Qual foi o destino do líder supremo do Irã após a ofensiva de Israel e EUA?

Após os ataques massivos deste sábado (28), o paradeiro do aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, permanece sob sigilo absoluto.

Qual foi o destino do líder supremo do Irã após a ofensiva de Israel e EUA?

Durante um comunicado para a televisão, Netanyahu disse que havia fortes indicadores de que Khamenei foi morto, no entanto não divulgou novos detalhes.

O Canal 12, da mídia isralense, chegou a afirmar que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu viu imagens do corpo de Khamenei sendo retirado dos escombros de sua residência

No entanto, informações da agência Reuters indicam que Khamenei foi transferido para um local seguro fora de Teerã momentos antes das primeiras explosões.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também foi um dos alvos iniciais da ofensiva, mas mídias locais informaram que ele escapou sem ferimentos.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi chegou a dizer que o líder supremo estava bem e que "quase todos os oficiais estão sãos e salvos".

  • Entenda a tensão no Oriente Médio para além do que a mídia ocidental mostra com o documentário From the River to the Sea. Assista abaixo:

Quem é Ali Khamenei?

Governante absoluto desde 1989, Khamenei transformou-se de prisioneiro político torturado pela polícia secreta da monarquia em comandante-chefe das Forças Armadas e autoridade máxima do judiciário. Sua trajetória é marcada por:

  • Poder Teocrático: seus decretos se sobrepõem ao Parlamento e à Presidência, detendo o poder de vetar leis e nomear juízes;
  • Histórico de Violência: sob sua gestão, o regime intensificou a repressão interna, com milhares de opositores mortos na década de 1980;
  • Sequelas de Atentados: em 1981, sobreviveu a uma bomba escondida em um gravador, o que lhe custou os movimentos do braço direito.

A crise atual é a mais grave dos 36 anos de governo de Khamenei. Benjamin Netanyahu afirmou que atacar o Líder Supremo seria o caminho para encerrar,  e não intensificar,  o conflito, descrevendo o regime como uma força que "aterroriza o Oriente Médio há meio século".

Nos bastidores, a possível ascensão de seu filho, Mojtaba Khamenei, gera controvérsia por sinalizar uma "monarquia clerical" que violaria os princípios da Revolução de 1979.

Com o programa nuclear sob ataque e os líderes na mira de mísseis, o governo iraniano corre o risco de desmoronar se perder seu único e principal comandante.

Esse é mais um episódio de uma disputa que vem de anos e envolve também outros países do Oriente Médio. Pela complexidade do assunto, muitas pessoas acabam não indo muito além da manchete para entender o tema. 

Por Jornal da República em 28/02/2026
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