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A entrada em vigor do ECA Digital reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes. Em um cenário em que a lei promete exigir mais controle, moderação e responsabilização das big techs, a realidade dentro do Roblox mostra o tamanho do desafio.
Colorido e aparentemente inofensivo, o Roblox abriga milhões de crianças brasileiras. Entre seus usuários, 39% têm menos de 13 anos, segundo a empresa Takeaway Reality, em um universo que vai muito além do entretenimento.
A plataforma contém uma variedade de riscos: aliciamento por facções, como PCC e CV, simulações de crimes, ambientes sexualizados e esquemas de exploração através da moeda virtual Robux. Especialistas apontam que esses ambientes estão acelerando a chamada “adultização” das crianças, justamente um dos problemas que o novo marco legal tenta enfrentar.
Exemplo é o que ocorre na Favela do Batatata: existe uma disputa armada pelo controle do território. Um esquema de máfia, com roubo de carros, lavagem de dinheiro e extorsão de policiais define o vencedor do embate. E tudo isso poderia estar acontecendo em qualquer comunidade brasileira, mas a cena é virtual. Por trás das personagens, no controle de suas ações, estão crianças que operam livremente as ferramentas do Roblox.
Segundo a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, a internet abriu a porta para que menores tenham experiências que deveriam ser restritas à vida adulta. Os jovens entram em contato com conteúdos sexualizados, violentos e até situações que não são criminosas, mas que só devem ser experimentadas na vida adulta, como trabalhar.
Para ela, a adultização pode causar um trauma e a antecipação do amadurecimento fora de hora. Em muitos casos, também ocorre a chamada “parentificação”: Quando a criança assume responsabilidades que caberiam a adultos. “Ela se torna o próprio adulto dela e perde a infância”, completa.
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