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O vice-prefeito de Angra dos Reis, Rubinho Metalúrgico, que também ocupa o cargo de Secretário Municipal de Esportes, participou de uma corrida privada de aniversário na Rod. Rio-Santos com chegada final na Praia da Biscaia e homenageou a organizadora do evento, Eloisa Caetano da Cruz, caseira em uma residência do Condomínio Biscaia e personagem muito citada em denúncias encaminhadas à Polícia Civil e ao Ministério Público por suspeita de fraude em abaixo-assinado e outros episódios de conflito na localidade.

A comemoração ocorreu em uma manhã de sábado, dentro da Área de Proteção Ambiental de Tamoios, em uma praia onde a própria Prefeitura mantém placa com proibições, inclusive quanto ao uso de aparelhos de som. Ainda assim, segundo alguns moradores antigos, o evento teve foguetório, música alta, microfone e concentração de participantes na faixa de areia. Isso, no início da manhã.
Eloisa, corredora amadora há poucos anos, organizou a corrida para celebrar seus 50 anos. O percurso teria ligado o Frade à Biscaia, onde ela reside. A chegada terminou em festa na praia.
A cena, por si só, já levantaria perguntas sobre fiscalização, autorização e uso privado de área pública protegida. Mas a presença de Rubinho — não como espectador discreto, e sim como autoridade que homenageou a aniversariante — deu ao episódio outra dimensão.
Na Biscaia, alguns moradores antigos não viram apenas uma festa. Viram o vice-prefeito prestigiando uma mulher controversa, citada em denúncias formais bastante robustas em documentos comprobatórios, em um evento aparentemente realizado sem demonstração pública das autorizações necessárias.
A pergunta que ficou ecoando depois dos fogos foi direta: por que o vice-prefeito de Angra homenageou uma corredora denunciada por suspeita de fraude, em uma festa privada questionada dentro de uma área ambientalmente protegida?
A festa onde havia proibição
A Praia da Biscaia fica a cerca de 20 quilômetros do centro de Angra dos Reis. É uma localidade turística, residencial e ambientalmente sensível, e está dentro da APA de Tamoios. A placa instalada pela Prefeitura na entrada da praia informa regras e proibições, inclusive sobre aparelhos de som. A área, ao menos na sinalização oficial, é destinada ao descanso e ao lazer.
Na manhã do evento, moradores relatam outra paisagem sonora: fogos, caixas de som, locução em microfone e gritaria em coro.
Um vizinho contou ter acordado assustado com cachorro pulando dentro de casa por causa dos fogos. Outro morador idoso, da região da Praia da Tartaruga, disse ter ido cedo à praia justamente para evitar o barulho que costuma crescer ao longo do dia. Encontrou, segundo ele, uma comemoração já instalada.
Ele pediu para não ser identificado por medo. Disse que, na Biscaia, contrariar determinados grupos é se expor a retaliações pesadas. O morador também se incomodou ao ouvir música cristã durante a festa.
“Usar a fé cristã em benefício próprio não é ser cristão. Cristão de verdade tem que agir como cristão, respeitar o próximo”, afirmou.
A frase não tratava apenas de religião. Tratava de convivência. Para moradores ouvidos, a festa condensou um sentimento antigo: o de que a praia, embora pública e protegida, vem sendo usada como extensão privada de grupos locais em benefício privado, com barulho, intimidação e pouca fiscalização efetiva.
Segundo o mesmo morador, Eloisa e o marido estão envolvidos em inúmeras denúncias de poluição sonora e perturbação da tranquilidade. Até camburão da PM já apareceu para intervir anos atrás.
O risco que não aparece na foto
Nas imagens divulgadas em redes sociais, inclusive no perfil de Rubinho Metalúrgico, o evento aparece como celebração esportiva e aniversário. Fora do enquadramento, especialistas apontam outra questão: uma corrida entre Frade e Biscaia não é uma brincadeira de quintal.
Caso o trajeto tenha usado ou interferido em trecho ligado à BR-101, haveria necessidade de comunicação do evento e autorização prévia da Polícia Rodoviária Federal. A Rio-Santos é movimentada, tem pontos estreitos, curvas, acostamentos irregulares e histórico de acidentes constantes. Uma corrida sem sinalização, apoio operacional e controle de trânsito poderia colocar corredores, motoristas, moradores e banhistas em risco. E pelo vídeo publicado pela rádio Costa Azul, chegavam em certos trechos a ocupar um pista inteira.
