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O que acontece quando uma peça de teatro ainda está sendo construída, mas o assunto que ela aborda não pode esperar? É desse encontro entre urgência, memória e escuta coletiva que nasce Depois que Mariana Conheceu o Mar, novo trabalho da atriz e dramaturga Isabela Viana, com direção de Dani Silva e produção da Mió Cultural. O projeto realiza, no próximo dia 30 de maio, às 19h30, no Galpão das Artes, em Poços de Caldas, um ensaio aberto gratuito, convidando o público a acompanhar os primeiros movimentos cênicos da obra e participar ativamente do processo de criação.
A apresentação integra uma pesquisa teatral construída a partir da experiência vivida por Isabela durante seus quatro anos na cidade de Mariana (MG), local marcado pelo rompimento de uma barragem em 2015, considerado um dos maiores crimes ambientais da história do país. A dramaturgia também atravessa Brumadinho, atingida em 2019, e chega até Poços de Caldas e o Sul de Minas, região que atualmente vive discussões sobre mineração e exploração de terras raras no planalto vulcânico local.
Mais do que apresentar uma cena pronta, o ensaio aberto propõe uma experiência de troca. Ao final da apresentação, público, atriz e direção participam de uma conversa sobre os caminhos do espetáculo, refletindo sobre o que reverbera, o que falta, o que ainda precisa ganhar corpo, terra e voz.
“Construir esse trabalho de forma aberta também é uma escolha política. Estamos falando de temas que atravessam vidas reais, territórios reais e medos muito concretos para Minas Gerais hoje”, destaca a equipe criativa.
O espetáculo parte do monólogo já existente Mariana Conheceu o Mar, agora ampliado para uma encenação de aproximadamente 50 minutos. Em cena, uma figura materna carrega simbolicamente Minas Gerais no ventre e vive o luto de já ter perdido dois filhos para a lama: Bento Rodrigues, em 2015, e Brumadinho, em 2019. Diante do avanço da mineração em Poços de Caldas, ela se pergunta quantos outros ainda precisarão ser enterrados.
A criação mistura teatro físico, pesquisa documental, memória afetiva e imagem poética, além da trilha sonora do músico João Arruda, que conduz a cena entre delicadeza, devastação e espiritualidade.
O ensaio aberto também dialoga com discussões recentes realizadas em Poços de Caldas sobre mineração e impactos ambientais, especialmente após a marcha e a audiência pública ocorridas no último dia 08 de maio, na Zona Sul da cidade, ampliando o debate sobre os impactos da exploração mineral no território. O projeto integra o FEC 08/2025 Minas em Cena - Prot. 202525080074 - Execução 2026.
Depois da apresentação de maio, o projeto segue em desenvolvimento ao longo do ano, com novas ações previstas:
Serviço
Ensaio aberto — Depois que Mariana Conheceu o Mar
Ficha técnica
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