Michelle, Damares e Tereza Cristina esvaziam evento de Flávio Bolsonaro

Ausências foram interpretadas como reação à demora do senador em rebater declaração de Paulo Figueiredo sobre mulheres; presidenciável repudiou a fala durante encontro em Brasília

Michelle, Damares e Tereza Cristina esvaziam evento de Flávio Bolsonaro

A ausência de Michelle Bolsonaro, da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e da senadora Tereza Cristina (PP-MS) marcou o evento promovido pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com lideranças femininas nesta quarta-feira (1º), em Brasília. Nos bastidores, a decisão foi vista como um recado político ao senador após a repercussão de declarações do influenciador Paulo Figueiredo sobre o eleitorado feminino.

O encontro foi organizado em meio ao desgaste enfrentado por Flávio junto a parte do público feminino e buscou reforçar o diálogo com mulheres ligadas ao campo conservador. A expectativa era reunir parlamentares, lideranças partidárias e apoiadoras do senador para fortalecer sua pré-campanha.

Segundo relatos de aliados, Michelle, Damares e Tereza Cristina decidiram não comparecer após considerarem insuficiente a reação inicial de Flávio às declarações de Paulo Figueiredo, que afirmou que “mulher vota muito mal”. O influenciador também fez críticas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Embora não tenham rompido apoio político ao senador, as lideranças avaliam que ele deveria ter se manifestado antes e de forma mais contundente contra as declarações. Para integrantes do grupo, o silêncio prolongado acabou gerando desconforto e levantou questionamentos sobre a defesa do eleitorado feminino dentro do campo bolsonarista.

Durante o evento, Flávio Bolsonaro rebateu publicamente as falas de Figueiredo. Logo no início do encontro, o senador declarou que discorda das declarações e afirmou que o influenciador não integra sua campanha.

“Eu queria repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Ele está completamente equivocado e não faz parte da minha campanha”, afirmou.

O episódio ganhou repercussão após Paulo Figueiredo, que atua nos Estados Unidos e mantém proximidade com setores do bolsonarismo, especialmente com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), fazer comentários sobre o comportamento eleitoral das mulheres. A manifestação ocorreu em 25 de junho, mas a resposta pública de Flávio só veio agora, no evento desta quarta-feira.

Ao longo do encontro, o senador também defendeu a união do grupo político e alertou contra disputas internas. Segundo ele, adversários políticos tentam explorar divergências para enfraquecer o movimento conservador.

“A gente não pode cair nessa. A esquerda sempre tenta nos separar”, declarou.

O evento contou com a participação de deputadas, senadoras, vereadoras e lideranças femininas de diferentes estados. Entre elas, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), que elogiou o senador e defendeu pautas ligadas à segurança pública e ao combate à violência doméstica.

Já a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), considerada próxima de Michelle Bolsonaro, destacou a importância da disputa presidencial de 2026 e afirmou que uma eventual vitória de Flávio poderia influenciar futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores, integrantes do PL reconhecem que a relação com o eleitorado feminino é um dos desafios para o projeto eleitoral de Flávio Bolsonaro. Uma das estratégias discutidas é a escolha de uma mulher para compor uma eventual chapa presidencial como candidata a vice-presidente. Entre os nomes citados está o da deputada federal Priscila Costa (PL-CE).

Apesar do gesto político representado pelas ausências de Michelle, Damares e Tereza Cristina, aliados afirmam que o movimento teve como objetivo sinalizar insatisfação com a condução do episódio, sem representar um rompimento com o senador ou com o projeto político do grupo para as eleições de 2026.

Por Jornal da República em 02/07/2026
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