Agora, a dúvida deixou de ser apenas especulação.
Em resposta oficial a requerimento administrativo, a Polícia Rodoviária Federal informou que houve, sim, pedido formal de autorização para realização da corrida em rodovia no dia 9 de maio de 2026. Porém, segundo a PRF, o interessado não retornou com a documentação necessária para avaliação da autoridade competente. A corporação respondeu expressamente que não acompanhou, não fiscalizou e não teve ciência prévia da realização da referida corrida. Também informou que não houve autorização para a realização do evento.
A PRF registrou ainda que a solicitação existente mencionava percurso do Frade à Praia da Biscaia, em Angra dos Reis, mas deixou claro que não houve envolvimento da Polícia Rodoviária Federal, ou seja, não houve escolta, bloqueio, orientação de trânsito ou qualquer medida de segurança viária por parte do órgão federal.
O perigo não é teórico. Um grupo de corredores na beira da estrada, uma travessia sem orientação, um motorista surpreendido ou um trecho sem isolamento podem transformar uma comemoração em atropelamento.
A festa na praia também levanta dúvidas. O uso da faixa de areia para evento privado, com som, microfone e concentração de pessoas, deveria passar pela autorização prévia e fiscalização de Posturas. O uso de fogos, pela natureza do risco, pode exigir autorização ou ciência do Corpo de Bombeiros. E, por ocorrer dentro da APA de Tamoios, a atividade também deveria respeitar normas ambientais sobre ruído, perturbação e uso de área protegida.
Moradores questionam se essas autorizações existiram. Até o momento, não há demonstração pública de que a corrida, o uso da praia, o som e os fogos tenham sido liberados pelos órgãos competentes. A Postura, consultada preliminarmente, parecia não saber do evento. Bombeiros também teriam sido acionados para esclarecimentos.
Nas fotos e vídeos publicados por participantes em seus stories, não se vê nenhuma viatura da PRF acompanhando o percurso. Segundo a própria resposta da PRF, de fato não houve envolvimento da corporação no evento.
A ausência de autorização é parte da notícia. Porque, se não houve autorização, o vice-prefeito não apenas esteve em uma festa barulhenta. Esteve em um evento potencialmente irregular, em área ambientalmente sensível, com possível risco viário e ambiental.
E não só esteve. Segundo imagens postadas nas redes sociais, havia um carro com equipamento de filmagem acompanhando o evento e registrando Rubinho correndo ao lado da caseira. Moradores querem saber se o veículo era particular, de apoiadores, da organização ou se poderia ter alguma vinculação com estrutura pública.
Também chamou atenção de moradores o fato de que, segundo relatos, tanto o vice-prefeito quanto a aniversariante e outros participantes não teriam mantido publicações permanentes sobre o evento em suas redes sociais, limitando-se a registros temporários, como stories. A circunstância, por si só, não comprova irregularidade, mas reforça a necessidade de preservação de vídeos, fotos, postagens, marcações e arquivos originais.
A homenagem controversa
Rubinho, por ocupar cargo público — e também a Secretaria Municipal de Esportes, pasta diretamente relacionada a eventos esportivos no município — não é um convidado comum. Quando um vice-prefeito comparece, posa, homenageia e publica, sua presença funciona como chancela. E, na Biscaia, alguns moradores querem saber o que exatamente foi chancelado.
Um morador antigo reagiu com ironia ao saber da homenagem: “Homenagem por correr?”
“Homenagem de quê? Queria saber o que ela fez de bom para a sociedade. Aqui, só faz bem para quem lhe convém.”
A frase traduz o incômodo central da reportagem. O problema não é Eloisa comemorar aniversário. O problema é uma autoridade municipal homenagear uma personagem controversa, em um evento questionável, em uma área protegida e com histórico de conflitos que já chegaram às autoridades. Ela aparece em denúncias formais encaminhadas à Polícia Civil e ao Ministério Público. Entre os pontos mais graves está a suspeita de fraude em um abaixo-assinado usado contra uma moradora da localidade.
