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Os jornais Última Hora e Jornal da República estiveram no coquetel de comemoração da nova unidade da Clínica Transformação, na Barra da Tijuca, que reuniu médicos, amigos e colaboradores convidados por Paola Ferreira.
Entre os presentes, a influenciadora digital Raquel Minelli, conhecida como Raka, que avaliou a estrutura sob o olhar de quem vive a rotina de investigação diagnóstica dos próprios filhos.
"Gostei muito, quero parabenizar todos os responsáveis. É superimportante acolher as crianças que precisam de um ambiente desse, onde esteja tudo interligado, com profissionais competentes e adequados para a área", afirmou.
"Eu tenho dois filhos com determinadas condições — um tem TDL, então fazendo avaliação neuropsicológica, tem um TDAH com habilidades. Às vezes a gente, como mãe, sabe o que passa."
O que significam TDL e TDAH
Os diagnósticos que Raka menciona integram o mesmo campo: transtornos do neurodesenvolvimento, com origem biológica e manifestação precoce.
O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é marcado por padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção, a prevalência fica entre 3% e 5% das crianças em idade escolar, com forte componente hereditário e predominância de diagnósticos no sexo masculino.
Já o TDL (Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem) afeta a aquisição e o uso da linguagem, sem que haja causa identificável como perda auditiva ou deficiência intelectual. O quadro é frequentemente confundido com desatenção, timidez ou "preguiça" — o que explica diagnósticos tardios.
| Quadro | Características centrais | Faixa etária típica de diagnóstico |
|---|---|---|
| TDAH | Desatenção, hiperatividade, impulsividade | 5 a 9 anos |
| TDL | Atraso persistente na linguagem, sem causa aparente | 2 a 5 anos |
| TEA | Déficits em comunicação social e padrões repetitivos | 5 a 9 anos |
| Dislexia | Dificuldade específica na leitura | 6 a 9 anos |
Em 2022, o Sistema de Informações Ambulatoriais registrou 229.872 atendimentos de crianças com diagnóstico de TDAH no Brasil — com 88,46% concentrados em clínicas especializadas e apenas uma fração residual na atenção básica e nos CAPS.
O dado revela o modelo de acesso do país: quem depende do sistema público raramente chega ao diagnóstico.
"Um ambiente que acolhe os pais"
O ponto mais contundente da entrevista foi a defesa do cuidado com quem cuida. "É um ambiente que acolhe os pais também, porque a gente sabe o quanto a mãe, nessa situação, levando para cima e para baixo, sofre.
Às vezes eles precisam também ser servidos — eles estão sempre servindo. Ter esse carinho, esse cuidado é importante."
A afirmação encontra lastro em pesquisa acadêmica brasileira. Revisão bibliográfica publicada em 2025 na Revista Foco sobre saúde mental de mães atípicas aponta "elevada sobrecarga emocional e física, manifestando sintomas de estresse, ansiedade, depressão, culpa e solidão".
Estudo com 77 mães de crianças com autismo identificou 86% com sintomas de estresse, com predominância de manifestações psicológicas.
Outro artigo, publicado neste ano na Revista OWL, trata justamente da "invisibilidade da saúde mental das mães de crianças com TEA", apontando a fragilidade das redes de apoio como fator de adoecimento.
A literatura converge em um ponto: a rede de suporte — familiar, social e profissional — é determinante para a saúde materna.
O tempo das terapias e a vida que se reorganiza
Raka dimensionou o custo prático da rotina terapêutica. "As crianças precisam de muito tempo para isso. Tem mães que deixam seus filhos aqui por cinco horas, quatro horas, porque são várias terapias a serem feitas."
A constatação tem consequência operacional: quando as terapias são dispersas por diferentes endereços, o dia inteiro da família se organiza em função do trânsito.
A concentração de especialidades em um único espaço libera tempo — e a influenciadora enxergou aí uma possibilidade concreta. "Você, como mãe, tem um espaço onde possa de repente trabalhar ali em um home office, ou ter um ambiente para você também estar relaxando.
É muito importante. Aqui embaixo tem vários outros serviços que o pai e a mãe podem descer e usufruir."
"Eu não me considero uma mãe atípica"
Num gesto de humildade que chamou atenção, Raka recusou o rótulo. "É difícil. Eu não me considero uma mãe atípica, porque falo que outras mães devem sofrer muito, porque não é fácil.
Eu tenho um filho que não tem autismo, mas estou na luta para entender o diagnóstico dele, que talvez possa ser um possível TDL, fechando diagnóstico esta semana."
E apontou a barreira que a pesquisa também descreve: o preconceito dentro de casa. "É muita informação e tanto preconceito que muitas mães sofrem não só de pessoas que não conhecem a gente, mas também de pessoas da família, que às vezes acham que é bobeira, ou é falta de educação. E a gente sabe que não é."
O diagnóstico como libertação
A frase mais forte veio no encerramento. "Quando a gente recebe um diagnóstico, é meio que libertador. E eu só falo isso, mãe: não desista. Eu sei que é difícil, não é fácil, mas continue na luta. Não desista de você, muito menos do seu filho."
A formulação é precisa do ponto de vista clínico. O diagnóstico não rotula: ele nomeia. A partir dele, o plano terapêutico se torna possível, os direitos são acionados e a culpa — que acompanha silenciosamente muitas famílias — perde o objeto.
O que a nova unidade oferece
A unidade da Barra Olímpica tem mais de 20 salas de atendimento e a cidade ABA, estrutura cenográfica que simula situações reais do cotidiano e rotinas profissionais, voltada a pré-adolescentes e adolescentes.
A casa inicia os atendimentos em 3 de novembro e anunciou plano de abrir mais cinco unidades nos próximos anos.
O Brasil tem 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com TEA — 1,2% da população, conforme o Censo 2022 do IBGE — e cerca de 85% dos adultos autistas estão fora do mercado de trabalho, segundo dados apresentados em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado em abril de 2026. É esse segundo número que a cidade ABA pretende atacar.
Bio de Raquel Minelli
Raquel Minelli, conhecida nas redes como Raka, é influenciadora digital e uma das vozes que emergem no debate sobre neurodesenvolvimento infantil e maternidade real no Brasil.
Mãe de dois filhos, vivencia em primeira pessoa o percurso de investigação diagnóstica: um dos filhos tem diagnóstico de TDL (Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem) e realiza avaliação neuropsicológica, e o outro está em processo de fechamento de quadro de TDAH.
Sua comunicação se distingue pela recusa em transformar a própria experiência em vitrine: em vez de se apresentar como "mãe atípica", ela insiste que essa é uma condição de quem enfrenta uma batalha maior — postura que revela menos modéstia do que consciência do tamanho do sofrimento alheio.
Em outubro de 2026, participou do coquetel de inauguração da nova unidade da Clínica Transformação, na Barra Olímpica, onde percorreu a estrutura e destacou dois pontos: a importância de reunir todas as terapias em um só endereço — evitando o deslocamento permanente que consome o dia inteiro das famílias — e a necessidade de que a clínica acolha também os pais, que passam a vida servindo.
Seu recado às mães que estão no início do caminho condensa o que aprendeu: "Quando a gente recebe um diagnóstico, é meio que libertador. Não desista de você, muito menos do seu filho." Instagram: @raqueminelli.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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