STF marca julgamento da distribuição dos royalties do petróleo

Tema está judicializado desde o início da década passada. Em maio, a ministra Cármen Lúcia votou a favor dos Estados produtores e Flávio Dino pediu vista

STF marca julgamento da distribuição dos royalties do petróleo

Plataforma FPSO Cidade de Vitória

Operação de plataforma de petróleo no mar do Espírito SantoCacá Lima

Está marcado para o dia 4 de novembro o retorno do julgamento da distribuição dos royalties do petróleo pelo Supremo Tribunal Federal. Em 7 de maio, a relatora, ministra Cármen Lúcia, votou pela inconstitucionalidade da lei aprovada pelo Congresso Nacional, ainda em 2012, mudando as regras - reduzindo o peso dos produtores (Espírito Santo, Rio e São Paulo) e aumentando o dos não produtores (todos os demais estados e municípios). O ministro Flávio Dino, na mesma sessão, pediu vista. A expectativa de que o tema só retornasse ao plenário após as eleições acabou se confirmando com a liberação do voto de Dino para o dia 4 próximo.


Em 2025, governo do Espírito Santo e municípios capixabas arrecadaram R$ 2,4 bi com royalties e participações especiais. Só o Estado, levando em consideração os valores do ano passado, perderia R$ 500 milhões caso o STF considere legal a lei aprovada pelo Congresso lá em 2012. No Rio, responsável por 87% da produção brasileira de petróleo, a situação é bem mais complexa: governo e prefeituras levaram R$ 45 bilhões, em 2025. Só o governo perderia R$ 9 bilhões.

Cabe sempre lembrar que, com o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o preço do barril do petróleo saiu da casa dos US$ 65 e está acima dos US$ 100. Ou seja, o julgamento será em cima de valores muito maiores dos levantados em 2025. Em 2026, muito provavelmente a arrecadação de Estado e municípios capixabas superará os R$ 4 bi.

Em seu voto, a ministra afirma que a lei aprovada desestabiliza o pacto federativo. "A lei aprovada em 2012 não alterou apenas os percentuais de royalties e participações especiais a serem distribuídos, mas todo um modelo adotado. Estamos falando de uma espécie de reorganização da organização federal brasileira. É algo que desestabiliza o equilíbrio federativo. O constituinte prevê os royalties como compensação e indenização para onde acontece a atividade".

Dino, por sua vez, deu indicativos de que abrirá divergência.

Em 2012, o Congresso Nacional aprovou novas regras de distribuição dos royalties oriundos da atividade petrolífera, reduzindo a fatia dos produtores e aumentando a dos não produtores. Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, os mais prejudicados pela lei, foram, com o apoio da União, ao Supremo questionar. Desde 2013 uma liminar de Cármen Lúcia mantém as regras que valiam antes da lei ser aprovada. É isso que está sendo julgado pelos ministros.

Por Jornal da República em 29/10/2026
Aguarde..