O abaixo-assinado sob suspeita
O caso mais grave envolvendo Eloisa é o abaixo-assinado que teria sido usado contra uma moradora da Biscaia. O documento se apresentava como manifestação de “moradores da Biscaia”. Segundo denúncias enviadas à Polícia Civil - com um relatório analítico com centenas de páginas ao total, porém, a realidade seria bem diferente.
A lista tinha 86 assinaturas. Menos de 30, segundo levantamento documental anexado às denúncias, seriam de pessoas efetivamente residentes na localidade — a quase totalidade desafetos e parentes destes. Entre os demais nomes haveria funcionários de pousadas e bares, moradores de outras regiões e até pessoas de fora do estado, como um turista de Recife.
O problema não estaria apenas na composição da lista. Declarações encaminhadas à polícia afirmam que parte dos signatários não teria sido informada corretamente sobre a finalidade do documento. Para alguns, o abaixo-assinado teria sido apresentado como pedido de melhorias para a praia. Para outros, o cabeçalho teria sido diferente ou sequer exibido. Depois, o material teria sido usado como se representasse uma mobilização comunitária contra uma moradora específica.
Uma veranista com casa na região declarou que Eloisa foi à sua residência acompanhada do filho, então menor de idade, para colher assinaturas. Segundo essa declaração, Eloisa fez acusações graves contra a moradora alvo do documento. A veranista, que à época não conhecia a acusada, assinou junto com o companheiro acreditando agir de boa-fé.
Mais tarde, ao tomar conhecimento do contexto, afirmou ter se sentido enganada. A declaração foi anexada à comunicação enviada à Polícia Civil.
A suspeita é pesada: um documento apresentado como manifestação comunitária teria sido inflado com pessoas de fora da localidade e, em parte, obtido mediante indução a erro. Se confirmado, o episódio pode configurar fraude documental e outros ilícitos a serem avaliados pelas autoridades.
Segundo juristas consultados, a gravidade do abaixo-assinado não estaria apenas na forma como as assinaturas teriam sido colhidas, mas no próprio conteúdo do cabeçalho apresentado. O texto, ao atribuir à vizinha a prática de crimes e condutas desabonadoras sem apresentar prova, decisão judicial ou procedimento conclusivo que sustentasse tais acusações, poderia configurar, por si só, uma peça potencialmente ilícita.
Para esses especialistas, um abaixo-assinado não autoriza particulares a imputarem crimes a uma pessoa como se estivessem diante de fato comprovado. Quando esse tipo de documento circula entre moradores, comerciantes, funcionários e terceiros, produzindo dano à reputação da pessoa acusada, deixa de ser mera manifestação comunitária e pode se aproximar de uma campanha difamatória formalizada por escrito.
Segundo os mesmos, o documento estaria repleto de situações suspeitas, como ex.uma esposa assinando pelo marido - sem o conhecimento dele, o que poderia indicar suposta falsificação de assinatura. A suspeita é de que algumas assinaturas apresentariam semelhança gráfica perceptível, ponto que caberá às autoridades apurar tecnicamente.
É essa a aniversariante que recebeu homenagem pública de Rubinho na Praia da Biscaia.
A política entra na praia
A presença do vice-prefeito incomodou também por seu histórico em discussões sobre o uso turístico da Biscaia e região adjacente. Antes de chegar ao Executivo, Rubinho foi envolvido, junto com outros vereadores, Charles do INSS e Chapinha do Sindicato, em denúncias encaminhadas ao Ministério Público Federal relacionadas a operações irregulares de turismo náutico na região. Surrealmente Chapinha publicou o vídeo do ocorrido.
Segundo essas denúncias, ele teria participado de movimentações políticas para flexibilizar regras de embarque e desembarque de barcos e escunas turísticas na Biscaia após decisão da Justiça Federal que restringiu operações consideradas irregulares na área. Também teria sido autor junto com Charles em proposta legislativa vista por denunciantes como tentativa de reduzir os efeitos práticos da decisão judicial, proposta aprovada rapidamente na Câmara Municipal.
O arquivamento de parte das comunicações pelo MPF não encerrou a controvérsia entre moradores que denunciam o que chamam de turismo predatório. Para eles, a Biscaia continua submetida a uma combinação de pressão econômica, omissão efetiva fiscalizatória e influência política explícita. A praia sofreu grave degradação ambiental, reconhecida em sentença judicial, conforme os autos da ACP.
