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Deputado federal do PL-RJ e pastor evangélico, ele participou do último ato da campanha na Barra da Tijuca ao lado da filha, a deputada estadual reeleita Giselle Monteiro, e criticou a fala de Lula sobre a polícia: "se acaba com a polícia, as facções batem palma"
A Praça do Ó, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, recebeu na tarde deste sábado (24) o último ato de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, marcado para este domingo (25). A concentração começou às 14h e, segundo a descrição da imprensa, apoiadores lotaram a praça e ocuparam as pistas da orla ao longo da praia. Entre os presentes estava o deputado federal Roberto Monteiro Pai (PL-RJ), que concedeu entrevista ao Jornal da República Online ao lado da filha, a deputada estadual reeleita Giselle Monteiro (PL), e falou em tom de celebração religiosa sobre o resultado que projeta para a votação.
Pastor evangélico, o deputado abriu a entrevista tratando o momento como experiência espiritual antes de qualquer análise política. Disse que tudo o que se via no plano físico na orla carioca era "extremamente emocionante" e que o país atravessava um instante de virada. A fala, marcada por referências bíblicas e afirmações de fé, foi construída como um discurso de consagração — e não como um balanço eleitoral.
A provocação do debate e a leitura religiosa do pleito
Monteiro Pai escolheu como ponto de partida do relato o debate da TV Globo da noite anterior, sexta-feira (23). Ele destacou o momento em que o senador respondeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após uma sequência de recomendações para que os telespectadores consultassem a internet. Lula citou a plataforma de buscas em ambos os debates, nove vezes só no da Globo. O senador então questionou: "Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou é o Google?"
Para o deputado, o episódio resume o que considera ser a fragilidade argumentativa do adversário. Ele tratou o presidente com dureza e afirmou que a idade avançada e a perda de raciocínio impedem a continuidade do governo. É uma linha de ataque que o campo bolsonarista explorou durante toda a campanha e que o entrevistado levou para o terreno da fé: disse que Deus "girou a chave" e que o resultado de domingo consagrará o senador.
O deputado também projetou o cenário para além da capital fluminense. Segundo ele, o movimento não se restringe ao Rio de Janeiro e alcança "o Brasil inteiro", que, na avaliação dele, vive um momento festivo.
A afirmação convive com o quadro das pesquisas divulgadas na véspera: o Datafolha de 22 de outubro apontou 50% a 50% nos votos válidos, a Quaest de 21 de outubro registrou 45% para Flávio e 44% para Lula dentro da margem de erro, o PoderData de 22 de outubro indicou 51% a 49% para o senador nos válidos, e o RealTime Big Data de 23 de outubro marcou 52% a 48% também nos válidos.
A crítica à fala sobre a polícia e a reação ao avanço das facções
O ponto mais incisivo da entrevista foi a declaração de Lula no debate sobre segurança pública.
Ao defender a criação de um Ministério da Segurança e a aprovação da PEC da Segurança, o presidente se atrapalhou e disse que "o governo vai acabar com a polícia e deixar o território livre". A campanha do presidente classificou a frase como erro de concordância.
Monteiro Pai não aceita a explicação. Para ele, a declaração revela o que considera ser a intenção real do campo governista, e a consequência seria a de entregar o território ao crime organizado.
O deputado resumiu o argumento em uma imagem direta: se a polícia acaba, "as facções batem palma" e os presídios também. A formulação é a mesma que outros parlamentares bolsonaristas usaram no sábado, o que mostra uma coordenação de discurso na reta final.
Vale o contexto que sustenta essa crítica no campo da segurança pública.
No mesmo debate, o senador prometeu classificar milícias, Comando Vermelho e PCC como organizações narcoterroristas já no primeiro dia de eventual governo, com endurecimento de penas e condenações que poderiam chegar a 80 anos para chefes dessas organizações.
Fé, família e a "bancada" Monteiro
A entrevista foi concedida com a filha ao lado, e o enquadramento familiar não foi acidental. Monteiro Pai se apresenta como "pai do Gabriel" e da deputada reeleita Giselle, e transformou a política em extensão de um projeto religioso. A deputada estadual foi reeleita neste mês com 44.532 votos, o equivalente a 0,51% dos votos válidos no estado, e cumprirá o segundo mandato consecutivo na Alerj.
O arranjo familiar ganhou notoriedade em 2022, quando o então vereador Gabriel Monteiro teve o mandato cassado em meio a denúncias de abuso sexual — acusações que ele sempre negou. Mesmo cassado e inelegível, o ex-vereador elegeu o pai e a irmã naquele ano.
O ato que fechou a campanha no reduto fluminense
O evento da Barra foi o segundo compromisso de rua do senador no dia. Pela manhã, participou de motociata em Belo Horizonte e de ato na Praça da Liberdade, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos).
No Rio, chegou ao local por volta das 16h e percorreu com apoiadores o trajeto da Praça do Ó até a porta do condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém residência.
O ato teve ainda a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, dos senadores eleitos Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL-RJ, além de Nikolas e Cleitinho.
A cobertura registrou apoiadores com bandeiras de Israel, máscaras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e caixões de papelão com adesivos do PT — elementos que se tornaram marca visual dos atos do campo bolsonarista. Flávio discursou brevemente e disse aos presentes que eles "estão fazendo parte dessa história".
Quem é Roberto Monteiro Pai
Roberto Luiz Rodrigues de Oliveira, conhecido como Roberto Monteiro Pai, nasceu no Rio de Janeiro em 8 de dezembro de 1956. Pastor evangélico com ensino superior incompleto, construiu a trajetória pública nos púlpitos antes de chegar ao Congresso, e mantém o vocabulário religioso como base de sua comunicação política.
Foi eleito deputado federal pelo PL-RJ em 2022 com mais de 93 mil votos, assumindo o mandato em 1º de fevereiro de 2023. Na Câmara, é titular da Bancada Negra desde novembro de 2023, foi suplente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e atua também na Comissão de Defesa do Consumidor e na Comissão Externa sobre municípios que perderam recursos do FPM. É casado e tem como principal capital político a proximidade com o eleitorado evangélico fluminense.
A filha, Giselle Monteiro, psicóloga, divorciada e mãe de uma menina, foi reeleita deputada estadual com 44.532 votos e segue na Alerj.

Por Ralph Lichotti e Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos, @djportugues
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