Carnaval sem dívida: como curtir agora sem se enrolar depois

A consultora financeira Patrícia Marins dá dicas para não se endividar durante os dias de folia

Carnaval sem dívida: como curtir agora sem se enrolar depois

O Carnaval é sinônimo de brilho, ruas cheias, música alta e a sensação coletiva de liberdade. É o momento em que milhões de brasileiros se permitem esquecer a rotina e viver dias intensos de celebração. Mas, junto com a fantasia e a empolgação, também surge um risco silencioso: gastar além do que pode e transformar quatro dias de festa em meses de preocupação.

Para a educadora financeira Patrícia Marins, o problema não está em curtir. Pelo contrário. “Curtir é necessário, é direito, é alívio”, defende. O alerta é outro: usar dinheiro que ainda não existe ou comprometer recursos destinados às despesas essenciais.

Segundo a especialista, planejamento é a palavra-chave para aproveitar a folia sem transformar o cartão de crédito em armadilha.

A seguir, confira as principais orientações:

1. Defina um limite real de gastos

Antes de sair de casa, é fundamental estabelecer quanto pode ser destinado ao Carnaval — e não quanto “talvez dê”. O valor precisa ser retirado apenas da parte flexível do orçamento, sem tocar no dinheiro das contas fixas como aluguel, escola, alimentação e transporte.

Separar previamente o valor da folia ajuda a evitar excessos. E, se o dinheiro acabar antes do fim da festa, a recomendação é adaptar a programação. “O bloco bom também é aquele que a gente dança com paz na cabeça”, reforça Patrícia.

2. Evite transformar o cartão em solução

O cartão de crédito não é renda extra, mas um adiantamento que pode vir acompanhado de juros. A lógica do “depois eu resolvo” costuma custar caro quando a fatura chega.

A especialista alerta que a alegria do momento não deve comprometer a tranquilidade do mês seguinte. Março chega com todas as despesas habituais — e elas não entram em recesso por causa do Carnaval.

3. Use a criatividade na fantasia

Em muitas cidades, a fantasia é parte central da festa. Mas isso não significa que ela precise ser nova ou cara. Customizar roupas que já estão no armário, trocar peças com amigas ou pedir emprestado são alternativas econômicas e sustentáveis.

“O Carnaval é a maior festa de criatividade popular do mundo”, lembra Patrícia. Para ela, o brilho está na atitude — não no preço da roupa.

4. Faça escolhas estratégicas

Quando o orçamento é limitado, é preciso priorizar. Talvez seja possível investir no show especial, ou em um transporte mais confortável, mas não em tudo ao mesmo tempo.

Dividir despesas também é uma estratégia inteligente: compartilhar transporte por aplicativo, bebidas ou organizar lanches coletivos reduz custos sem comprometer a diversão. “Isso é estratégia, não miséria. É cuidar de você hoje e da sua paz amanhã”, pontua.

5. Lembre-se: o pós-Carnaval existe

Depois que o som do tamborim silencia, as contas continuam chegando. Ter essa consciência ajuda a manter o equilíbrio entre prazer imediato e responsabilidade financeira.

Para Patrícia Marins, é totalmente possível viver um Carnaval leve — emocional e financeiramente. “Dá para dançar, pular, amar e rir sem transformar quatro dias de festa em quatro meses de sufoco.”

No fim das contas, a combinação perfeita para a alegria é a tranquilidade de quem sabe que pode curtir e dormir em paz depois.

Sobre Patrícia Marins

Patrícia Marins é educadora financeira, palestrante e fundadora da comunidade Mulheres Pretas Finanças, onde atua no fortalecimento da autonomia econômica de mulheres, especialmente mães, trabalhadoras e empreendedoras. Com mais de 17 anos de experiência no setor bancário, é especialista em gestão financeira, vendas, diversidade e inclusão, com forte atuação em pautas sociais e raciais.

Serviço

Mais informações: instagram.com/mulherespretasfinancas

 

Por Jornal da República em 13/02/2026
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