NA MIRA NOVAMENTE Conselho de ética da ALEP quer cassar deputado

NA MIRA NOVAMENTE Conselho de ética da ALEP quer cassar deputado

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou, nesta segunda-feira (11), o parecer que recomenda a cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT). A decisão foi tomada após análise de representações relacionadas a uma confusão envolvendo o parlamentar e um manobrista no Centro de Curitiba, em novembro de 2025.

 

A defesa do deputado terá prazo de cinco dias para recorrer. Depois disso, o processo seguirá para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, será submetido à votação no plenário da Alep.

O episódio que motivou o principal processo disciplinar ocorreu no Centro de Curitiba e foi registrado em vídeos. As imagens mostram Renato Freitas discutindo com um homem, identificado como manobrista. Após ser provocado, o deputado empurra o homem, que reage com agressões físicas. A confusão continua com chutes e socos, até que ambos são separados por pessoas que estavam no local.

Renato Freitas sofreu uma fratura no nariz e precisou de atendimento médico. O manobrista teve ferimentos na região do olho.

Em entrevista concedida à Rádio CBN após a sessão que aprovou o pedido de cassação, Freitas comentou o episódio. “O rapaz jogou o carro em cima de mim. Ele sabia quem eu era e por isso jogou o carro em cima de mim. Mas não se tratava só de mim e, por isso, eu me enfureci. Não se tratava só de mim, eu estava com minha filha. Daí para mim já é demais, sou humano e falho.”

Freitas também disse que “trata-se de um jogo de cartas marcadas”. “Hoje, aqui na Assembleia, nós vimos o resultado de uma resistência que nós impomos ao poder estabelecido no Estado do Paraná”.

O parlamentar, em nota, afirmou que a decisão representa “mais uma demonstração de perseguição política sistemática” e classificou o processo como um “assassinato político, fruto do racismo institucional”.

Dos seis integrantes do Conselho de Ética, cinco votaram a favor da cassação, entendendo que a medida seria proporcional à quebra de decoro parlamentar atribuída ao deputado. O único voto contrário foi do deputado Dr. Antenor (PT), que defendeu o arquivamento do caso ou a aplicação de punições mais brandas.

Caso o processo avance ao plenário, Renato Freitas poderá perder o mandato se ao menos 28 dos 54 deputados estaduais votarem favoravelmente à cassação.

Na mesma sessão, o Conselho de Ética também analisou outros dois processos envolvendo o deputado. Em ambos, foi aprovada a suspensão das prerrogativas regimentais de Freitas por 30 dias. As medidas podem resultar na perda temporária do direito de relatar projetos e presidir comissões.

Um dos processos está relacionado à participação do deputado em uma manifestação dentro de um supermercado. O outro envolve uma discussão com o deputado Márcio Pacheco (Republicanos) e um assessor parlamentar após uma reunião da CCJ da Alep. As penalidades também precisarão ser votadas em plenário.

Por Jornal da República em 12/05/2026
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