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Foto: Erica madrinha, Hugo Paizão, Mc copinho, Roberto Gonzales, Robinho Barber, Barber Loory e Kaylane
A Grande Final da Batalha dos Barbeiros Brasil ocupou o Festival Favela Cria neste 1º de novembro de 2026, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio. Depois de percorrer o país, a competição coroou seus campeões diante de um público que ocupou o espaço onde a cultura favelada voltou a ser protagonista.
"É sensação de dever cumprido. Foram 14 etapas até a final, e na final a gente conseguiu reunir todos os campeões. Para mim é uma honra estar aqui e poder celebrar junto com eles", afirmou Erica Nunes, madrinha da competição.
A estrutura da batalha
A disputa se organizou em três categorias técnicas, cada uma com um dia de prova: corte, reflexo alinhado e desenho. Os vencedores de cada etapa regional garantiram vaga na decisão carioca, o que explica a concentração de talentos em um único palco.
| Categoria | Campeão | Destaque |
|---|---|---|
| Top fade livre | Lorrane | Técnica de degradê e acabamento |
| Reflexo alinhado | Tailane (Kailane) | Precisão de linha e simetria |
| Desenho | Robinho | Corte artístico autoral |
O nível técnico foi o que chamou a atenção do público. Entre as apresentações, um corte artístico temático de Halloween levou o primeiro lugar na avaliação dos jurados.
Quem sustenta o projeto
Ao lado de Erica está Hugo, seu marido e padrinho da equipe. A dupla comanda a competição desde a primeira etapa, e ele fez questão de avisar que o calendário não terminou.
"Uma satisfação enorme, como ela disse, sensação de dever cumprido. E vamos nessa. Não parou aqui não, até dezembro ainda temos mais por aí", anunciou.
A avaliação ficou a cargo de uma banca de jurados. "É uma grande satisfação estar com vocês e com essa batalha maravilhosa que todo mês tem. A gente está aqui para julgar o melhor. E o vencedor sempre é o melhor para nós", disse Roberto, um dos juízes.

A novidade que ela não quis contar inteira
Questionada sobre 2027, Erica desconversou — mas deixou pistas. "Ano que vem sempre tem novidade, mas a surpresa eu não vou contar."
A insistência da reportagem sobre uma possível linha de produtos arrancou a confirmação mais direta. "Tá acontecendo." E veio o recado: "Barbeiros, se preparem, que novidade está chegando."
O festival onde a batalha aconteceu
A final foi realizada dentro da primeira edição do Festival Favela Cria, que ocupou a Praça Marechal Âncora entre 30 de outubro e 2 de novembro, das 14h às 22h, com entrada gratuita e cerca de 15 mil pessoas por dia — 60 mil no total.
A programação reuniu dois palcos, circuito de exposições, galeria, feira de moda, gastronomia, literatura, grafite, batalhas de rima e slam. O line-up trouxe nomes como MC Hariel, NandaTsunami, Tasha & Tracie, Duquesa e Ebony.
O festival foi realizado por quatro instituições nascidas na favela. Um dos idealizadores, o ativista Raull Santiago, resumiu o propósito do projeto ao explicar que a ideia surgiu há quatro anos, do desejo de mostrar que a favela "não é apenas um território de carência, mas também um lugar de criatividade e inovação".
O simbolismo do endereço não é acidental. O Centro do Rio é onde nasceu o Morro da Favela, que deu nome a todos os morros do país. Levar a arte produzida nessas comunidades de volta à região central é um gesto de retomada territorial e simbólica.
A barbearia como indústria
A atenção que a Batalha dos Barbeiros recebe no festival reflete um movimento econômico concreto. O setor de barbearia deixou de ser prestação de serviço informal para se tornar cadeia produtiva com escolas de formação, campeonatos, marcas próprias e distribuição de insumos.
A cultura barber ocupa hoje o mesmo papel social que o hip-hop ocupou nos anos 1990: uma porta de entrada empreendedora para jovens de periferia, com baixo investimento inicial e alta possibilidade de crescimento. Muitos competidores da batalha comandam seus próprios salões.
O encerramento no palco
No fechamento da cobertura, a reportagem chamou todos os profissionais presentes para a foto oficial. O clima misturou disputa técnica e celebração coletiva — algo que o formato da competição favorece, porque reúne campeões que normalmente competiriam entre si em vez de dividir o mesmo palco.
"Valeu. Vamos tirar uma foto aí, galera. Junta aí."
Bio de Erica Nunes
Erica Nunes é a Madrinha dos Barbeiros e uma das principais articuladoras da cultura barber no Brasil.
Comandou a Batalha dos Barbeiros Brasil desde a primeira edição, construindo um circuito que percorreu o país em 14 etapas até a grande final realizada no Festival Favela Cria, na Praça Marechal Âncora, no Centro do Rio, em novembro de 2026. Sua trajetória se confunde com a profissionalização do setor: transformou uma competição de talentos em plataforma de formação, visibilidade e valorização de profissionais que atuam nas periferias, e criou um formato em que campeões regionais se enfrentam em provas técnicas específicas — corte, reflexo alinhado e desenho.
Ao lado do marido e padrinho da equipe, Hugo, sustentou um calendário mensal que ganhou escala nacional e passou a integrar o line-up de um dos maiores festivais de cultura periférica do país, ao lado de batalhas de rima e slam.
É reconhecida no meio como referência de gestão de comunidade: sob sua condução, a batalha deixa de ser disputa isolada e se torna rede, com jurados técnicos, premiação por categoria e continuidade entre edições.
Em 2026, anunciou que o calendário segue até dezembro e que 2027 reserva novidades — incluindo uma linha de produtos próprios, ainda sem detalhes revelados. "Sensação de dever cumprido.
Foram 14 etapas até a final, e a gente conseguiu reunir todos os campeões", resumiu. Instagram: @batalhadosbarbeirosbr.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.
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