QUAQUÁ QUER A CABEÇA DE ALDAIR: PREFEITO VAI AO MP PARA DERRUBAR PRESIDENTE DA CÂMARA DE MARICÁ, DENUNCIA PETISTA

QUAQUÁ QUER A CABEÇA DE ALDAIR: PREFEITO VAI AO MP PARA DERRUBAR PRESIDENTE DA CÂMARA DE MARICÁ, DENUNCIA PETISTA

Em plenário, Aldair de Linda afirma que "o chefe do Executivo está mexendo os pauzinhos no Ministério Público" para tirá-lo da presidência antes do fim do mandato. Quaquá não respondeu. Eleição da nova Mesa está marcada para 2 de dezembro — e o nome apoiado pelo prefeito é Hadesh

A guerra interna que rachou o PT de Maricá ganhou ontem o seu capítulo mais explosivo. Diante dos vinte e um vereadores, na tribuna da Câmara Municipal, o presidente da Casa, Aldair de Linda (PT), subiu o tom e acusou directamente o prefeito Washington Quaquá (PT) de articular nos bastidores do Ministério Público do Rio de Janeiro um movimento para derrubá-lo da presidência antes do prazo legal do mandato.

"Eu fiquei sabendo que o chefe do Executivo está mexendo os pauzinhos no Ministério Público para me tirar da presidência antes do prazo cabível do mandato", disparou Aldair durante a sessão.

A fala não foi um desabafo solto. Foi um recado calculado — e todos na Câmara entenderam o destinatário.

O presidente da Casa fez questão de lembrar que chegou ao posto com votação unânime, sem chapa concorrente: "Eu tive mandatos de presidente, mas que foi votado unanimemente pelos vinte e um vereadores e não teve outra chapa. Então, como não teve outra chapa, eu tô aqui na presidência, porque eu fui eleito." Na sequência, o ataque: "E ele tá mexendo pauzinhos no Ministério Público, para me tirar antes da data, para fazer o que ele quer fazer com a cidade, como o que ele faz com os vereadores."

Aldair encerrou apelando ao eleitor: "A população está vendo aí o que está acontecendo. É uma falta de respeito com a população, uma falta de respeito até com as pessoas que votaram nos próprios vereadores."

O que falta: a prova. Até o fechamento desta edição, Aldair não protocolou denúncia formal, não apresentou documento e não revelou a origem da informação que diz ter recebido. O MPRJ não confirmou a existência de qualquer procedimento com esse objetivo, e a prefeitura não se manifestou sobre a acusação. Procurados, nenhum dos dois lados apresentou versão pública até aqui.

COMO DOIS ALIADOS DE ANOS VIRARAM INIMIGOS EM UMA ELEIÇÃO

Para entender o tamanho da treta, é preciso voltar alguns meses. Quaquá e Aldair não são adversários históricos: são ex-aliados de longa data dentro do PT de Maricá. O rompimento nasceu na campanha eleitoral deste ano, quando os dois grupos apoiaram candidaturas diferentes para a Assembleia Legislativa do Rio.

O prefeito subiu no palanque de Zeidan (PT). Aldair fez campanha para o próprio filho, Allyson Elias (PT), também candidato a deputado estadual. Os dois se elegeram — mas a disputa deixou feridas que não fecharam. No caminho, sobraram acusações públicas, troca de farpas e o desgaste progressivo entre as duas tropes.

O divórcio político foi formalizado depois da eleição, quando Aldair anunciou publicamente que não fazia mais parte da base do prefeito. Na ocasião, não poupou metáfora: disse que o grupo de Quaquá estava perdendo força e que o "castelo medieval" do prefeito estava desmoronando.

Do outro lado, a resposta veio em silêncio de texto curto. Quaquá publicou nas redes sociais uma mensagem sobre "renovação" em Maricá — e, no detalhe que ninguém deixou passar, acompanhada da data de 2 de dezembro, dia previsto para a eleição da nova Mesa Diretora da Câmara, biênio 2027-2028.

Não era recado velado. Era aviso com data marcada.

2 DE DEZEMBRO: O DIA EM QUE A CADEIRA PODE TROCAR DE DONO

É aqui que a política de Maricá deixa de ser briga de bastidor e vira contagem de votos.

Nos corredores da Câmara, Quaquá é apontado como o articulador da candidatura do vereador Hadesh (PT) à presidência da Casa. Se a movimentação se confirmar, Aldair perde o comando já a partir do próximo ano — e o que ele chama de "tentativa de tirá-lo antes do prazo" pode, na prática, ser apenas a disputa normal de uma sucessão que ele parece não controlar.

A leitura cruzada das duas datas explica o timing da declaração. Aldair falou ontem, 29 de outubro. A eleição da Mesa é em 2 de dezembro. São pouco mais de trinta dias entre a acusação pública e a votação que pode encerrar seu mandato na presidência.

Em outras palavras: a tribuna virou palanque. E o Ministério Público entrou no discurso menos como instância jurídica e mais como peça de retórica na disputa interna.

O QUE PODE ACONTECER DAQUI PARA FRENTE

Se o MP for provocado de fato — por representação de qualquer cidadão, vereador ou do próprio Executivo — e abrir procedimento, o caso ganha outra dimensão e deixa de ser ruído de plenário.

Se a votação de 2 de dezembro ocorrer no clima atual, Aldair entra fragilizado: acusação sem prova, base desfeita e um adversário com maioria a construir.

Se Hadesh confirmar candidatura com apoio do prefeito, o PT de Maricá terá oficializado sua fratura interna às vésperas do novo mandato.

O que falta para fechar a matéria: posicionamento do MPRJ sobre a existência de procedimento, resposta da prefeitura, manifestação de Quaquá e confirmação de Hadesh sobre a candidatura. Sem esses retornos, a acusação de Aldair permanece no terreno da declaração — forte no palanque, frágil no papel.

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Por Jornal da República em 30/10/2026
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