Polícia Civil descarta versão de vereador e aponta ligação de R$ 100 mil com o Comando Vermelho

Corporação rebate afirmação de Salvino Oliveira e aponta que depósitos suspeitos têm origem em empresa instalada dentro do Complexo da Maré

Polícia Civil descarta versão de vereador e aponta ligação de R$ 100 mil com o Comando Vermelho

O Rio de Janeiro voltou a ser palco de um episódio que expõe a perigosa fronteira entre o poder político e o crime organizado. A Polícia Civil do Estado descartou, em nota oficial, a versão apresentada pelo vereador Salvino Oliveira (PSD) de que os R$ 100 mil rastreados em sua conta bancária seriam provenientes de um prêmio concedido pela Organização das Nações Unidas. Para os investigadores, o dinheiro tem origem em movimentações financeiras atípicas com características que apontam para práticas ilícitas.

A operação que prendeu o vereador

No dia 11 de março de 2026, a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada pelo Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), prendeu sete pessoas — entre elas Salvino Oliveira. A operação mirava a estrutura nacional do Comando Vermelho, e o vereador teria sido citado em diálogos como articulador de um acordo para realizar campanha eleitoral dentro de uma comunidade sob domínio da facção. Dois dias após a prisão, o desembargador Marcus Basílio, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, revogou a custódia preventiva do parlamentar.

A versão do vereador e o desmentido da polícia

Após ser solto, Salvino Oliveira gravou um vídeo e voltou ao plenário da Câmara Municipal nesta terça-feira (17), menos de uma semana depois de ter sido detido. Diante das câmeras, afirmou não ter "contato com bandido" e sustentou que o montante identificado como suspeito seria, na verdade, fruto de uma premiação recebida no âmbito da ONU. A Polícia Civil, no entanto, foi categórica ao negar a versão. Segundo a corporação, os valores comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) como movimentação atípica não guardam nenhuma relação com qualquer premiação internacional.

O rastro do dinheiro suspeito

Os investigadores apontam que os R$ 100 mil são resultado de transações realizadas ao longo do segundo semestre de 2024. O que chamou atenção dos fiscais foram 11 depósitos em espécie na conta do parlamentar, além de transferências oriundas de uma empresa de informática instalada dentro do Complexo da Maré, área reconhecida como território sob controle do Comando Vermelho. A investigação mais ampla aponta ainda para uma suposta lavagem de R$ 35 milhões envolvendo os investigados na operação.

Os critérios técnicos do COAF

A Polícia Civil fez questão de esclarecer que premiações, por si só, não configuram automaticamente movimentações suspeitas. A suspeição, conforme explicou a corporação, depende de critérios técnicos e objetivos adotados pelo COAF e por outros organismos de prevenção à lavagem de dinheiro, tanto no Brasil quanto no exterior. Para que uma transação seja enquadrada como atípica, são aplicados parâmetros consolidados, voltados especificamente à identificação de práticas financeiras ilícitas. O departamento ressaltou que toda a metodologia adotada segue padrões reconhecidos internacionalmente.

Transparência e rigor no inquérito

O DGCOR-LD reafirmou que as apurações conduzidas no caso seguem "de forma técnica, isenta e profissional", com todas as diligências necessárias para a conclusão do inquérito. O caso acirra o debate sobre a infiltração do crime organizado nas estruturas políticas do Rio de Janeiro — um Estado que, historicamente, convive com a tensão entre facções criminosas e o exercício do poder público. O partido PSD, por sua vez, acusou as autoridades de uso político da operação, em meio a disputas que envolvem o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro.

A investigação segue em curso. O que os próximos passos do inquérito revelarão sobre a origem do dinheiro e os limites da política carioca permanece, por ora, em aberto.

Fontes: G1 / O Globo / Folha de S.Paulo / O Dia / Consultor Jurídico / Band News / Veja / ICL Notícias

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Por Jornal da República em 18/03/2026
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