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Diálogos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam proximidade com Rodrigo Fux, advogado e filho do ministro do STF, com pedidos de ajuda em caso de R$ 5 bilhões e convites para encontros em Londres e no Carnaval; defesa nega contratação e ressalta que Fux votou contra o banco no julgamento do caso
As mensagens que revelam a rede de contatos
Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam uma relação de proximidade e contatos com Rodrigo Fux, advogado e filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Os diálogos, que se estenderam de maio de 2024 a agosto de 2025, integram os relatórios da Polícia Federal remetidos à presidência do STF, sob o comando do ministro Edson Fachin, para apuração de caráter descritivo e informativo.
A revelação amplia o mapa das relações entre o banqueiro preso e o universo dos parentes de ministros da mais alta corte do país — uma rede que já alcançou gabinetes, escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligadas a integrantes do tribunal.
O pedido de ajuda no precatório de R$ 5 bilhões
Em novembro de 2024, Daniel Vorcaro procurou Rodrigo Fux para pedir ajuda em um caso. O banqueiro enviou arquivos, entre eles um processo da Agro Industrial Tabu sobre embargos de declaração envolvendo um precatório bilionário, avaliado em cerca de R$ 5 bilhões — exatamente o tipo de ação de alto valor em que o Banco Master, especializado na compra de precatórios, tinha interesses diretos.
A proximidade entre os dois, segundo os diálogos, era explícita: eles combinavam encontros em locais como Londres e em eventos sociais, e Vorcaro chegou a oferecer cortesias, como convites para camarotes no Carnaval. O padrão de interação — pedidos, arquivos enviados e convites — é o mesmo que os investigadores têm identificado nas mensagens do banqueiro com outras pessoas próximas ao Poder Judiciário.
A defesa de Rodrigo Fux
A assessoria de Rodrigo Fux negou qualquer atuação a favor do banco ou de Vorcaro. Segundo a defesa, o escritório foi procurado, mas não assumiu a causa, não celebrou contrato e não recebeu nenhum pagamento ou honorários. Em outras palavras: o contato existiu, mas não teria passado de uma consulta inicial que não se materializou em qualquer relação profissional ou financeira.
A negativa ganha reforço no desfecho do próprio processo que motivou o contato. No julgamento do caso do precatório, realizado em junho de 2026, o ministro Luiz Fux votou de acordo com o entendimento da maioria e contra os interesses dos fundos ligados ao Banco Master, que acabou derrotado no processo. Para a defesa, o voto é a prova mais contundente de que não houve qualquer interferência ou benefício indevido.
O contexto da maior crise do STF
As menções a Rodrigo Fux constam nos relatórios da Polícia Federal que alimentam a Operação Compliance Zero, a investigação que expôs a rede de relações de Vorcaro com o mundo jurídico. O caso já alcançou outros parentes de ministros: o escritório da esposa de Alexandre de Moraes foi citado em contrato de R$ 129 milhões, e uma consultoria ligada ao filho de Nunes Marques recebeu R$ 6,6 milhões do banco.
A diferença, no caso Fux, está no desfecho financeiro: não há registro de contrato ou pagamento, o que os investigadores terão de cotejar com os padrões das outras relações reveladas. Os relatórios remetidos à presidência do STF têm caráter descritivo e informativo — não constituem, por si só, acusação formal. Cabe ao tribunal definir os próximos passos apuratórios.
O ministro Luiz Fux e o voto contra o Master
Luiz Fux, ministro do STF desde 2011 e atual presidente da Segunda Turma — o colegiado que julga o caso Master —, vê seu nome associado à crise por um caminho que ele próprio ajudou a trilhar: o voto contra os interesses do banco no julgamento do precatório. O gesto, registrado em plenário, é apontado por seus defensores como evidência de independência em meio a uma das investigações mais sensíveis da história da corte.
O caso, porém, mostra como a proximidade entre o universo jurídico de alto valor e os tribunais superiores cria zonas de risco institucional. Um contato que não se concretizou em contrato ainda assim integra relatórios de polícia que circulam pelo país e alimentam a narrativa de promiscuidade entre dinheiro e Justiça — o dano reputacional existe mesmo quando a conduta investigada não se consuma.
O que vem a seguir
A presidência do STF, sob Edson Fachin, analisa os relatórios e discute um procedimento geral para tratar os indícios envolvendo magistrados e familiares citados nas investigações. O banqueiro Daniel Vorcaro segue preso preventivamente, e a Polícia Federal avança nas diligências, com pedidos de prorrogação de prazo já apresentados ao Supremo.
A revelação sobre Rodrigo Fux reforça a pergunta central que atravessa a crise: até onde vai a rede de contatos de Vorcaro dentro do sistema de Justiça — e quais dos contatos registrados se transformaram em contratos, pagamentos ou favores? A resposta definirá o alcance definitivo do escândalo que abalou a mais alta corte do país.
Perfil: Luiz Fux
Luiz Fux é ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2011, indicado pela presidente Dilma Rousseff. Natural de Nova Friburgo (RJ), é filho de imigrantes judeus da Romênia e construiu uma das trajetórias mais academicamente premiadas do Judiciário brasileiro. Foi promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, juiz de carreira, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio e ministro do Superior Tribunal de Justiça antes de chegar ao Supremo — sendo o primeiro ministro de origem judaica da história da corte. Presidiu o Tribunal Superior Eleitoral entre 2022 e 2024, no comando das eleições gerais, e assumiu em 2026 a presidência da Segunda Turma do STF, o colegiado que analisa o caso Banco Master. Professor e autor de obras sobre direito processual civil, Fux é reconhecido pela bagagem técnica e pelo estilo didático de fundamentar decisões. No escândalo do Master, seu voto contra os interesses do banco no julgamento do precatório bilionário é citado como demonstração de independência, enquanto as menções ao filho advogado em relatórios da Polícia Federal seguem em caráter apenas informativo.
Perfil: Rodrigo Fux
Rodrigo Fux é advogado, filho do ministro Luiz Fux, com atuação em causas de alto valor no mercado jurídico brasileiro. Formado em Direito, integra o universo da advocacia consultiva e contenciosa que opera em processos bilionários, incluindo demandas envolvendo precatórios — mercado em que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, atuava com agressividade. Segundo sua assessoria, foi procurado por Vorcaro em 2024 para analisar um caso, mas não assumiu a causa, não celebrou contrato e não recebeu qualquer pagamento. As menções ao seu nome nos relatórios da Polícia Federal têm caráter descritivo, sem configurar acusação formal. O episódio o colocou involuntariamente no epicentro da maior crise institucional do STF, mostrando como a proximidade entre a advocacia de alto valor e os gabinetes da corte é examinada a fundo pelas autoridades.
Fontes
Relatórios da Polícia Federal remetidos à presidência do STF — Operação Compliance Zero | Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro (PF) | Processo da Agro Industrial Tabu — Embargos de declaração sobre precatório bilionário | Julgamento do caso do precatório no STF (junho/2026) | Nota oficial da assessoria de Rodrigo Fux | Agência Brasil — Cobertura da Operação Compliance Zero e do caso Banco Master (2026)
Matéria produzida com base nos relatórios da Polícia Federal remetidos à presidência do STF e nas declarações públicas das defesas envolvidas. Os fatos narrados estão em apuração e não configuram acusação formal.
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