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Rio de Janeiro acolhe diversidade: Feira Multicultural gera renda e integra imigrantes e refugiados
A Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR), promove a Feira Multicultural, um evento que une gastronomia, moda e artesanato de imigrantes e refugiados de diversos países. Com edições quinzenais, a iniciativa busca acolher essas comunidades, gerar oportunidades econômicas e promover a integração sociocultural na cidade.
O secretário Edson Santos, sociólogo e político experiente, destaca o papel fundamental da feira na vida dos participantes, muitos dos quais dependem dela como fonte principal de renda. Em um contexto de ondas migratórias intensificadas por conflitos geopolíticos, a SEDHIR amplia suas ações para incluir mais setores da sociedade nesse debate.
A próxima edição da Feira Multicultural acontece nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, das 9h às 17h, no pátio da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova. Participam 20 expositores de países como Angola, Congo, Senegal, Venezuela, Colômbia, Argentina, Uruguai, Peru, Chile, Bolívia, Cuba, Síria e Irã. A estrutura é oferecida gratuitamente, sem custos para os vendedores.
Entre os destaques gastronômicos estão pratos como a feijoada e o bacalhau angolanos, preparados por Madalena José Agostinho do Kitutes da Madá; a culinária argentina de Mansilla Matias; especialidades venezuelanas e cubanas da Dulcipan; e receitas congolesas e angolanas do Chez Kimberly Food. No artesanato, destacam-se produtos da Venezuela, como as criações de José Valero e sua Creaciones Escorpión, além de itens orgânicos e sustentáveis da Chag-Dalla de Zhue Llamkay Otaiza Albaracin e peças de macramê e bijuterias da Creaciones Mili's de Zobeida Ortiz.
Na moda, Antônio Zacarias apresenta roupas com identidade africana pela Raízes Afrikanas, enquanto Tutshumu oferece acessórios vibrantes, e a Juh Artesania, do colombiano Miguel Camacho, expõe jóias em aço, couro e pedras naturais.
Vanessa Suárez, venezuelana residente no Brasil há 11 anos, participa da feira expondo tequeños, um salgadinho típico venezuelano considerado patrimônio cultural do país. Ela enfatiza que o evento amplia o alcance e a visibilidade de seus produtos, especialmente no início do ano, período de vendas mais fracas.
Vanessa compartilha sua experiência positiva no Rio: "No começo foi difícil devido ao idioma, mas sempre tive ajuda e acolhida do povo carioca, que hoje considero minha família.
Os cariocas me receberam de braços abertos e são como uma mãe que dá colo, sem se importar com cultura, política, gênero, religião, cor ou nação". A feira representa uma oportunidade de crescimento para empreendedores imigrantes, que encontram no espaço público um meio de sustentar suas famílias e promover suas tradições.
O secretário Edson Santos ressalta a importância histórica do Brasil como nação acolhedora, contrastando com tensões geopolíticas globais, como as impostas pelos Estados Unidos.

Ele defende políticas públicas robustas para imigrantes e refugiados sobreviventes de conflitos terríveis. Santos, ex-ministro da Igualdade Racial e vereador com longa trajetória política, iniciou sua carreira no movimento estudantil e na defesa dos direitos humanos. Filiado ao PT desde 1994, foi deputado federal, ministro-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial entre 2008 e 2010, e atualmente ocupa a SEDHIR. Sua biografia inclui participação em decisões históricas, como a instalação do monumento a João Cândido, líder da Revolta da Chibata, e a aprovação de leis como o Feriado Municipal de Zumbi dos Palmares e a meia-entrada para estudantes.
Em entrevista recente, Edson Santos abordou a história da imigração africana no Rio de Janeiro, destacando que cerca de 4 milhões de africanos escravizados chegaram ao Brasil, contribuindo para a formação cultural e econômica do país. Esses imigrantes influenciaram a língua portuguesa com termos bantos, a culinária, a música e tradições como o samba e o carnaval.
Edson Santos critica a ausência de políticas de acolhimento após o fim da escravidão, que marginalizou essa população. Ele defende ações afirmativas, como o ensino da história afro-brasileira nas escolas (Lei 10.639/2003) e políticas de cotas nas universidades, que elevam a autoestima e promovem diversidade. "A mestiçagem prosperou no Brasil, diferentemente de outras colônias, e a lei nos dá dimensão da importância disso", afirma o secretário.
Santos também discute o combate ao racismo, apontando avanços nos governos do PT, com canais de denúncia e conscientização, mas alerta para a letalidade policial contra jovens negros.
Ele atribui parte do problema a discursos políticos que estimulam violência, citando casos recentes como o assassinato de um jovem durante abordagem policial. O secretário defende a necessidade de derrotar ideologias racistas nas urnas e promover representatividade negra em cargos públicos.
"Não basta ser negro; é preciso abraçar as causas dos negros", diz, criticando figuras como o vereador bolsonarista conhecido como Hélio Negão. Ele enfatiza que o poder no Brasil é predominantemente branco e patriarcal, refletindo a sociedade, e que mudanças exigem discursos políticos inclusivos.
Sobre a SEDHIR, Santos explica que a secretaria vai além da igualdade racial, atuando em direitos humanos como intolerância religiosa e promoção social. Ela colabora com outras pastas, como Educação e Saúde, e articula transversalmente no governo. Recentemente, assinou protocolo com a RioTur para o "Carnaval sem Racismo".
Embora não cuide diretamente de moradores de rua — competência da Secretaria de Assistência Social —, a SEDHIR foca em articulação política e conscientização. Santos destaca a importância de expandir a Feira Multicultural para outros espaços, como a Praça Paris, onde imigrantes expõem produtos aos domingos, atraindo cariocas com culinárias diversas.
A feira não apenas gera renda, mas também cria laços afetivos, permitindo que imigrantes encontrem memórias de suas origens natais. Santos imagina um congolês recém-chegado saboreando pratos de sua terra, sentindo-se mais próximo de casa.
Nos próximos meses, a SEDHIR planeja parcerias para levar o evento a mais locais, alavancando seus resultados. O secretário, nascido em 1954 no bairro do Horto, cursou Ciências Sociais na UERJ e foi diretor da União Nacional dos Estudantes.
Viveu na Cidade de Deus e presidiu o Conselho de Moradores. Sua trajetória inclui quatro mandatos como vereador, presidência de comissões e participação em 16 CPIs. Em 2002, candidatou-se a senador, recebendo 1,8 milhão de votos. Em 2023, assumiu cadeira na Câmara Municipal como suplente.
Santos deixa mensagem para a juventude negra: "Fujam da facilidade e confiem nas instituições públicas para construir políticas que atendam suas necessidades".
Ele critica a uberização como forma moderna de escravidão, afetando jovens sem direitos trabalhistas. Defende qualificação profissional e acesso à cultura, como hip hop e funk. Sobre o futuro, alerta contra retrocessos como no Chile, onde reformas previdenciárias prejudicaram idosos. "O Brasil depende dos jovens; devemos cuidar deles através da educação e segurança pública", conclui.
Fontes: Prefeitura do Rio de Janeiro (SEDHIR); Entrevista com Edson Santos (transcrição fornecida); Biografia de Edson Santos (Wikipedia); Relatórios sobre imigração africana no Brasil (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE); Artigos sobre políticas de igualdade racial (Ministério da Igualdade Racial).

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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