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Ex-secretário de Ciência e Tecnologia desponta como o candidato da bancada do PL no Rio, com aval do núcleo duro da legenda e proximidade com Flávio Bolsonaro
A escolha que selou a disputa
O Partido Liberal fluminense definiu, nos bastidores, que vai priorizar a indicação do deputado estadual Anderson Moraes como o nome da legenda para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo informações que circulam no meio político carioca, Moraes desbancou os demais concorrentes na disputa interna e deve ser oficializado como candidato do partido. A decisão representa uma virada estratégica dentro da bancada, que passa a apostar em um perfil reconhecido pela firmeza e pela discrição administrativa. A expectativa, nos bastidores do Palácio Tiradentes, é de que a articulação se conclua nas próximas semanas.
Moral alto no núcleo duro do PL
O ex-secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação chega ao topo da lista com crédito político acumulado junto ao núcleo duro da legenda no Rio — e, principalmente, junto ao senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República. A proximidade se explica, segundo as articulações internas, pelo papel de Moraes na coordenação da campanha de Rogéria Bolsonaro. Em um partido que concentra o eleitorado bolsonarista fluminense, esse lastro pesa mais do que antiguidade partidária ou volume de votos. O deputado, reeleito em 2022 com mais de 129 mil votos e hoje no segundo mandato, é visto como um operador confiável para momentos de decisão.
Governista de primeira hora
A movimentação acontece em um cenário inédito: Douglas Ruas (PL), eleito governador do Rio após o TSE anular os votos de Anthony Garotinho, ainda preside a Alerj até janeiro e comandará a votação do orçamento do seu primeiro ano de governo. Na prática, o PL negocia a composição do futuro secretariado e a liderança da Casa ao mesmo tempo. Nesse tabuleiro, Jair Bittencourt deve assumir uma das secretarias estratégicas do governo Douglas Ruas. Já para os irmãos Guilherme Delaroli, vice-presidente da Alerj, e Marcelo Delaroli, prefeito de Itaboraí — ambos já cotados para comandar a Casa e até para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado —, o grupo de Ruas também estuda uma secretaria, ainda sem pasta definida.
O perfil austero de quem "não leva desaforo para casa"
Anderson Moraes é conhecido no plenário por usar poucas palavras, ter personalidade forte e responder à altura quando provocado — como aconteceu em trocas de farpas com opositores da Alerj. Não coleciona desafetos, mas também não é tido como o "queridinho" da Casa. À frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação no governo Cláudio Castro, foi reconhecidamente austero e evitou aproximação com o restante do primeiro escalão — postura que, na avaliação de aliados, teria contribuído para que ele passasse incólume pelos escândalos do governo estadual. Em setembro, voltou ao plenário para criticar a transferência da Faetec para o Centro e levantar suspeitas sobre a nova direção da fundação, sinalizando que pretende atuar fiscalizadora, e não apenas governista.
Aliado de peso no tabuleiro estadual
A trajetória de Moraes inclui um episódio que reforça o prestígio junto ao bolsonarismo: em fevereiro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a visita do então secretário ao ex-presidente Jair Bolsonaro, na Papuda, em Brasília — ele estava na lista restrita de aliados com autorização. Deputado de origem conservadora e alinhado ao bolsonarismo, ele agora se projeta para um dos cargos mais visíveis da política fluminense. Se confirmado, o PL passa a controlar simultaneamente o Palácio Guanabara, a federação estadual e a articulação na Alerj — um alinhamento raro na história recente do estado.
Bio — Anderson Moraes
Anderson Luiz de Moraes é servidor público e deputado estadual, reeleito em 2022 com mais de 129 mil votos, uma das votações expressivas da Alerj. Em seu segundo mandato, construiu reputação de parlamentar frontal, defensor de pautas conservadoras e fiscal ativo — tendo, inclusive, apresentado projetos de lei inspirados em experiências de outros estados. À frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, destacou-se pela gestão austera dos recursos públicos e pelo discurso de transformar o Rio em polo tecnológico. Foi também o político autorizado pelo STF a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na Papuda, o que consolidou sua projeção nacional entre o eleitorado da direita.
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