Otoni de Paula pede fim da polarização em ato de lançamento de Campanha com Caiado: 'A gente só discute pessoas'

'Não torço pro avião cair porque não gosto do piloto': a frase do deputado-pastor que viralizou

Em ato com a presença do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD), deputado federal pelo RJ (nº 5550) surpreende ao dizer que "torce pelo Lula enquanto ele for presidente" e pede fim da polarização: "A gente só discute pessoas agora."

O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), pastor evangélico e candidato à reeleição com o número 5550, lançou oficialmente sua campanha na noite desta quinta-feira (27) no Rio de Janeiro. O primeiro ato de campanha, sediado pelo Jornal Última Hora, teve a presença do candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD), que destacou a importância do evento para as alianças partidárias.

O discurso, porém, fugiu do roteiro esperado para um político do campo conservador. Em tom de pregação, Otoni transformou o palanque em um manifesto contra a polarização:

"Hoje nós estamos celebrando a democracia, nós estamos celebrando hoje a verdade. O povo já não aguenta mais essa polarização tóxica, que não deixa a gente discutir o Brasil. A gente só discute pessoas agora."

A frase mais marcante da noite veio em seguida 

"Nós precisamos estar do lado da verdade. Se a verdade tá com Lula, tá com Lula. Se a verdade está lá na direita, tá na direita."

O deputado foi além e defendeu um pragmatismo que soa incomum na atual disputa eleitoral:

"Lula é o presidente do Brasil, vamos torcer por ele. Eu não sou daqueles que torce pro avião cair porque não gosta do piloto."

Reeleição e contexto — Eleito em 2018 com 120.498 votos (1,56% dos válidos) e reeleito em 2022, Otoni de Paula disputa seu terceiro mandato pelo PSD, partido para o qual migrou após passagem pelo MDB. A candidatura foi registrada com patrimônio declarado de R$ 5,5 milhões junto ao TSE.

A defesa da "pauta da verdade" não é novidade na trajetória recente do parlamentar. Em dezembro de 2025, ele chegou a ser recebido pelo presidente Lula, a quem fez uma oração — episódio que repercutiu por vir de um ex-bolsonarista. Em junho deste ano, classificou Caiado como o "suprassumo da direita brasileira". E já afirmou publicamente que votaria em Lula em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), chegando a anunciar um movimento batizado de "Direita com Lula" em defesa da democracia.

O ato desta quinta materializa no palanque a estratégia "suprapartidária" do parlamentar: manter o pé no campo conservador (ao lado de Caiado) enquanto constrói pontes com o governo. Uma aposta arriscada, que tende a gerar reação tanto das bases evangélicas bolsonaristas quanto de setores que veem contradição em apoiar um presidenciável de oposição e torcer pelo atual presidente.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Doutor Honoris Causa em Direito e Ciências Políticas, Acadêmico da ABRASCI , Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber

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Por Jornal da República em 28/08/2026
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