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Alexandre Freitas volta ao Novo apostando em privatizações e combate à corrupção no judiciário fluminense

Alexandre Teixeira de Freitas Rodrigues, advogado e ex-deputado estadual pelo Partido Novo, retornou formalmente à agremiação em agosto de 2025 anunciando pré-candidatura à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Durante palestra na Associação Comercial ao lado de Romeu Zema, pré-candidato presidencial pelo Novo, Freitas apresentou balanço de sua atuação legislativa anterior e posicionou-se como combatente de uma máquina pública que, para ele, funciona como "ambiente de negociata e corrupção". Sua volta ao cenário político integra estratégia de fortalecimento do Partido Novo no estado, que busca consolidar presença tanto em nível estadual quanto presidencial.
A trajetória legislativa de Freitas entre 2019 e 2023 marcou-se por atuação que transcendeu o tamanho reduzido de sua bancada. Coautor do pedido de impeachment contra Wilson Witzel, participou da Comissão Especial de Impeachment que conduziu ao afastamento do então governador. Sua participação foi decisiva: "graças ao nosso mandato, a gente pôde proferir o sétimo voto que condenou o ex-governador impeachado Wilson Witzel", afirmou durante a palestra. A denúncia inicial, realizada junto com o deputado Paulo Ganime, apontava superfaturamento na compra de respiradores, investigação que resultou na prisão do ex-subsecretário de Saúde Gabriel Neves e abriu caminho para processo de responsabilização de Witzel.
Desburocratização como base da plataforma
A Lei nº 1.805/2020, coautoria de Freitas, representou marco na desburocratização estadual. A legislação regulamentou a Lei Federal nº 13.874/2019 no âmbito fluminense, dispensando necessidade de autorização prévia de órgãos públicos para exercício de atividades classificadas como baixo risco. O escopo abrangeu 280 atividades econômicas que passaram a prescindir de licenças, alvarás, inscrições, permissões ou cadastros burocráticos. Para Freitas, essa medida representa paradigma que pretende expandir em eventual retorno à Assembleia.
Complementando essa agenda, Freitas destacou aprovação de legislação sobre parcelamento de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), particularmente para situações de morte de ente querido. Segundo ele, o cidadão fluminense enfrentava impossibilidade de arcar com inventários quando confrontado com "problema da morte, da tristeza da morte de um ente querido". A aprovação permitiu parcelamento dessa obrigação fiscal, transformando-a em questão humanizada de acesso. Essas iniciativas, ainda que pontuais, refletem metodologia legislativa orientada para resolver problemas concretos que afetam população.
Crítica às empresas estatais e o caso dos Correios
A plataforma de Freitas inclui defesa explícita de privatizações de empresas estatais. Seu exemplo principal refere-se à CEDAE, empresa de saneamento do Rio de Janeiro. Freitas reconheceu que "não conseguimos a privatização inteira", porém destacou separação entre distribuição e tratamento de água como vitória parcial. A distribuição foi transferida ao setor privado, enquanto tratamento permaneceu na esfera pública. Para Freitas, essa estrutura "estancou uma roubalheira que antigamente era extraordinária", sugerindo que controle privado reduziu desvios que caracterizavam gestão anterior.
A crítica se estende aos Correios, empresa que Freitas apontou como símbolo de deterioração sob gestão pública. "Os Correios agora vão ter o recorde extraordinário e nunca visto antes na história de um déficit projetado de 10 bilhões", declarou, contrastando com "superávit histórico" que teria caracterizado final do governo Bolsonaro. Para Freitas, transição para administração federal atual representou reversão de trajetória financeira, evidência de que "empresa pública, na verdade é empresa dos políticos, é ambiente de negociata, corrupção". Essa narrativa estrutura argumento central de sua candidatura: privatizações e desburocratização como soluções para ineficiência estatal.
O judiciário como poder mais corrupto
A crítica mais contundente de Freitas dirige-se ao poder judiciário. "O poder judiciário hoje é o poder mais corrupto da República", afirmou de forma categórica, ressalvando que "não são todos os juízes" e que conhece "juízes que são corretíssimos, honestos". Porém estimou que "em torno de 10, 20% é corrupto", percentual que, para Freitas, caracteriza padrão sistêmico de comprometimento institucional.
O diferencial entre judiciário e demais poderes, conforme argumentação de Freitas, reside na ausência de fiscalização equivalente. Enquanto executivo sofre "fiscalização do parlamento batendo todos os dias nos seus abusos", judiciário operaria com menor escrutínio. Freitas criticou específicamente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), afirmando que "não atua corretamente", e o Supremo Tribunal Federal, que se apresenta como "regulador de toda a sociedade brasileira" sem sofrer fiscalização apropriada do Senado Federal.
Mencionou ação própria no STF onde questionava tentativa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro em fraudar Lei de Responsabilidade Fiscal. A ação permanecia "guardada na gaveta do fluxo", aguardando votação, exemplificando o que Freitas caracteriza como lentidão e falta de responsividade institucional do tribunal superior. Para ele, essa dinâmica permite que "maçãs podres se sintam confortável para fazer o que fazem".
Alinhamento com Romeu Zema e crítica ao STF
Freitas posicionou-se como voz convergente com Romeu Zema em críticas estruturais ao sistema institucional. Afirmou que "a voz do Zema, ela não é nada de extraordinária. Ele é apenas a voz da percepção popular", sugerindo que críticas do governador mineiro refletem sentimento amplamente disseminado na sociedade. Essa convergência busca legitimar narrativa de que questionamentos ao judiciário não representam posição ideológica singular, mas resposta a percepção compartilhada.
Freitas foi explícito ao apontar membros específicos do STF. "Três ministros ali no mínimo, já deveriam estar presos há muito tempo se o Brasil fosse um país sério", declarou, conectando sua crítica às investigações envolvendo ex-ministros que ganharam repercussão geral, particularmente casos relacionados a operações financeiras questionáveis. A afirmação adquire peso considerando que investigações sobre Banco Master e outras operações suspeitas alcançaram tribunal supremo, ampliando percepção pública sobre possível comprometimento da corte.
Reconhecimento de eficiência e perspectivas para 2026
Freitas foi reconhecido pelo jornal Globo como "deputado mais econômico da ALERJ", distinção que utiliza para construir narrativa de responsabilidade fiscal. Essa caracterização alinha-se ao posicionamento do Partido Novo como defensor de austeridade e redução de gastos governamentais. Freitas apresenta-se como parlamentar que conseguiu "fazer um bom trabalho, mesmo sem ter uma bancada gigante", sinalizando capacidade de influência política desproporcional ao tamanho de sua representação partidária.
Suas expectativas para eleições de 2026 centram-se em retorno à Assembleia Legislativa com mandato renovado. Freitas afirmou estar "nessa missão de trabalhar bastante para quem sabe ter novamente a honra e o privilégio de poder representar o povo fluminense mais uma vez na Assembleia Legislativa". Sua pré-candidatura integra-se à estratégia mais ampla do Partido Novo de fortalecimento no estado, particularmente através de articulações com candidaturas presidencial de Zema e estadual de André Marinho, também pelo Novo.

Fontes: Jornal da República | Última Hora | Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro | Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) | Assessoria do Partido Novo — RJ | Biografia pública de Alexandre Teixeira de Freitas Rodrigues | Registros de legislação estadual Lei nº 1.805/2020 | Processo de Impeachment de Wilson Witzel (2021) | Jornal Globo | Supremo Tribunal Federal | Partido Novo
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