Milhões jogados fora: Paquetá revive pesadelo de 2017 e acumula frustrações em retorno ao Flamengo

Paquetá amarga segundo vice para argentinos no Maracanã em nove anos

Milhões jogados fora: Paquetá revive pesadelo de 2017 e acumula frustrações em retorno ao Flamengo

 

Meia perde segunda final consecutiva para argentinos no Maracanã e vê jejum de títulos se prolongar

O trauma se repetiu de forma cruel. Nove anos depois de perder a final da Copa Sul-Americana de 2017 para o Independiente, Paquetá voltou a amargar uma derrota para um time argentino no Maracanã. Desta vez, foi o Lanús que frustrou os sonhos rubro-negros na Recopa Sul-Americana, vencendo por 3 a 2 na prorrogação e deixando o meia com mais uma cicatriz em sua relação com finais continentais.

A derrota na última quinta-feira representou muito mais que apenas um vice-campeonato. Para Paquetá, significou o prolongamento de um jejum que começou ainda em sua primeira passagem pelo clube carioca. O jogador, que retornou ao Flamengo como a contratação mais cara da América do Sul por 42 milhões de euros, ainda busca o primeiro título internacional pelo clube que o revelou.

O fantasma de 2017 que não foi exorcizado

Em 2017, Paquetá era apenas uma promessa de 20 anos quando enfrentou o Independiente na final da Sul-Americana. Naquela ocasião, o jovem meia teve atuação destacada, marcou um gol e criou diversas oportunidades, mas viu o time argentino conquistar o título após empate em 1 a 1 no Maracanã, resultado que confirmou a vantagem obtida no jogo de ida.

O cenário de 2026 trouxe elementos similares, mas com Paquetá em situação completamente diferente. Agora consolidado no futebol europeu e com vasta experiência internacional, o meia começou a partida contra o Lanús no banco de reservas. Quando entrou aos 18 minutos do segundo tempo, não conseguiu evitar mais uma frustração continental.

Início conturbado marca retorno ao Gávea

O recomeço de Paquetá no Flamengo tem sido marcado por decepções consecutivas. Antes da Recopa, o clube já havia perdido a Supercopa do Brasil para o Corinthians por 2 a 0, partida que marcou a reestreia do meia. Naquela ocasião, Paquetá desperdiçou chance clara de empatar quando o placar ainda estava favorável aos paulistas por apenas um gol de diferença.

As expectativas eram altas para esta segunda passagem. Em sua apresentação oficial, Paquetá não escondeu as ambições: "Eu voltei para isso!", respondeu a um torcedor que lhe pediu títulos na porta do Ninho do Urubu. No entanto, a realidade tem se mostrado mais desafiadora que o esperado.

Busca por encaixe no sistema de Filipe Luís

Sob o comando de Filipe Luís, Paquetá ainda busca encontrar seu melhor posicionamento tático. Contra o Lanús, sua entrada no segundo tempo não surtiu o efeito desejado. O meia teve uma boa finalização defendida pelo goleiro argentino, mas falhou na marcação de Canale no gol de empate que levou a partida para a prorrogação.

A adaptação ao novo sistema tem sido gradual. Após o empate em 1 a 1 com o Internacional na abertura do Campeonato Brasileiro, Paquetá chegou a se manifestar nas redes sociais reconhecendo que estava "longe de ser o início que imaginava com essa camisa", mas agradeceu o apoio da torcida.

Histórico de vices assombra trajetória

A relação de Paquetá com finais pelo Flamengo tem sido marcada por frustrações. Em sua primeira passagem, além da Sul-Americana de 2017, o meia também foi vice-campeão da Copa do Brasil no mesmo ano e do Campeonato Brasileiro em 2018. O único título conquistado foi o Campeonato Carioca de 2017, competição em que participou apenas de alguns jogos do início da campanha.

O jejum de títulos internacionais pelo clube contrasta com o momento vivido pelo Flamengo no ano anterior, quando conquistou todos os troféus continentais disputados. A chegada de Paquetá deveria potencializar ainda mais o elenco rubro-negro, mas os primeiros meses têm mostrado que a adaptação demanda tempo.

Crise interna e pressão externa

A sequência de derrotas em finais tem gerado pressão sobre o trabalho de Filipe Luís, que enfrenta sua primeira grande crise desde que assumiu o comando técnico. O ambiente interno no clube tem mostrado sinais de desgaste, especialmente após duas oportunidades de título perdidas em menos de um mês.

Para Paquetá, a pressão é ainda maior. Como principal contratação da temporada e símbolo do projeto ambicioso do clube, o meia carrega sobre os ombros a expectativa de ser o diferencial em momentos decisivos. Até agora, porém, não conseguiu corresponder a essas expectativas nos jogos mais importantes.

Última chance na temporada se aproxima

O Campeonato Carioca representa a última oportunidade de Paquetá conquistar um título nesta temporada. O Flamengo enfrenta o Madureira na próxima segunda-feira, no Maracanã, podendo até perder por dois gols de diferença para se classificar à final estadual. A decisão está marcada para o dia 7 ou 8 de março, contra Fluminense ou Vasco.

Esta pode ser a chance de Paquetá finalmente quebrar o jejum e iniciar uma nova fase em sua segunda passagem pelo clube. O meia sabe que precisa elevar o nível de suas atuações para justificar o investimento feito pelo Flamengo e, principalmente, para conquistar a confiança definitiva da torcida rubro-negra.

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Por Jornal da República em 01/03/2026
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