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Presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear, Julio Lopes afirma que é melhor prevenir hoje para não colapsar amanhã. Impacto financeiro total das demências no Brasil em 2026 impulsionado pelo Alzheimer, é estimado em aproximadamente R$ 96,7 bilhões anuais
O diagnóstico da doença de Alzheimer foi essencialmente clínico durante décadas. O médico avaliava os sintomas, realizava testes cognitivos, solicitava exames para excluir outras causas e acompanhava a evolução do paciente. Embora essa avaliação continue indispensável, havia uma complicação: a enfermidade era descoberta pelas consequências e não pelos processos biológicos que a caracterizam. A introdução da medicina nuclear mudou esse cenário, tornando possível observar as alterações moleculares dentro do cérebro. Por ser uma doença neurodegenerativa progressiva, ela compromete inicialmente a memória e, em seguida, a linguagem, o raciocínio, o comportamento, a autonomia e a capacidade de realizar atividades do dia a dia; sendo responsável por cerca de 70% dos casos de demência.
Diante desse quadro, o presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear, deputado Julio Lopes (PP), vai cobrar do Ministério da Saúde a implementação de uma política pública nacional para o uso da energia nuclear no enfrentamento do Alzheimer. Segundo o parlamentar, no Brasil cerca de 1,8 milhão de pessoas com 60 anos ou mais convivem com algum tipo de demência, sendo a doença de Alzheimer a principal delas.
- Especialistas e órgãos como a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ) sinalizam que cerca de 80% dos casos de demência no país continuam sem um diagnóstico formal, o que significa que o número real de pessoas em tratamento ou que necessitam dele é consideravelmente maior. É estimado ainda que 8,5% da população brasileira com 60 anos ou mais apresente quadros de demência, fazendo com que o número de diagnósticos salte para 5,7 milhões até 2050", alerta.
O parlamentar lembra também que o Brasil domina a medicina nuclear e produz radiofármacos, mas o paciente do SUS não tem acesso. Além disso, o país conta com uma Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e outras demências, instituída em 2024. O desafio é transformar suas diretrizes em cuidados efetivamente acessíveis.
- Por isso estamos defendendo e cobrando que o Governo Federal estruture uma Política Nacional de Medicina Nuclear no âmbito do SUS com a formação de profissionais, o que irá garantir prevenção, diagnóstico precoce e tratamento digno. Não dá para ter a solução e não entregar para quem precisa", afirma.
Julio destaca ainda que o custo mensal do tratamento para o Alzheimer em estágio inicial no Brasil, mesmo com a entrada de novos medicamentos modificadores da doença, fica entre R$8.108,94 a R$ 11.075,62 mensais, podendo ser maior dependendo do peso do paciente, do número de doses e dos impostos estaduais
- É aí que entra o tratamento através da medicina nuclear. O Alzheimer é uma doença gravíssima que debilita o paciente, já que o portador sofre muito devido ao seu descontrole corporal. Dentro desse contexto, o maior aliado do paciente é a medicina nuclear, pois com sua tecnologia tem enorme capacidade de melhorar muito a qualidade de vida. Além disso, ela é a que melhor atende inúmeros tipos de tratamento, como o câncer e as doenças raras e crônicas", disse.
O deputado tem ciência de que o Ministério da Saúde não investe diretamente no tratamento do Alzheimer na ponta e não possui um valor único e isolado na Lei Orçamentária Anual, mas ele atua de forma decisiva em quatro frentes que definem o futuro da doença no Brasil: no estudo epidemiológico, no diagnóstico precoce, na incorporação de novos tratamentos e na regulamentação de testes clínicos. E é exatamente isso que a Frente Parlamentar de Energia Nuclear vai cobrar.
- O que estamos querendo é melhorar a atuação do Ministério, já que o impacto financeiro total das demências no Brasil impulsionado pelo Alzheimer está estimado, através de estudos socioeconômico, em aproximadamente R$ 96,7 bilhões anuais, englobando tanto os custos diretos do sistema de saúde quanto os custos indiretos como o cuidado informal prestado por familiares. Se o diagnóstico for cedo, com o uso da medicina nuclear como o PET amiloide, a gente trata melhor, cuida da família, reduz custo para o SUS e previne um aumento explosivo da doença com o envelhecimento da população. É prevenir hoje para não colapsar amanhã", finaliza Julio.
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