CPF brasileiro e negócios secretos: os rastros de Jeffrey Epstein que levam ao Brasil

CPF brasileiro e negócios secretos: os rastros de Jeffrey Epstein que levam ao Brasil

  A descoberta de que Jeffrey Epstein, o financista acusado de comandar uma rede internacional de exploração sexual de menores, possuía um Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ativo no Brasil desde 2003 trouxe novos questionamentos sobre a extensão de suas conexões e possíveis interesses no país. O documento, emitido oficialmente pela Receita Federal, indica que Epstein poderia ter realizado ou planejado atividades financeiras, comerciais ou patrimoniais em território brasileiro.

A revelação reforça que o alcance de Epstein ultrapassava os Estados Unidos e a Europa, ampliando o mapa global de suas movimentações e levantando dúvidas sobre o verdadeiro objetivo de sua ligação formal com o Brasil.

O registro oficial que conecta Epstein ao sistema brasileiro

Jeffrey Edward Epstein teve seu CPF registrado em 23 de abril de 2003. O documento continha seus dados reais, incluindo nome completo e data de nascimento.

O CPF é um registro essencial no Brasil para qualquer pessoa que deseje realizar operações legais e financeiras, como abrir contas bancárias, investir, adquirir bens ou formalizar contratos.

A existência desse registro indica que Epstein não apenas visitou ou demonstrou interesse no país, mas tomou medidas formais que permitiriam sua atuação financeira dentro do sistema brasileiro.

Além do CPF, documentos apreendidos durante investigações nos Estados Unidos também mencionam o registro brasileiro, acompanhado de uma procuração, o que sugere que o documento poderia ter sido utilizado em operações legais ou administrativas.

E-mails revelam contatos com empresários brasileiros

As investigações também trouxeram à tona comunicações envolvendo Ghislaine Maxwell, principal cúmplice de Epstein e responsável pelo recrutamento de vítimas.

Mensagens trocadas entre Maxwell e o empresário brasileiro Marcelo de Andrade discutiam a organização de uma viagem ao Brasil no início dos anos 2000.

O período dessas comunicações coincide diretamente com a emissão do CPF de Epstein, levantando a possibilidade de que o registro estivesse relacionado a planos concretos envolvendo o país.

Ghislaine Maxwell foi posteriormente condenada por tráfico sexual de menores e por participação direta no esquema criminoso operado por Epstein.

Interesse financeiro no Brasil e planos de investimento

Outros registros indicam que Epstein demonstrava interesse no mercado financeiro brasileiro.

Ele recebeu orientações sobre investimentos relacionados à moeda brasileira e demonstrou interesse em oportunidades econômicas no país, especialmente em períodos de crescimento e grande visibilidade internacional.

Em comunicações privadas, Epstein chegou a mencionar a possibilidade de obter cidadania brasileira, o que reforça que seu interesse no país poderia ir além de simples investimentos ocasionais.

Essa possibilidade levantou suspeitas sobre a intenção de estabelecer presença mais permanente ou ampliar suas operações financeiras internacionais.

Um criminoso com alcance global

Jeffrey Epstein construiu um império financeiro e social que lhe garantiu acesso às elites globais.

Ele possuía propriedades luxuosas em diversos países, incluindo:

  • uma mansão em Nova York

  • uma residência em Palm Beach, na Flórida

  • propriedades no Novo México e em Paris

  • uma ilha privada no Caribe

Segundo investigações, essas propriedades foram utilizadas como locais onde ocorreram abusos contra menores.

Epstein foi acusado de comandar uma rede internacional de tráfico sexual, recrutando adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Sua principal associada, Ghislaine Maxwell, foi condenada por ajudar a recrutar e manipular vítimas.

A prisão e a morte antes do julgamento

Em julho de 2019, Epstein foi preso sob acusações federais de tráfico sexual de menores.

Ele aguardava julgamento em uma prisão federal de Nova York quando foi encontrado morto em sua cela em agosto do mesmo ano.

A causa oficial foi suicídio.

Sua morte impediu que ele fosse julgado e que detalhes adicionais sobre sua rede fossem revelados em tribunal.

As perguntas que permanecem sem resposta

A existência de um CPF brasileiro amplia o alcance geográfico do caso Epstein e reforça que suas operações e interesses ultrapassavam fronteiras.

Embora não exista confirmação oficial de atividades criminosas cometidas por Epstein em território brasileiro, o registro formal levanta questionamentos sobre:

  • seus interesses financeiros no país

  • possíveis conexões comerciais

  • contatos com empresários brasileiros

  • e o real motivo de sua inscrição no sistema fiscal nacional

Mesmo após sua morte, documentos continuam sendo analisados, e novas revelações seguem ampliando a dimensão de um dos maiores escândalos criminais da história recente.

O CPF brasileiro de Jeffrey Epstein se tornou mais uma peça de um quebra-cabeça global que ainda está longe de ser completamente solucionado.

 

 

Por Jornal da República em 13/02/2026
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