Rússia lamenta fim de tratado nuclear com os EUA, que querem incluir China em futuros acordos

Putin queria renovar trato por mais um ano, mas Washington exige regulamentação de arsenal de Pequim

Rússia lamenta fim de tratado nuclear com os EUA, que querem incluir China em futuros acordos

Por Brasil de Fato

O Kremlin lamentou o fim do acordo que regulamenta os arsenais nucleares da Rússia e dos Estados Unidos. O último tratado de não proliferação de armas nucleares entre os dois países expirou nesta quinta-feira (5), uma mudança importante no controle de armamentos desde a Guerra Fria.

“Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, sobre o fim do acordo Novo Start, que limita a quantidade de ogivas nucleares implantadas por cada país.

O documento expirou às 0h00 GMT de 5 de fevereiro (21h da quarta-feira em Brasília), depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não respondeu a uma proposta de seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, de prolongar por um ano os termos do acordo. O presidente dos EUA exigiu que qualquer novo tratado na área deveria incluir a China.

Putin “ressaltou que, nesta situação, agiremos com prudência e responsabilidade”, informou o assessor diplomático do presidente russo, Yuri Ushakov, em uma coletiva de imprensa.

“Continuamos abertos a encontrar vias de negociação e a garantir a estabilidade estratégica”, assegurou Ushakov.

China

Com o fim do tratado, Moscou e Washington estão formalmente liberados de uma série de restrições sobre seus arsenais nucleares. O Ministério das Relações Exteriores da China se uniu a outras vozes no cenário internacional que lamentaram a expiração do tratado, mas afirmou que “nesta etapa” não participaria de eventuais conversações nucleares.

“As capacidades nucleares da China são de uma escala totalmente diferente das dos Estados Unidos e da Rússia. Não participaremos, nesta etapa, de negociações de desarmamento nuclear”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian.

Rússia e Estados Unidos controlam conjuntamente mais de 80% das ogivas nucleares do mundo, mas os acordos de controle de armas têm perdido força. O arsenal nuclear chinês aumenta rapidamente: analistas calculam que o país possui 550 lançadores estratégicos, abaixo dos 800, cada um, dos Estados Unidos e da Rússia.

Reino Unido e França, aliados dos Estados Unidos, têm outros 100 em conjunto. O Novo Start, firmado pela primeira vez em 2010, limitava o arsenal nuclear de cada parte a 1.550 ogivas estratégicas implantadas, uma redução de quase 30% com relação ao limite anterior estabelecido em 2002.

Também permitia a cada parte realizar inspeções ‘in situ’ do arsenal nuclear da outra, mas estas foram suspensas em 2023. O secretário-geral da ONU, António Guterres, o classificou como “um momento sério para a paz e a segurança internacionais” e exortou Washington e Moscou a “retornarem à mesa de negociações sem demora e a estabelecerem um quadro sucessor”.

Um funcionário da Otan, que pediu anonimato, pediu “moderação e responsabilidade” e afirmou que a aliança atlântica “continuará dando os passos necessários” para garantir a sua defesa. Além disso, criticou a “retórica nuclear irresponsável da Rússia”, enquanto a China “continua expandindo e diversificando rapidamente o seu arsenal nuclear”.

O papa Leão 14, que raramente se pronuncia sobre o âmbito nuclear e seus tratados, alertou para o risco de uma “nova corrida armamentista” e fez “um apelo urgente para que não se abandone este instrumento sem tentar garantir-lhe um seguimento concreto e eficaz”.

Por Jornal da República em 05/02/2026
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