Nesse contexto, a imagem de Rubinho homenageando Eloisa, estritamente ligada a operadores desse tipo de turismo não foi vista como coincidência. Foi lida como mais um gesto de proximidade entre o poder local e personagens associados, nas denúncias, ao uso desordenado da praia.
A Biscaia, afinal, não é apenas cenário. É objeto de disputa política.
O evento que exige explicações
A Prefeitura de Angra dos Reis precisa informar se autorizou o uso da faixa de areia para a corrida e a comemoração. A fiscalização de Posturas precisa esclarecer se houve pedido formal para som, microfone e ocupação da praia. O Corpo de Bombeiros precisa esclarecer se houve autorização ou ciência sobre os fogos. E os órgãos ambientais devem informar se uma festa privada com ruído e pirotecnia é compatível com as regras da APA de Tamoios.
A PRF, por sua vez, já respondeu: houve pedido, mas sem retorno com a documentação necessária; não houve autorização; não houve acompanhamento; não houve fiscalização; e não houve envolvimento da corporação no evento.
Rubinho também precisa responder. Participou como autoridade, como Secretário Municipal de Esportes ou como convidado pessoal? Sabia das denúncias contra Eloisa? Conhecia a suspeita de fraude no abaixo-assinado? Verificou se o evento tinha autorização? A homenagem foi institucional ou particular? Sabia que a PRF não havia autorizado a corrida? Houve uso de estrutura pública, veículo público, servidor, equipe de comunicação ou qualquer apoio da Secretaria de Esportes? A homenagem foi concedida por sua Secretaria?
Eloisa, por sua vez, precisa esclarecer se solicitou as autorizações necessárias, como organizou o percurso, quem apoiou a estrutura, por que houve fogos e som em área com placa de proibição e como responde à suspeita de fraude no abaixo-assinado. E principalmente por ter conhecimento da obrigatoriedade prévia de autorização da PRF e não o fez, e mesmo assim procedeu com o evento. Mas a Radio Costa Azul publicou o vídeo em suas redes sociais.
Sem essas respostas, o episódio permanece como retrato incômodo: uma festa privada em praia protegida, uma homenageada controversa, moradores antigos incomodados e o vice-prefeito no centro da fotografia.
As outras denúncias
Além do abaixo-assinado, Eloisa e o marido são citados em outros registros encaminhados a autoridades, envolvendo perturbação sonora, calúnia e difamação, intimidação e conflitos com moradores que denunciam a degradação da praia ou que possuem contendas contra seus patrões e amigos do grupo local a que pertence – grupo este que se beneficia diretamente do que chama turismo predatório. Esses episódios não são o foco desta reportagem, mas ajudam a explicar por que a homenagem causou indignação entre parte dos moradores.
Para os moradores críticos, a corrida não foi apenas uma festa. Foi um gesto de força em um território onde quem reclama diz se sentir desprotegido.
A ligação que leva a outra controvérsia
Há ainda um pano de fundo que amplia o desconforto. Eloisa trabalha como caseira ligada à residência de um médico espanhol na Biscaia — personagem já citado em outra reportagem do Jornal da República sobre controvérsias envolvendo a Defesa Civil de Angra, a Polícia Federal, uma árvore em propriedade privada, um deck construído sobre faixa de areia e investigações ambientais que se arrastam há mais de uma década.
Nessa reportagem, o jornal mostrou que a operação para retirada de uma árvore em terreno de uma moradora ocorreu a pedido da esposa do médico, sem comunicação prévia à proprietária, segundo a publicação, e em meio a dúvidas sobre procedimentos administrativos e ambientais.
Essa conexão não torna Eloisa responsável por todos os episódios envolvendo seus patrões. Mas ajuda a entender por que sua homenagem por Rubinho foi recebida com risos e desconfiança por moradores antigos. A caseira homenageada não aparece isolada. Ela está inserida em uma rede de relações locais que atravessa algumas pousadas com inúmeras denúncias, casas de alto padrão, disputas ambientais, turismo predatório, uso da faixa de areia, denúncias formais e atuação questionada do poder público.
