Patrulha Maria da Penha da PMERJ, programa que atua no monitoramento de medidas protetivas, registrou recorde de atuação em 2025, com 20 prisões em 43 dias na capital fluminense.
O programa, que já opera em diversos municípios do estado, é um dos pilares da rede de proteção — mas ainda enfrenta desafios de capilaridade nas regiões mais afastadas.
Liderança feminina como antídoto
O evento de Angela Ferreira não é um caso isolado. Cada vez mais, mulheres ocupam espaços de decisão e transformam a pauta da segurança em ação concreta.
A presença de juízas e delegadas no encontro sinaliza uma mudança de paradigma: a segurança feminina deixou de ser tratada como tema periférico e passou a ocupar o centro das discussões institucionais.
"Eu espero que esse evento se perpetue e que aconteçam tantos outros, e que nós possamos nos encontrar em breve", finalizou Angela, com o olhar de quem já planeja o próximo passo.
Bio, Angela Ferreira.
Angela Ferreira é advogada, empresária e proprietária da FS Patrimonial, empresa com atuação no mercado imobiliário do Rio de Janeiro.
Sua trajetória profissional combina a solidez do Direito com a visão estratégica dos negócios, construindo pontes entre a segurança jurídica e o empreendedorismo feminino.
À frente de eventos que conectam liderança e proteção, Angela se consolida como uma das vozes ativas na construção de redes de apoio entre mulheres no estado.
Sua atuação reflete o compromisso com uma pauta que, como ela mesma define, "precisa ser olhada de forma carinhosa, mas também com a seriedade que o tema exige".

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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