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O centro de Nova Iguaçu foi tomado por uma passeata da família Bolsonaro que reuniu apoiadores, candidatos e lideranças da direita fluminense. O ato, transmitido pelo Jornal da República online na cobertura das eleições de 2026, teve como pano de fundo a disputa pelo eleitorado da Baixada Fluminense, região que concentra 21,9% do eleitorado do estado, segundo levantamentos recentes. Entre os presentes estava o vereador carioca Rafael Satiê (PL), candidato a deputado federal, que conversou com a reportagem.
Ato lotado no coração da Baixada
Lotada, a praça central da maior cidade da Baixada Fluminense serviu de palco para o que a organização classificou como demonstração de força do grupo bolsonarista. "Lotamos essa praça. Nova Iguaçu acaba sendo mãe de vários municípios da região", afirmou Satiê. Para ele, a presença de Flávio Bolsonaro na cidade tinha um objetivo claro: mostrar que a direita local mantém identidade própria.
O momento político, porém, é de reacomodação. O ex-prefeito Rogério Lisboa, que integrava a chapa de Douglas Ruas, declarou apoio a Eduardo Paes (PSD), e o prefeito Dudu Reina (PP) também se alinhou ao ex-prefeito do Rio. "O grupo político de Nova Iguaçu tá indo para um lado, mas o Flávio tá em outro", resumiu o candidato. Na mesma janela eleitoral, reportagens registraram ato de Paes na cidade com apoio de cerca de 18 vereadores, em agendas quase simultâneas — um retrato da divisão da base local.
Apoios e reveses: o xadrez político de Nova Iguaçu
A troca de lado do ex-prefeito foi o alvo mais citado pelos entrevistados no ato. Além de Satiê, estiveram presentes nomes como Igor Porto, o delegado Carlos Augusto e Felipe Tropa, apresentados como representantes da direita da cidade. "Não é essa galera que pegou o voto da direita e agora tá pulando pra esquerda", disse Satiê, em referência indireta a Lisboa.
A movimentação de Paes na Baixada é estratégica: conforme a imprensa, o candidato do PSD trabalha para fechar o "cinturão" da região, onde nove dos treze prefeitos já lhe declararam apoio. Flávio, por sua vez, devolveu com discurso de endurecimento — na mesma Nova Iguaçu, o candidato à Presidência mandou recado a criminosos e prometeu "guerra aos narcoterroristas", em linha com a agenda de segurança de sua campanha.
Liberdade de expressão e críticas ao STF
Durante a entrevista, Satiê elogiou o trabalho da imprensa independente e defendeu a liberdade de expressão como uma das razões da mobilização. "É por isso que a gente tá lutando, pela liberdade de expressão da nossa imprensa", declarou. Em tom duro, o candidato afirmou que ministros do Supremo Tribunal Federal "querem voltar com as regras da imprensa como em 1964-69, na época do regime militar". A afirmação, porém, foi feita sem a apresentação de projetos ou atos específicos que sustentem a comparação — o que a reportagem registra como declaração de campanha.
O tema ganha relevância porque o embate entre o campo bolsonarista e a Corte presidiu os últimos meses do cenário político nacional, com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro e a oficialização da candidatura de Flávio pelo PL, em julho, no Pacaembu, com críticas diretas ao governo Lula.
'A favela é conservadora'
Nascido e criado no Complexo do Jacarezinho, na zona norte do Rio, Satiê transformou a origem em bandeira: "Do complexo ao Congresso Nacional", o lema de sua campanha. Para ele, a favela não é "massa de manobra da esquerda". "A favela é conservadora, a favela é de direita, a favela é capitalista. O morador de favela tem liberdade para escolher o lado que quiser", afirmou, acrescentando ser contrário ao aborto e às drogas.
O candidato fez questão de ampliar o discurso para além do território. "Represento quem mora na favela, quem mora no asfalto, quem é preto, quem é branco, rico, pobre. Aqui não tem preconceitos", disse. A fala reflete a estratégia do PL de apostar em candidatos de periferia e em discursos de diversidade conservadora para as eleições de 2026.
As pautas que pretende levar ao Congresso
Satiê listou três eixos prioritários para um eventual mandato em Brasília, todos com forte repercussão no estado:
| Pauta | Defesa do candidato | Contexto jurídico |
|---|---|---|
| Redução da maioridade penal | Endurecimento das regras para crimes graves | Flávio Bolsonaro já defendeu redução para 14 anos em crimes hediondos; mudança exige emenda constitucional, tema rechaçado pelo STF |
| Royalties do petróleo | Soberania econômica do estado do Rio | STF retomou julgamento sobre redistribuição; Rio estima perdas de até R$ 9,9 bilhões por ano; caso foi suspenso após pedido de vista |
| Segurança pública | Combate ao crime organizado e à violência | Discurso central da campanha na Baixada, região com altos índices de violência |
Sobre os royalties, o tema é sensível: o estado projetou rombo de R$ 19 bilhões em 2026 e discute formas de transformar a receita extraordinária do petróleo em arrecadação permanente diante da queda prevista da produção após 2031. Já na segurança, o candidato defendeu o endurecimento como resposta ao avanço do crime organizado.
Quem é Rafael Satiê
Rafael Silva Ferreira de Lima, 39 anos, nasceu no Rio de Janeiro em 13 de março de 1987 e foi criado no Complexo do Jacarezinho, uma das comunidades mais populosas da zona norte. Antes da política, construiu carreira como comunicador e pregador, ganhando projeção nas redes sociais com um discurso de valorização da periferia e do empreendedorismo.
Eleito vereador do Rio em 2024 na primeira eleição majoritária que disputou, com mais de 13,5 mil votos, tornou-se uma das apostas do PL para ampliar a bancada conservadora na Câmara Municipal e, agora, em Brasília, com o apoio declarado da família Bolsonaro. Satiê também é autor dos livros "O Capitalismo e a Favela" (2025) e "O Mínimo Sobre a Favela" (2026), nos quais defende, a partir da própria trajetória, a tese de que a liberdade econômica é o caminho para tirar comunidades da pobreza — tema que o levou a debates em veículos como Folha, Gazeta do Povo e Pleno News. Em sua agenda pública, o candidato repete a fórmula: representar, sem distinção, quem mora na favela e quem mora no asfalto.
Fontes: O Globo – Guerra aos 'narcoterroristas' em Nova Iguaçu · Folha – Ex-aliados de Ruas apoiam Paes · CNN Brasil – Flávio leva campanha à Baixada · InfoMoney – Redução da maioridade penal · Times Brasil – Royalties no STF · UOL – Eleição de Rafael Satiê em 2024 · Gazeta do Povo – Livro sobre a favela
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