Segundo uma testemunha e vídeos apresentados às autoridades, Eloisa Caetano da Cruz e o marido, Jair Francisco da Cruz, aparecem recolhendo móveis do deck irregular antes da chegada da Defesa Civil ao terreno vizinho. A sequência levantou suspeitas entre moradores: premonição ou conhecimento prévio da operação?
O estranhamento aumentou durante a tentativa de corte da árvore, quando, segundo a mesma testemunha e vídeos apresentados, funcionários da Defesa Civil teriam ignorado completamente a proprietária do imóvel, que tentava suspender a intervenção em seu próprio terreno.
Em resposta a ofício encaminhado pela vizinha proprietária, a Defesa Civil não teria conseguido justificar nem um pouco de forma satisfatória a ação. Moradores e pessoas que acompanham o caso suspeitam de possível interferência política, diante de uma série de circunstâncias: a recusa do secretário de Defesa Civil em atender a proprietária, apesar do dever legal; o comportamento de sua secretaria, que teria desligado o telefone varias vezes quando questionada tecnicamente; a postura considerada incomum dos agentes no dia da tentativa de retirada da árvore; o relatório do corte apresentado pela DC consta foto retirada da área interna da casa do espanhol – demostrando contato da equipe com integrantes da residência depois de terem ignorado a proprietária do terreno; e a aparente ausência de processo administrativo regular que fundamentasse a remoção.
Soma-se a isso o fato de que, antes da chegada da equipe da Defesa Civil, os caseiros teriam retirado móveis do deck já apontado como irregular e com ordem de demolição pelo INEA desde 2023. Mesmo após denúncias ao Ministério Público Federal, a estrutura permanece no local. Procurado, o INEA também não teria explicado por que multas diárias não foram aplicadas nem por que não foi providenciada a demolição administrativa.
O entorno de Eloisa também ajuda a compor o ambiente político e social da controvérsia. Ela é cunhada do também controverso padre Gilson Cruz, irmão de Jair Francisco da Cruz, religioso que se envolveu em episódio polêmico no bairro do Frade, onde era pároco. O caso, descrito como uma briga de natureza amorosa envolvendo o namorado de um cabeleireiro, terminou em agressões e levou os envolvidos à delegacia local. Depois do episódio, Gilson foi transferido para Itaguaí. O padre aparece em diversas fotos ao lado da deputada estadual e ex-primeira-dama Célia Jordão e o ex-prefeito Fernando Jordão, de quem é se diz amigo.
Gilson também foi duramente criticado durante a pandemia. Em pleno lockdown decretado pela Prefeitura, teria burlado as restrições sanitárias ao participar de uma procissão de Corpus Christi - registrada em vídeos, enquanto a cidade enfrentava o drama de pacientes morrendo sufocados nos hospitais. Para antigos conhecidos, o episódio se somou a outras controvérsias. Segundo um ex-colega de seminário, sua ascensão na hierarquia religiosa teria sido vista como estranhamente meteórica.
Embora não esteja diretamente relacionado ao evento da Biscaia, o parentesco amplia o retrato de uma rede local de relações políticas, religiosas e familiares que orbita os personagens centrais da controvérsia.
A imagem que ficou
Quando os fogos terminaram, a Praia da Biscaia voltou ao som do mar. Mas a imagem política permaneceu: Rubinho Metalúrgico, vice-prefeito de Angra dos Reis e Secretário Municipal de Esportes, homenageando uma caseira controversa, denunciada por suspeita de fraude em abaixo-assinado e supostamente envolvida em inúmeros conflitos, durante uma festa privada questionada dentro de uma área ambientalmente protegida.
Na entrada da praia, a placa da Prefeitura dizia o que não podia. Na areia, segundo moradores, aconteceu o contrário.
E agora há um dado oficial: a PRF afirma que não autorizou, não acompanhou e não fiscalizou a corrida, apesar de existir solicitação de autorização sem a complementação documental necessária.
Quem deveria fiscalizar, segundo moradores, estava envolvido — ou, no mínimo, próximo demais para não explicar.
No meio da contradição estava o vice-prefeito. E agora, mais do que nunca, alguns moradores dizem ter suspeitas fundadas.
Angra cada vez mais dos oportunistas, não dos Reis, dizem alguns moradores. Que triste fim.
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