Presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear endossa proposta da ABDAN e defende iniciativa privada como única saída para Angra 3

Presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear endossa proposta da ABDAN e defende iniciativa privada como única saída para Angra 3

Deputado Julio Lopes afirma que conclusão da usina é estratégica para o país e destaca parceria com setor privado

  "Como presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN), gostaria de endossar a iniciativa de Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) com sua posição madura em defesa do término das obras de Angra 3 e a grande solução a partir da iniciativa privada". É com essa afirmação que o presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear, deputado Julio Lopes (PP), deixou claro seu apoio em caminhar junto com a ABDAN.

De acordo com o parlamentar, a iniciativa privada é a única opção viável para que seja concluída Angra 3, é o Brasil não pode mais adiar essa decisão, já que possui o sexto melhor complexo nuclear do mundo mas com uma obra paralisada que custa R$ 1 bilhão por ano à União. Ele garante ainda que a entrada de grupos fortes irá destravar esse impasse histórico.

 Com as obras paralisadas desde 2015, a usina de Angra 3, localizada na Costa Verde, no Sul Fluminense, é um dos principais dilemas a serem resolvidos pelo Ministério de Minas e Energia às vésperas do início do 4º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outubro de 2025, a Âmbar Energia, braço do grupo J&F, dos irmãos Batista, adquiriu por R$ 535 milhões a totalidade da participação da Eletrobras na Eletronuclear, estatal responsável pela operação de Angra 1, 2 e 3. O negócio marcou a entrada da J&F no setor de geração nuclear. A União, no entanto, segue como controladora da Eletronuclear por meio da ENBPar

  - A competência para decidir sobre a retomada é Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). O governo não quer colocar a participação dele e hoje ele é o majoritário. Mas agora, com a chegada do grupo J&F, isso vai ser resolvido. É um grupo muito forte. Ninguém vai comprar a participação num empreendimento que ele não tem intenção de acabar - defende Celso Cunha, presidente da ABDAN.

 Júlio lembra também que o Brasil ocupa a 6ª posição entre os 444 complexos nucleares do mundo e defende o desenvolvimento de novos Small Modular Reactors (SMRs), que são pequenos reatores voltados à geração de energia limpa e de baixo carbono que irão revolucionar o abastecimento, principalmente nas cidades da região Norte.

 - A transição energética não será construída por uma única fonte. Energia nuclear, hidrelétrica, solar, eólica, petróleo, gás natural, termelétricas, sistemas de armazenamento e novas tecnologias não competem entre si, elas se complementam - disse.

Por Jornal da República em 02/11/2026
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