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Em 2026, completam-se 110 anos da Batalha da Jutlândia, o maior confronto naval da Primeira Guerra Mundial. Um dos protagonistas nasceu como projeto brasileiro: o HMS Agincourt, batizado originalmente de Rio de Janeiro.
Brasil queria recuperar prestígio militar
No início do século 20, as Forças Armadas brasileiras estavam atrasadas em relação a países vizinhos como Argentina e Chile, principalmente na Marinha. Em 1913, o almirante Alexandrino assumiu o Ministério da Marinha com um plano ambicioso de modernização da frota.
O Brasil já havia encomendado dois encouraçados a estaleiros ingleses, batizados de Minas Gerais e São Paulo, seguindo o modelo do revolucionário HMS Dreadnought. Um terceiro navio foi projetado para ir além: 14 canhões de 305 milímetros e um custo estimado de 2,7 milhões de libras. Seu nome: Rio de Janeiro.
Crise financeira forçou a venda
Antes mesmo de ficar pronto, o navio apresentou falhas nos sistemas de direção de tiro que não puderam ser corrigidas a tempo. Ao assumir o ministério, Alexandrino enfrentou uma grave crise financeira que inviabilizou os planos de expansão naval. A saída encontrada foi vender a embarcação.
O primeiro comprador foi a Turquia, que rebatizou o navio de Sultan Osman I. Mas a Inglaterra, às vésperas da guerra contra a Alemanha, não deixou o navio sair de seu território.
Inglaterra toma posse do navio
Em 2 de agosto de 1914, soldados britânicos invadiram o estaleiro e tomaram o controle da embarcação. A pequena tripulação turca se rendeu sem resistência.
Dois anos depois, o navio, agora rebatizado de Agincourt, estreou na Batalha da Jutlândia com seus 14 canhões, ajudando a enfrentar a Frota de Alto Mar da Marinha Imperial Alemã em um confronto que envolveu cerca de 100 mil marinheiros.
Fim sem glória
Os britânicos tiveram mais perdas na batalha, mas mantiveram o controle do mar. Depois da Jutlândia, o Agincourt nunca mais entrou em combate.
Um tratado assinado em 1922 pelos vencedores da guerra limitou a construção de novos navios de guerra. Sem uso e já paralisado havia anos, o Agincourt foi vendido a uma empresa privada e desmontado para reciclagem de suas peças. O governo brasileiro chegou a ser procurado para recomprar o navio, mas não demonstrou interesse.
Fonte: CNN Brasil
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