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por Gustavo Silva Via Amado
Uma crise institucional se deflagrou na cúpula técnica da PortosRio desde a última semana, com uma sequência de exonerações e pedidos de demissão nos setores de planejamento e novos negócios. O motivo? A rejeição técnica da compra de um imóvel de R$ 20,49 milhões no município de São João da Barra (RJ). A proposta não partiu de um edital ou demanda técnica prévia da estatal, mas sim de uma oferta direta do proprietário particular Ari Pessanha Monteiro ao Gabinete da Presidência, que abriu o processo e ordenou a avaliação da área pelas equipes técnicas.
Responsável por chefiar o setor que conduziu essa análise, o então superintendente da área, Eduardo Correia Miguez, foi destituído do cargo menos de 24 horas após assinar um laudo apontando que a aquisição da chamada Fazenda Angelim é financeiramente e estrategicamente inviável para a estatal portuária. Na esteira da exoneração de Miguez, o substituto imediato da superintendência, Thiago Barbieri Fonseca de Oliveira, pediu dispensa de suas funções apenas 41 minutos após a publicação da demissão do chefe. Na mesma data, ele renunciou ao cargo de conselheiro no Conselho de Administração (CONSAD) da companhia.
O parecer técnico que motivou o estopim da crise foi concluído no dia 19 de maio pela Superintendência de Planejamento e Desenvolvimento de Negócios. Baseado no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental elaborado pela consultoria terceirizada Pier 3, o relatório oficial demonstra que o fluxo de caixa operacional do projeto não seria capaz de pagar o investimento inicial de R$ 20,49 milhões, gerando prejuízo financeiro.
O documento revelou que, por dificuldade de identificar demanda comercial na região, o projeto usaria apenas 66 mil metros quadrados do terreno. O volume representa cerca de 11% da área total de 580.121 metros quadrados da fazenda, deixando os outros 89% totalmente ociosos. Além disso, a análise técnica alertou para o risco de concorrência direta com o vizinho Porto do Açu, um empreendimento privado que possui maior flexibilidade contratual e infraestrutura consolidada, destacando que “o concorrente poderia impor restrições de acesso e inviabilizar o negócio da estatal”.
Apesar da inviabilidade, a Diretoria Executiva (DIREXE) da PortosRio já havia aprovado formalmente a aquisição em reunião realizada em 27 de março de 2026. Na ata da ocasião, o colegiado declarou a aprovação do negócio sob a condição de aprofundar os estudos de viabilidade posteriormente, os quais acabaram rejeitados em maio pela equipe técnica dispensada.
O processo em torno da Fazenda Angelim tramita internamente na autoridade portuária desde o dia 28 de novembro de 2025.
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